Kenny Elcock, antigo vice-presidente de tecnologia do canal desportivo regional NESN, explicou ao The New York Times que, durante muitos anos, a televisão em direto fazia chegar o sinal das câmaras aos espectadores através de um percurso relativamente simples. Agora, o processo é substancialmente diferente
O marcador continua nos 0-0, mas do apartamento ao lado já se ouve um grito de golo. Logo depois, o telemóvel vibra com a mensagem de um amigo a celebrar. Só alguns segundos mais tarde aparece no ecrã a jogada decisiva. Para quem assiste, a surpresa desaparece antes de a bola entrar na baliza.
A situação repete-se cada vez mais durante os grandes eventos desportivos, segundo escreve o jornal New York Times. Embora milhões de pessoas acompanhem o mesmo jogo em direto, o momento exato em que veem um golo ou o assinalar de uma grande penalidade depende do serviço utilizado e da forma como o sinal chega ao aparelho.
Kenny Elcock, antigo vice-presidente de tecnologia do canal desportivo regional NESN, explicou ao The New York Times que, durante muitos anos, a televisão em direto fazia chegar o sinal das câmaras aos espectadores através de um percurso relativamente simples. Mas que, atualmente, a transmissão passa por uma cadeia tecnológica muito mais longa.
“Antes de vermos o vídeo, este é captado, processado, comprimido, encriptado, empacotado, enviado, armazenado, descodificado e, finalmente, apresentado no ecrã”, afirmou Elcock ao jornal norte-americano. Cada uma dessas etapas acrescenta uma pequena demora que, somada às restantes, pode criar atrasos significativos.
A televisão digital terrestre continua a ser, em regra, a forma mais rápida de acompanhar uma emissão. Segundo as estimativas citadas pelo New York Times, o espectador vê normalmente as imagens entre três e oito segundos depois de estas acontecerem. No cabo, o atraso pode variar entre cinco e 12 segundos, devido ao equipamento e ao transporte do sinal por redes de fibra.
Nas emissões por satélite, a informação tem de viajar até ao espaço e regressar à Terra, passando ainda por processos adicionais de codificação. O desfasamento pode, por isso, chegar aos 30 segundos. No streaming, onde o vídeo é dividido em milhares de pequenos ficheiros, a diferença pode ultrapassar um minuto.
Há ainda o efeito do buffering. Os televisores, telemóveis e computadores descarregam antecipadamente uma pequena quantidade de vídeo para evitar que qualquer quebra momentânea da ligação à Internet congele a imagem. “O resultado é uma experiência mais fluida, mesmo que isso signifique que os espectadores estejam a ver o acontecimento vários segundos depois”, explicou Elcock ao *New York Times*.
Nem sequer os clientes do mesmo serviço estão necessariamente sincronizados. Um aparelho pode acumular 25 segundos de vídeo, enquanto outro guarda apenas oito. “Ambos parecem estar a ver em direto, mas nenhum está a assistir exatamente ao mesmo momento”, acrescentou o especialista. Isso faz com que, por exemplo, num bar, com vários televisores, o golo seja visto com dezenas de segundos de diferença.
Disso deu conta Nordine Achbani, proprietário do restaurante Latitude 39, que em entrevista ao jornal norte-americano explicou que o problema já provocou confusão entre os clientes durante transmissões desportivas. “De um lado do bar, as pessoas gritavam golo, e do outro lado ainda não tinha acontecido”, relatou.
