Partido do governo no Japão defende nova política de armamento

12 abr, 05:15
Fumio Kishida, primeiro-ministro do Japão

O partido do primeiro-ministro Kishida vai propor que o país possa adquirir armamento "com capacidade de atacar bases inimigas". Uma alteração radical em relação à política pós-II Guerra Mundial, exclusivamente orientada para a defesa. Falcões do PLD dizem que o objetivo continua a ser apenas a dissuasão

 

O Partido Liberal Democrático, que governa o Japão, defende que o país deve adotar uma nova postura de segurança e defesa, que passa pela aquisição de armamento com capacidade de atacar bases inimigas. 

Trata-se de uma alteração profunda em relação à linha pacifista que Tóquio tem seguido desde a II Guerra Mundial. A Constituição nipónica, aprovada após a derrota nesse conflito, obriga o Japão a renunciar à guerra como forma de resolução de conflitos, e limita a sua capacidade militar à defesa do país. Nesse sentido, as Forças Armadas do Japão chamam-se Forças de Auto-Defesa. 

Esta segunda-feira, um painel de segurança nacional do Partido Liberal Democrático (PLD) propôs que o país possa adquirir aquilo a que chama capacidade de ataque à base inimiga. A proposta surge antes da revisão da Estratégia de Segurança Nacional (ESN) do Japão, que está previsto acontecer este ano. E reflete o crescimento das preocupações de segurança em Tóquio face à guerra russa na Ucrânia, as constantes demonstrações de força por parte de uma China cada vez mais beligerante, e o regresso das ameaças por parte da Coreia do Norte.

Apesar da proposta da Comissão de Investigação sobre Segurança Nacional do LDP ser bastante controversa, pela mudança que representa numa política com quase oito décadas, membros do grupo de trabalho disseram aos jornalistas que não houve oposição à ideia. A proposta final do PLD para a revisão da ESN será formalizada no final do mês.

 

Falcões ganham terreno no partido do governo

 

O Japão, devido às limitações constitucionais, depende fortemente da presença militar dos Estados Unidos em termos de segurança e defesa. Com as crescentes ameaças da Rússia e da China - países vizinhos com os quais o Japão tem conflitos territoriais que se arrastam há décadas - e com a crescente capacidade ofensiva da Coreia do Norte, que tem acelerado o seu programa de testes de mísseis balísticos e poderá estar a reativar o seu programa nuclear, o debate sobre a necessidade de reforçar os meios de defesa tornou-se central na política nipónica.

Figuras destacadas do PLD - em particular o seu antigo líder e ex-primeiro-ministro Shinzo Abe - têm defendido que o país deve reforçar o seu arsenal, indo mesmo ao ponto de admitir que sejam estacionados em território nipónico mísseis nucleares dos EUA. Essa ideia vai contra a tripla recusa que o país tem seguido desde 1945, no sentido de não construir, não possuir e não deixar estacionar no país qualquer armamento nuclear. 

O atual primeiro-ministro, Fumio Kishida, tem dito que o governo "examinará todas as opções" para reforçar as defesas do Japão, incluindo a capacidade de ataque. Mas recusa a ideia dos falcões do seu partido que querem armas atómicas no país.

Segundo o diário Japan Times, alguns membros do painel do PLD apelaram a uma reformulação do termo "capacidade de ataque à base inimiga", numa tentativa de enfatizar que tais meios de contra-ataque seriam puramente para fins de dissuasão e defensivos.

O mesmo diário dá conta de que o PLD espera agora obter o apoio do público para esta alteração de política, bem como o apoio do parceiro de coligação, Komeito, que tem sido mais cauteloso face à aquisição de tais capacidades ofensivas. Apesar de depender do Komeito para ter maioria no Parlamento, o PLD tem governado o Japão quase ininterruptamente desde os anos 50.

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