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Após "insultos" de Milei, Espanha deixa de ter embaixadora na Argentina

21 mai, 12:25
Javier Milei durante convenção organizada pelo partido Vox (Manu Fernandez/AP)

Presidente argentino chamou "corrupta" e "suja" à mulher do primeiro-ministro espanhol

O ministro dos Negócios Estrangeiros de Espanha anunciou esta terça-feira que o país vai retirar de forma permanente a sua representação na Argentina, depois das polémicas declarações do presidente argentino, Javier Milei, durante a convenção que juntou várias figuras da direita conservadora em Madrid.

José Manuel Albares confirmou que "não haverá embaixadora de Espanha em Buenos Aires", num anúncio que ocorreu após um Conselho de Ministros, e que confirma um endurecer da política externa espanhola face à ex-colónia.

"A atividade da embaixada continuará ao nível do encarregado de negócios", reiterou.

Javier Milei, referiu-se no domingo, em Madrid, numa convenção do partido de extrema-direita Vox, ao "socialismo maldito e cancerígeno", antes de acrescentar: "Que cambada de gente aparafusada ao poder e que níveis de abuso pode gerar. Mesmo quando tem uma mulher corrupta, digamos suja, e tira cinco dias para pensar nisso".

O socialista Pedro Sánchez, primeiro-ministro de Espanha, disse no final de abril que ponderava demitir-se invocando ataques à família, sobretudo à mulher, baseados em campanhas de desinformação. Passados cinco dias de reflexão, decidiu manter-se no cargo.

O governo espanhol disse que Milei insultou o primeiro-ministro e Espanha, considerou inaceitável que o tenha feito durante uma visita ao país e anunciou agora a retirada da embaixadora espanhola em Buenos Aires.

O próprio Pedro Sánchez defendeu já esta terça-feira que o respeito entre governos de dois países "é irrenunciável", acusou Javier Milei de não ter estado à altura do cargo durante a visita a Madrid e pediu uma "retificação pública" ao presidente da Argentina.

José Manuel Albares convocou o embaixador da Argentina em Madrid, Roberto Bosch, para lhe transmitir formalmente a exigência de um pedido de desculpas públicas.

"Não nos parece que aquilo que aconteceu tenha alguma coisa a ver com as relações diplomáticas, é uma questão entre duas pessoas", disse por diversas vezes o porta-voz da presidência da Argentina, Manuel Ardoni, na conferência ocorrida em Buenos Aires.

Manuel Ardoni afirmou que Milei é que tem sido alvo de uma "catarata de insultos" por parte de ministros espanhóis e até de Sánchez, que já acusaram o presidente da Argentina de "consumir substâncias", negacionismo, "atentar contra a democracia", ter um "governo de ódio" e autoritarismo.

Apesar disto, a Argentina nunca questionou as relações diplomáticas com Espanha, vincou Manuel Ardoni, que considerou que seria "absolutamente irracional" uma "reação diplomática" por parte de Madrid.

O presidente da Argentina "jamais poria em risco qualquer relação diplomática com qualquer país", disse Manuel Ardoni, que acrescentou que no discurso de domingo, Milei - e ao contrário do que fazem os ministros espanhóis - nem sequer referiu o nome de Sánchez ou da mulher.

O porta-voz apelou "à reflexão" e disse que é Madrid quem deve um pedido de "desculpas públicas" a Milei.

"Chama poderosamente a atenção que se ponham em tensão as relações entre dois países historicamente irmanados por causa de uma decisão pouco meditada", afirmou, numa referência à retirada da embaixadora espanhola de Buenos Aires, acrescentando que a Argentina confia "na recondução" das relações após as eleições europeias de junho, aquilo que, no entender do Buenos Aires, está a motivar a reação de Madrid.

Quanto ao próprio Javier Milei, só se referiu a esta polémica, até agora, numa breve publicação na rede social X, hoje de manhã, quando regressou à Argentina, em que escreveu: "Olá a todos! O leão regressou, a surfar uma onda de lágrimas socialistas... Viva a liberdade, c***!"

Em Espanha, O Partido Popular (PP, direita, na oposição) considerou o discurso de Milei "chocante" e "uma intromissão na política nacional", mas defendeu que o Governo e Sánchez estão a "exagerar muitíssimo".

Para o PP, tanto Sánchez como Milei entraram numa "escalada verbal que não conduz a lado nenhum".

Também a maior patronal espanhola, CEOE, condenou as declarações de Milei e o mesmo fizeram empresas como BBVA, Santander, Telefonica ou Iberia.

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