O encontro em Istambul que estragou o plano de fuga de Rendeiro: a história de um 24 de novembro decisivo

Agência Lusa
11 dez 2021, 14:45
João Rendeiro
João Rendeiro

Ex-banqueiro português João Rendeiro foi detido este sábado de manhã no norte da cidade portuária de Durban, sudeste da África do Sul, e é ouvido em tribunal esta segunda-feira. Em novembro houve um encontro decisivo para o desfecho deste sábado

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Segundo o porta-voz nacional da Polícia sul-africana, o processo de detenção de João Rendeiro na África do Sul foi finalizado num encontro com a Polícia Judiciária portuguesa realizado à margem da Assembleia Geral da Polícia internacional INTERPOL, a 24 de novembro, em Istambul, na Turquia. “Encontrámo-nos com o comissário (de Polícia) português em Istambul, durante a assembleia geral da Interpol, onde tivemos um encontro bilateral, e o comissário português destacou a importância de assistirmos na detenção de João Rendeiro”, explicou à Lusa Vishnu Naidoo.

“Através da Interpol, temos relações com a Polícia portuguesa e o encontro reforçou a urgência de se finalizar o processo para a detenção e extradição deste homem”, adiantou o porta-voz nacional da Polícia da África do Sul à Lusa. “Então esperámos que a documentação necessária fosse processada e rastreámos a movimentação desse indivíduo e, assim que a documentação chegou, efetuámos a detenção este sábado de manhã no norte de Durban”.

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O porta-voz policial sul-africano adianta que o ex-banqueiro, sobre quem pendia um mandado de detenção internacional, encontra-se detido numa esquadra da polícia em Durban e vai comparecer no Tribunal da Magistratura de Durban esta segunda-feira como parte do processo de extradição. “Está neste momento detido na esquadra e por razões de segurança não podemos identificar o nome da esquadra”, frisou.

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Vishnu Naidoo explicou à Lusa que o ex-banqueiro foi detido “por volta das 07:00”, salientando que os pormenores da operação policial vão ser conhecidos em tribunal durante o processo judicial de extradição. “Ele não será extraditado automaticamente, o tribunal deve decidir se é extraditável ou não”, sublinhou Vishnu Naidoo. “Somos países-membros da Interpol e, se não existisse esse relacionamento, então não poderíamos executar o aviso vermelho, mas o facto de termos executado o aviso vermelho significa que podemos iniciar o processo de extradição e agora vamos conduzi-lo nesse processo de extradição e o tribunal decidirá”, explicou.

João Rendeiro, que a 28 de setembro foi condenado a três anos e seis meses de prisão efetiva num processo por crimes de burla qualificada, estava no estrangeiro e em parte incerta, fugido à justiça. As autoridades portuguesas já tinham emitido dois mandados de detenção, europeu e internacional, para o antigo presidente do BPP, para que o ex-banqueiro cumpra a medida de coação de prisão preventiva.

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O colapso do BPP, banco vocacionado para a gestão de fortunas, aconteceu em 2010, já depois do caso BPN e antecedendo outros escândalos na banca portuguesa. O BPP originou vários processos judiciais, envolvendo crimes de burla qualificada, falsificação de documentos e falsidade informática, assim outro um processo relacionado com multas aplicadas pelas autoridades de supervisão bancárias.

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