Protestos contra aumento do preço do combustível fazem cair governo do Cazaquistão

5 jan, 23:19

União Europeia e EUA pedem moderação às autoridades e manifestantes. Pelo menos oito membros da polícia e do exército foram mortos nos motins que abalam o Cazaquistão há vários dias

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O presidente do Cazaquistão, Kasim-Yomart Tokáyev, aceitou esta quarta-feira a renúncia do governo na sequência da gigante onda de manifestações, que já dura desde 2 de janeiro, contra o aumento do preço dos combustíveis  

De acordo com a comunicação social local, o aeroporto da maior cidade do país, Almaty, foi invadido por manifestantes, ao mesmo tempo que o estado de emergência foi declarado em todo o país.

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O estado de emergência será implementado até 19 de janeiro e serão aplicadas no país restrições à circulação de pessoas. Em Almaty, Há relatos de funcionários públicos a serem atacados, edifícios danificados e "pedras, paus, gás pimenta e cocktails molotov foram usados", de acordo com um comunicado do Ministério do Interior.

Um jornalista em Almaty disse à CNN que o país está sem internet e as luzes parecem estar apagadas nos prédios próximos à residência do presidente e ao gabinete do presidente da câmara de Almaty.

A contestação popular foi desencadeada pelo aumento dos preços do gás liquefeito, um dos combustíveis mais utilizados nos transportes do país, de 60 tengues por litro (0,12 euros) para o dobro, 120 tengues (0,24 euros).

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Pelo menos oito membros da polícia e do exército foram mortos nos motins que abalam o Cazaquistão há vários dias, indicou o Ministério do Interior, citado pela imprensa local.

Segundo a mesma fonte, 317 membros da polícia e da Guarda Nacional foram feridos “pela multidão em fúria”. União Europeia e Estados Unidos pediram “responsabilidade e moderação” às partes envolvidas nos protestos. "Pedimos a todas as partes envolvidas que atuem com responsabilidade e moderação e se abstenham de tomarem ações que possam levar a uma nova escalada de violência”, referiu o Serviço Europeu para a Ação Externa (SEAE) em comunicado.

O serviço diplomático da União Europeia (UE) espera que os protestos “permaneçam não violentos” e exortou as autoridades cazaques a “respeitarem o direito fundamental ao protesto pacífico”.

 

 

O Cazaquistão é um parceiro importante para a UE e contamos com ele para respeitar os seus compromissos, incluindo a liberdade de imprensa e o acesso à informação online e offline”, sustentou.

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Também o Governo dos Estados Unidos apelou hoje às autoridades do Cazaquistão para se “moderarem” e disse esperar que os protestos ocorram “de forma pacífica”.

A porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki, criticou ainda as “alegações absurdas” da Rússia sobre uma suposta responsabilidade dos Estados Unidos nos distúrbios no Cazaquistão, garantindo que é “absolutamente falso”.

A Rússia apelou hoje ao "diálogo" no Cazaquistão, uma ex-república soviética na Ásia central onde desde domingo ocorrem protestos sem precedentes devido ao aumento dos preços do gás.

Estamos a acompanhar atentamente os eventos no país vizinho e irmão (…) somos a favor de uma solução pacífica para todos os problemas dentro do quadro legal e constitucional e por meio do diálogo (…) não de tumultos nas ruas e violação das leis", indicou o Ministério dos Negócios Estrangeiros russo em comunicado.

As Nações Unidas revelaram também que estão também a monitorizar a situação no Cazaquistão “com preocupação”.

 

 

 

“É muito importante que todos os envolvidos nestes eventos tenham contenção, evitem a violência e promovam o diálogo para responder a todas as questões pertinentes”, realçou o porta-voz do organismo, Stéphane Dujarric.

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A ONU, liderada pelo diplomata português António Guterres, garantiu ainda que os seus funcionários destacados no país estão seguros, operacionais e em contacto com as autoridades.

Rússia e aliados vão enviar “forças de manutenção da paz”

A Rússia e os aliados da Organização do Tratado de Segurança Coletiva (OTSC) vão enviar “forças de manutenção da paz” para o Cazaquistão, a pedido desta ex-república soviética.

O presidente da OTSC e também primeiro-ministro da Arménia, Nikol Pachinian, revelou hoje através das redes sociais que esta aliança militar decidiu enviar “uma força coletiva de manutenção da paz”.

Esta força, adiantou, estará no Cazaquistão por “um período limitado de tempo a fim de estabilizar e normalizar a situação neste país” que foi provocada por “interferência externa”.

O Cazaquistão é desde 2 de janeiro palco de protestos em várias cidades, que foram ganhando intensidade até se transformarem em violentos distúrbios que culminaram hoje na ocupação de vários edifícios governamentais e do aeroporto da cidade de Almaty e em mais de 500 feridos.

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