Roberta Metsola sucede a David Sassoli na presidência do Parlamento Europeu

18 jan, 10:09

Foi o melhor presente de aniversário para a representante do Partido Popular Europeu, que sucede ao falecido David Sassoli, tornando-se na terceira mulher no cargo

Está escolhido o sucessor de David Sassoli na presidência do Parlamento Europeu. Trata-se de Roberta Metsola, de natural de Malta, e que foi eleita esta terça-feira.

A maltesa, do Partido Popular Europeu (PPE), era a favorita para suceder ao dirigente socialista italiano, que assumiu o cargo no verão de 2019, e que morreu a 11 de janeiro. A eleição foi conseguida à primeira volta, com 458 votos a favor, incluindo do PPE, mas também de socialistas e liberais.

Roberta Metsola, que completou 43 anos esta terça-feira (é a mais jovem presidente de sempre), promete uma "renovação revigorada de um Parlamento que olha para o futuro, com uma maneira muito moderna de fazer política". A advogada torna-se a terceira mulher a presidir ao Parlamento Europeu - depois das francesas Simone Veil e Nicole Fontaine, e a primeira maltesa a dirigir uma instituição europeia.

A eleição do presidente do Parlamento Europeu realiza-se por escrutínio secreto, sendo que, para ser eleito, um candidato deve obter a maioria absoluta dos votos expressos válidos, ou seja, 50% mais um.

Devido à pandemia, a votação foi realizada por via remota, já que alguns eurodeputados não estiveram presencialmente na sessão.

Foram anunciadas quatro candidaturas à presidência da assembleia europeia. Além de Roberta Metsola (PPE), também a sueca Alice Bah Kuhnke (Grupo dos Verdes/Aliança Livre Europeia), o polaco Kosma Zlotowski (Grupo dos Conservadores e Reformistas Europeus) e a espanhola Sira Rego (Grupo da Esquerda) concorriam ao cargo.

Todos os cargos eleitos do Parlamento Europeu (presidente, vice-presidente, questor, presidente e vice-presidente de comissão e presidente e vice-presidente de delegação) são renovados a cada dois anos e meio.

David Sassoli morreu em 11 de janeiro, aos 65 anos, em Aviano (Itália), onde se encontrava hospitalizado desde 26 de dezembro, sendo o primeiro presidente do Parlamento Europeu a morrer em exercício de funções nas quais estava prestes a ser substituído, no cumprimento de um acordo de partilha do mandato de cinco anos.

Promessa de continuar um legado

Roberta Metsola prometeu prosseguir o legado do seu antecessor, o italiano David Sassoli, falecido na semana passada, e “lutar contra a narrativa anti-UE” e o “cinismo fácil”.

Na primeira conferência de imprensa enquanto presidente, no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, Roberta Metsola, questionada insistentemente sobre a sua polémica posição contra a interrupção voluntária da gravidez, garantiu, uma e outra vez, que a partir de agora adotará e promoverá aquela que é a posição do Parlamento, “inequívoca” sobre esta matéria, no sentido do reforço dos direitos sexuais e reprodutivos.

Imediatamente após o anúncio da sua eleição, logo à primeira volta, a deputada conservadora do Partido Popular Europeu (PPE) discursou perante o hemiciclo, e as suas primeiras palavras foram em memória de Sassoli.

“A primeira coisa que gostaria de fazer como presidente é pensar no legado de David Sassoli: foi um lutador, lutou pela Europa e por nós, por este Parlamento. [...] Honrarei David Sassoli enquanto presidente, defendendo sempre a Europa, os nossos valores comuns de democracia, dignidade, justiça, solidariedade, igualdade, Estado de direito e direitos fundamentais", disse.

Na conferência de imprensa, reforçou que tem a noção de que tem uma ‘herança’ pesada e garantiu que prestará “tributo ao David ao defender sempre, sempre, a Europa”.

Nessa defesa da Europa, defendeu ser necessário “lutar contra a narrativa anti-UE que se instala tão facilmente e tão rapidamente”.

“A desinformação e a informação errónea, amplificadas ainda mais durante a pandemia, alimentam um cinismo fácil e soluções baratas de nacionalismo, autoritarismo, protecionismo, isolacionismo. A Europa é precisamente o oposto: trata-se de todos nos defendermos uns aos outros, aproximando os nossos povos. Trata-se de defendermos os princípios das nossas mães e dos nossos pais fundadores, que nos conduziram das cinzas da guerra e do holocausto à paz, à esperança e à prosperidade”, declarou.

Oriunda do mais pequeno Estado-membro da União Europeia, e o único onde a interrupção voluntária da gravidez é absolutamente interdita, Metsola reiterou que, nas suas novas funções, vai defender aquela que é a posição do Parlamento, amplamente em favor do direito ao aborto, lembrando que foi já isso que fez enquanto vice-presidente.

“A minha posição a partir de agora é a posição do Parlamento. E nesta matéria, de direitos sexuais e reprodutivos, este Parlamento sempre foi inequívoco, sempre defendeu um reforço desses direitos. Esta é a posição do Parlamento Europeu e posso comprometer-me perante todos vós que será também a minha posição, como já o fiz enquanto vice-presidente. Vou promover essas posições não só dentro desta casa como junto das outras instituições”, assegurou.

“Há 22 anos, Nicole Fontaine foi eleita, 20 anos depois de Simone Veil. Não passarão mais duas décadas até a próxima mulher estar aqui", comentou.

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