Omicron “vai dominar” este inverno e Fauci diz que nos devemos preparar para semanas (ou meses) duros

CNN ,  Dakin Andone e Susannah Cullinane
1 jan, 18:00
Uma pessoa é testada à covid-19 num local de testagem móvel em Times Square na sexta-feira, 17 de dezembro, em Nova Iorque (AP)
Uma pessoa é testada à covid-19 num local de testagem móvel em Times Square na sexta-feira, 17 de dezembro, em Nova Iorque (AP)

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"Os Estados Unidos deverão ter um inverno duro com a variante Ómicron da covid-19 a espalhar-se rapidamente", diz o Dr. Anthony Fauci, pressionando um sistema de saúde já fustigado pela variante Delta.

"Vai dominar", disse Fauci, o maior perito em doenças infeciosas do país, da variante Ómicron no programa "State of the Union" da CNN no domingo, apelando aos americanos para que se vacinem e para que tomem o reforço da vacina. "E que sejam prudentes em tudo o resto que façam: quando circularem em espaços interiores com pessoas, usem máscara."

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A disseminação rápida da Omicron vai entupir os hospitais, dizem os peritos

"Não podemos livrar-nos disso, Jake, não podemos", declarou a Jake Tapper da CNN. "É que com a Ómicron, com que estamos a lidar, vamos ter umas semanas e até meses duros, à medida que o inverno avança."

Segundo a Organização Mundial da Saúde, os casos de Ómicron duplicam a cada dia e meio a três dias, segundo registos. E nos EUA, espera-se que se torne dominante nas próximas semanas, disse na sexta-feira o diretor dos Centros de Controlo e Prevenção de Doenças.

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Os EUA enfrentam agora um ressurgimento do coronavírus, à medida que a pandemia se encaminha para o terceiro ano: o país tinha em média 126 967 novos casos por dia a partir de sábado, segundo dados da Universidade John Hopkins, uma subida de uma média de pouco mais de 70 000 novos casos no início do mês de novembro.

"A variante Ómicron é extremamente contagiosa. É tão contagiosa quanto o sarampo, que praticamente é o vírus mais contagioso que conhecemos", disse no sábado o analista médico da CNN Jonathan Reiner, avisando que era um "tsunami" para os americanos não vacinados.

Os cientistas dizem que ainda é cedo para dizer se a Ómicron provoca uma forma de covid-19 mais leve. Mas independentemente disso, irá colocar pressão no sistema de saúde, declarou Reiner.

O Ómicron está a chegar, mas os reforços devem combatê-la, dizem autoridades

"Porque haveriam de ir travar uma batalha destas completamente desarmados?" Declarou Reiner, professor de medicina e cirurgia na Faculdade de Medicina e Ciências Médicas da Universidade George Washington. "As nossas vacinas vão protegê-los, especialmente se tiverem as três doses. As pessoas que não estão vacinadas deviam iniciar o processo agora. Vão à vossa farmácia e vacinem-se."

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É importante manter a vigilância para ajudar a evitar que os hospitais fiquem “a abarrotar”, acrescentou. Mesmo que a Ómicron acabe por causar uma infeção menos grave do que a Delta, o grande número de infeções com a Ómicron pode provocar uma sobrelotação dos hospitais dos EUA.

Mais de 69 000 pessoas estão hospitalizadas com covid-19 nos EUA e mais de 20% de todas as camas de UCI estão ocupadas com doentes com covid-19, segundo o Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA.

"Temos de proteger o nosso serviço de saúde," disse Reiner, "e é por isso que todos os americanos têm de usar máscara e vacinar-se agora, porque as nossas infraestruturas de cuidados de saúde estão em jogo neste momento."

O Presidente Joe Biden vai reunir-se com a sua equipa de resposta à covid-19 devido aos últimos desenvolvimentos da variante Ómicron, segundo a Casa Branca.

A reunião surge antes dos comentários na terça-feira, e o Presidente vai discutir a variante, novos passos que a Administração vai dar e emitir outro "sério aviso do que será o inverno para os americanos que optam por não se vacinar", declarou a Casa Branca.

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'Não esperem para fazer o reforço”, diz um perito

Segundo dados do CCD (Centro de Controlo de Doenças americano), 61,4% do total da população dos EUA têm a vacinação completa, e cerca de 32,1% dos adultos com vacinação completa receberam reforço, o que as autoridades de saúde dizem ser uma linha de defesa crucial contra a variante Ómicron. E, no entanto, muitos dos que são elegíveis para um reforço ainda não receberam o mesmo.

