“Quantidades significativas de água” encontradas na versão gigantesca do Grand Canyon em Marte

1 jan, 10:00
“Quantidades significativas de água” encontradas na versão gigantesca do Grand Canyon em Marte
“Quantidades significativas de água” encontradas na versão gigantesca do Grand Canyon em Marte

Marte tem a sua própria versão do Grand Canyon, e os cientistas descobriram que este relevo dramático alberga “quantidades significativas de água” após uma descoberta feita por uma sonda que orbita o planeta vermelho, de acordo com a Agência Espacial Europeia.

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A sonda ExoMars Trace Gas Orbiter, lançada em 2016 numa missão conjunta entre a Agência Espacial Europeia e a Roscosmos, detetou a água no Valles Marineris em Marte. Este sistema de desfiladeiros é 10 vezes mais longo, cinco vezes mais fundo e 20 vezes mais largo que o Grand Canyon.

A água está localizada abaixo da superfície do sistema de desfiladeiros e foi detetada pelo instrumento FREND da sonda, o Detetor de Neutrões Epitérmicos de Resolução Fina. Este instrumento consegue mapear hidrogénio no metro superior do solo marciano.

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A maioria da água de Marte está localizada nas regiões polares do planeta e mantém-se sob a forma de gelo. O Valles Marineris fica a sul do equador do planeta, onde as temperaturas habituais não são frias o suficiente para que a água se mantenha.

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Esta imagem composta do Valles Marineris foi captada pela sonda Mars Odyssey da NASA.

As observações foram recolhidas pela sonda entre maio de 2018 e fevereiro de 2021. Anteriormente, outras sondas tinham procurado água logo abaixo da superfície de Marte e detetaram pequenas quantidades sob a poeira marciana. Um estudo a pormenorizar as descobertas foi publicado esta quarta-feira no jornal “Icarus”.

"Com a sonda (Trace Gas Orbiter) podemos observar um metro abaixo desta camada de poeira e ver o que se passa realmente abaixo da superfície de Marte. Mais crucialmente, podemos localizar ‘oásis’ ricos em água que não podiam ser detetados pelos instrumentos anteriores," disse numa declaração o autor do estudo, Igor Mitrofanov, investigador principal do telescópio de neutrões FREND.

"O FREND revelou uma zona com uma quantidade de hidrogénio invulgarmente grande no colossal sistema de desfiladeiros do Valles Marineris - supondo que o hidrogénio que vemos forma moléculas de água, até 40% do material próximo da superfície nesta região aparenta ser água."

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A sonda Mars Express tirou esta foto ao desfiladeiro Candor Chasma, um dos maiores na parte norte do Valles Marineris, em julho de 2006

Para dar uma ideia, esta zona tem aproximadamente o tamanho dos Países Baixos. Sobrepõe-se ao Candor Chaos, uma rede de vales dentro do sistema de desfiladeiros.

O instrumento FREND procura neutrões para mapear o teor de hidrogénio no solo marciano.

"Podemos deduzir a quantidade de água do solo se observarmos os neutrões que emite", disse numa declaração Alexey Malakhov, coautor do estudo e cientista principal no Instituto de Investigação Espacial da Academia de Ciências da Rússia.

Isso acontece porque "são produzidos neutrões quando partículas altamente energizadas conhecidas como ‘raios cósmicos galácticos’ atingem Marte. O solo mais seco emite mais neutrões do que o solo mais húmido", disse o cientista na mesma declaração.

 

Este mapa mostra as maiores concentrações de água a azul e roxo, conforme são detetadas pela sonda

"Verificámos que uma parte central do Valles Marineris está cheia de água - muito mais água do que esperávamos. É muito semelhante às regiões de permafrost na Terra, onde a água congelada persiste permanentemente debaixo da terra seca devido às baixas temperaturas constantes."

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As singulares capacidades de observação do instrumento permitiram à equipa detetar água que antes estava escondida, disse Malakhov. Pode ser água congelada ou água que está ligada a minerais no solo. Mas os cientistas acreditam que a presença de gelo se deve mais provavelmente ao facto de os minerais existentes neste sítio conterem pouca água.

Há temperaturas mais elevadas perto do equador de Marte, por isso, os investigadores acreditam que deve haver um conjunto especial de condições que permitem que a água se mantenha ali e seja reabastecida.

"Esta descoberta é um primeiro passo fabuloso, mas precisamos de mais observações para sabermos ao certo com que forma de água estamos a lidar", disse numa declaração o coautor do estudo, Håkan Svedhem, antigo cientista do projeto da sonda.

"A descoberta demonstra as capacidades ímpares dos instrumentos da TGO para nos permitirem ‘ver’ abaixo da superfície de Marte, e revela um reservatório de água grande, não muito profundo e facilmente explorável nesta região de Marte."

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Missões futuras a Marte irão pousar em latitudes inferiores. Esta descoberta no Valles Marineris destaca o relevo como um sítio intrigante com potencial para a exploração humana nos próximos anos, sobretudo porque esta água seria muito mais acessível do que outras fontes de água subsuperficiais anteriormente descobertas.

"Saber mais sobre como e onde existe água atualmente em Marte é essencial para compreender o que aconteceu à água outrora abundante em Marte, e ajuda a nossa procura por ambientes habitáveis, possíveis sinais de vida do passado, e materiais orgânicos dos primórdios de Marte”, disse Colin Wilson, cientista do projeto ExoMars Trace Gas Orbiter da ESA, numa declaração.

Em 2022, serão lançados o rover europeu Rosalind Franklin e a plataforma superficial russa Kazachok que se prevê pousar em Marte em 2023. O rover irá perfurar sob a superfície de Marte em busca de material orgânico que poderá revelar se Marte alguma vez sustentou vida. O rover irá explorar Oxia Planum, o sítio onde há rochas visíveis ricas em argila que em tempos estiveram expostas a água.

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