Álvaro Sobrinho tem de pagar 6 milhões de caução e fica sem passaporte

17 mar, 19:19
Álvaro Sobrinho

Valor da caução é dos mais altos pedidos pela justiça portuguesa, semelhante à de Manuel Pinho, que optou por não pagar e pedir termo de identidade e residência

O luso-angolano Álvaro Sobrinho ficou sujeito a uma caução de 6 milhões de euros e à entrega do passaporte. Só poderá sair do país, dentro do espaço Schengen, depois de pagar a caução. Ainda assim, não poderá sair da Europa. O juiz Carlos Alexandre determinou ainda o arresto de vários imóveis - nomeadamente no Estoril-Sol - e de contas bancárias do antigo presidente do BES Angola.

O empresário fica também obrigado a apresentar-se trimestralmente na PSP.

Álvaro Sobrinho esteve a ser interrogado em Lisboa, no DCIAP, pelo Ministério Público, sob suspeita de ter burlado o antigo Banco Espírito Santo de Angola, a que presidiu, em cerca de 500 milhões de euros, apurou a CNN Portugal. 

O dinheiro terá passado pela Suíça, por sociedades offshore, e por Portugal - alegadamente branqueado na compra de vários imóveis de luxo, como apartamentos no condomínio Estoril-Sol, e até no assumir de uma posição acionista na SAD do Sporting, através da sociedade Holdimo, com um investimento de 20 milhões de euros.

De resto, sabe a CNN, o objetivo da investigação, esta quinta-feira, passa por confrontar o ex-banqueiro com novos factos entretanto apurados - e eventualmente pela aplicação de novas medidas de coação, mais restritivas que o atual termo de identidade e residência, que atenuem o perigo de fuga de Sobrinho, que vive no estrangeiro, entre vários países por onde circula com grande mobilidade, nomeadamente através de jatos particulares.

Álvaro Sobrinho é suspeito em diferentes casos, mas o processo em questão diz respeito à forma como terá burlado o BESA na concessão de empréstimos milionários a terceiros, alegados testas de ferro, tendo os milhões em causa acabado em contas controladas pelo banqueiro.

Terá sido, segundo a investigação, o beneficiário efetivo de três empresas angolanas que receberam 352 milhões de euros do banco de forma injustificada. E Sobrinho terá ainda recebido, através de duas sociedades offshore, mais 148 milhões de euros - o que eleva a alegada burla para um total de 500 milhões.

O alegado esquema remonta ao ano de 2010, quando Sobrinho comprou, de uma só vez, seis apartamentos de luxo no Estoril-Sol. No ano seguinte, o Ministério Público abriu um processo por branqueamento de capitais, após denúncia da CMVM, e o juiz Carlos Alexandre ordenou o arresto de todos os imóveis - num valor estimado de 80 milhões de euros -, posição que acabou revertida no tribunal da Relação, pelo juiz Rui Rangel, numa decisão que acabou por levantar suspeitas de corrupção em relação a este último, no caso Lex.

Sobrinho é também suspeito de desviar milhões de habitações sociais em Angola

Álvaro Sobrinho é também suspeito de ter participado num esquema que levou ao desvio de centenas de milhões de dólares de um projeto de habitação social apoiado pelo governo de Angola, em 2009. As suspeitas prendem-se com a participação do BES Angola, liderado por Sobrinho, num financiamento para a construção de um bairro social que acabou por nunca acontecer, e que envolverá o desvio de 750 milhões de euros.


O caso foi recentemente revelado com base em documentos obtidos pela revista alemã Der Spiegel e partilhados com o consórcio europeu de jornalistas de investigação [EIC - European Investigative Collaborations. “Os documentos revistos pelos repórteres indicam que o dinheiro, que era destinado ao construtor, foram para o Banco Espírito Santo Angola, de Álvaro Sobrinho, mas nunca foram enviados para a empresa“, lê-se no texto divulgado.

Por essa altura, Álvaro Sobrinho terá aberto contas no Credit Suisse no valor de 65,5 milhões de euros.

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