A proteção dada pelas vacinas mRNA em duas doses, como as que são produzidas pela Pfizer/BioNTech e pela Moderna, é “bastante boa especialmente no que toca a doença grave", declarou Fauci no domingo.

"Mas quando se contrai a Ómicron, a proteção desce significativamente", declarou. "A boa notícia é que, quando alguém toma o reforço, volta a aumentar."

As pessoas que não estão vacinadas têm 20 vezes mais risco de morrer de covid-19 e 10 vezes mais risco de testarem positivas do que as pessoas com a vacinação completa que receberam reforço, segundo dados publicados recentemente pelo CCD.

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Os dados sugerem que a diferença entre pessoas não vacinadas e pessoas com reforço é ainda maior do que entre pessoas não vacinadas e pessoas com a fase inicial da vacina.

Francis Collins, diretor dos National Institutes of Health (Institutos Nacionais de Saúde), disse ao programa "Face the Nation" da CBS no domingo que as pessoas não devem esperar para tomar o reforço.

"Uma mensagem importante para hoje é, se tomaram vacinas e um reforço, estão muito bem protegidos contra o facto de Ómicron poder causar doença grave", declarou. "Portanto, quem estiver a ouvir isto que esteja na faixa dos 60% de americanos elegíveis para um reforço, mas ainda não tomou, esta é a semana para o fazerem. Não esperem."

Uma vez mais, Nova Iorque no topo da lista de recordes de novos casos diários

No domingo, o estado de Nova Iorque bateu o seu próprio recorde do maior número de infeções diárias com covid-19 desde o início da pandemia, pelo terceiro dia consecutivo. O gabinete da Governadora Kathy Hochul reportou 22 478 casos positivos no domingo, acima dos 21 908 casos positivos de covid-19 no sábado.

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Hochul reiterou a mensagem aos nova-iorquinos de que, apesar do aumento das infeções, estão em muito mais favorável posição do que quando o vírus inicialmente atacou o Empire State no ano passado.

"Não estamos em março de 2020, não estamos indefesos", disse em declarações no domingo. "Temos as ferramentas para nos protegermos e aos nossos entes queridos vulneráveis no seio da família: vacinem-se, tomem o reforço e usem máscara em locais fechados ou em grandes ajuntamentos. Não arrisquem durante a vaga de inverno."

As hospitalizações por covid-19 por todo o estado mantiveram-se relativamente baixas, 3909, quando comparadas com o pico de 18 825 hospitalizações relacionadas com a covid-19 em 13 de abril de 2020, segundo dados disponíveis.

"Isto não é como o início da pandemia", disse Hochul em declarações no sábado. "Estamos preparados para a vaga de inverno porque temos ferramentas à nossa disposição."

O Mayor de Nova Iorque, Bill de Blasio, fez eco dessa mensagem numa conferência de imprensa no domingo, apontando, em parte, para a disponibilidade de vacinas e reforços.

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”SNL” vai para o ar sem público e com sketches gravados anteriormente devido ao aumento de casos de covid-19

"Não estamos aqui para minimizar a dimensão do desafio, será muito desafiante," declarou o Mayor. "Mas é uma coisa que podemos enfrentar. É uma cosia que podemos ultrapassar. Temos as ferramentas, mas precisamos que todos participem."

Em Nova Iorque, os casos de covid-19 mais do que duplicaram desde o início da semana a 13 de dezembro a sábado. No domingo, De Blasio declarou uma média de sete dias de 5731 novos casos, um número que ele classificou como "um número mesmo muito chocante e que vai continuar a crescer, sem dúvida."

Em resposta, a câmara está também a trabalhar para aumentar o acesso a testes à covid-19, segundo o Mayor.

"Haverá novos locais de testagem, haverá mais kits de autotestes disponíveis através de organizações comunitárias", declarou. "Todos estes esforços vão ajudar a reduzir as filas que vemos nos locais de testagem e ajudar a tornar os testes mais disponíveis."

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A person gets tested for Covid-19 at a mobile testing site in Times Square on Friday, December 17, in New York.

Uma pessoa é testada à covid-19 num local de testagem móvel em Times Square na sexta-feira, 17 de dezembro, em Nova Iorque.

Num local de testagem em Brooklyn, o residente Rich Odior disse à CNN que esperou duas horas no domingo para conseguir um teste. Ele está vacinado, mas tem amigos que contraíram covid-19 e tinha receios, por isso queria tentar "jogar pelo seguro pela família."

Kymoi Phillip disse que também sentiu que fazer um teste era a opção segura porque "nunca se sabe quem pode estar infetado."

Sendo estudante, Phillip disse que tinha ficado preocupado ao saber que várias escolas tinham decidido encerrar. "Receio que a minha escola também seja encerrada e que voltemos ao confinamento", acrescentou os seus receios "podemos estar na mesma situação em que estávamos no ano passado."

Esta vaga já afetou a indústria do entretenimento da cidade, obrigado ao cancelamento de vários espetáculos da Broadway nos últimos dias, poucos meses depois de Broadway começar a receber público após um alargado hiato pandémico.

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O programa “Saturday Nigh Live” do fim de semana não tinha público em estúdio e pôs no ar sketches gravados antes devido ao aumento de casos de covid-19.

Seguiu-se o cancelamento dos espetáculos das Radio City Rockettes, “Christmas Spectacular” até ao fim do ano.

Os Hospitais já sentem o impacto e preparam-se para mais

Nova Iorque não é o único estado a debater-se com a nova vaga de casos ou com ansiedade quanto ao que há de vir.

Maryland prepara-se para o que o Governador Larry Hogan, Republicano, disse no domingo que poderia ser “a pior vaga que vimos nos nossos hospitais ao longo de toda esta crise", dizendo no programa "Fox News Sunday" que as hospitalizações já aumentaram cerca de 150% nas últimas duas semanas.

As autoridades de saúde da Califórnia disseram sexta-feira que os números de hospitalizações tendem a aumentar, sublinhando a necessidade da vacinação e dos reforços.

Em Nova Jérsia, "verificamos longas filas à porta da nossa clínica de testagem, mais procura de testes, como não se via há muitos meses, porque as pessoas estão a adoecer", declarou o Dr. Shereef Elnahal, presidente e CEO do University Hospital em Newark.

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“Estamos destroçados”, médicos do Minnesota apelaram num anúncio a que as pessoas se vacinem

As hospitalizações duplicaram ao longo das duas últimas semanas, disse ele, e apesar de 46% dos hospitalizados no início da semana estarem vacinados, ainda não tinham tomado a reforço da vacina.

O Dr. Rob Davidson, médico intensivista no Michigan, declarou que assiste "a uma vaga crítica da variante Delta neste momento." E apesar de ver que os testes positivos estão a diminuir ligeiramente, os doentes de covid-19 ficam hospitalizados mais tempo.

O Dr. Marc Gorelick, que chefia o Hospital Pediátrico do Children's Minnesota, declarou que o hospital já se debate com o número de casos.

"Quando se está no auge de uma vaga em que já se tem 90%, 95% da lotação esgotada, esses doentes a mais... e evitáveis que nos chegam, são o que sobrecarrega o sistema até ao limite", disse Gorelick na sexta-feira.

As autoridades no Oregon preveem um início de 2022 sombrio: o Dr. Peter Graven, cientista de dados da Universidade Oregon Health and Science, declarou que se deverá esperar uma vaga de hospitalizações no estado a meio de janeiro.

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Um ano após as primeiras vacinações, regressam as restrições devido ao coronavírus

"Combinada com a sua maior transmissibilidade, esperamos que a Ómicron provoque grande aumento no número de habitantes do Oregon que vão ficara gravemente doentes e que provavelmente vão precisar de um hospital."

Os cientistas ainda trabalham para reunir informação sobre o nível de gravidade da variante Ómicron.

Os dados de duas semanas de casos na África do Sul pareciam indicar que a Ómicron era mais leve em termos de gravidade. Mas os epidemiologistas do Reino Unido disseram na semana passada que não tinham encontrado provas de que a Ómicron esteja a resultar em casos mais leves no país, apesar de a equipa do Imperial College London também ter dito que ainda não havia muitos dados disponíveis.

O CCD observou 43 casos de Ómicron e a maioria dessas pessoas tinha sintomas ligeiros, declarou na semana passada. A maioria estava vacinada, e cerca de um terço do grupo tinha já o reforço.

"Vimos casos de Ómicron entre os que estão vacinados e os que já têm o reforço, e acreditamos que esses casos são mais leves ou assintomáticos devido à proteção da vacina. O que sabemos é que temos ferramentas para nos protegermos da covid-19. Temos vacinas. Temos reforços", declarou na sexta-feira a Dra. Rochelle Walensky, diretora do CCD.

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Polo Sandoval, Sarah Jorgensen, Beth English, Christina Maxouris, Artemis Moshtaghian e Laura Studley da CNN contribuíram para este artigo.

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