Morreu Sidney Poitier, o primeiro ator negro a ganhar um Óscar

António Guimarães , (atualizada com Lusa às 17:20)
7 jan, 15:22

Ao longo da sua carreira, habituou-se a ser o primeiro em várias coisas. Mais tarde, acabou por admitir que gostava dessa responsabilidade

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Morreu esta sexta-feira o ator Sidney Poitier aos 94 anos. Foi o primeiro ator negro a receber um Óscar, pela participação no filme "Os Lírios do Campo", de 1963, onde faz o papel de um trabalhador que ajuda freiras brancas a construir uma capela. A notícia foi confirmada por uma fonte oficial do governo das Bahamas, onde o artista cresceu, em Cat Island, depois de ter nascido em Miami a 20 de fevereiro de 1927.

"Perdemos um ícone, um herói, um mentor, um combatente e um tesouro nacional", escreveu o vice-primeiro-ministro das Bahamas na sua página da rede social Facebook, sem mencionar mais detalhes sobre a morte.

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Saído das Caraíbas para os Estados Unidos, acabou por adotar a nacionalidade norte-americana, tornando-se num dos ícones das décadas de 50 e 60 em Hollywood.

Ao longo da sua carreira, Sidney Poitier habituou-se a ser o primeiro. Além de ter quebrado barreiras ao vencer um Óscar, ainda antes disso, em 1957, tornou-se também no primeiro negro a ganhar um prémio no Festival de Cinema de Veneza, pela participação no filme "Sangue Sobre a Terra". Foi ainda o primeiro negro nomeado para a categoria de melhor ator nos Óscares, em 1958, depois de entrar em "Acorrentados".

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Sidney Poitier marcou a geração afro-americana do seu tempo, aparecendo como um herói cinematográfico em plena época de segregação racial, em paralelo com a luta política de figuras como Martin Luther King e Rosa Parks.

"Tinha um sentido de responsabilidade, não só para comigo e para com o meu tempo, mas, certamente, para as pessoas que representava", reconheceria em 2008, quando assumiu que se sentiu carregado de responsabilidade mediática, algo de que gostava, segundo o próprio.

Numa carreira recheada de prémios, recebeu em 2002 um Óscar honorário, pelo conjunto da obra, ao qual se juntam dois Globos de Ouro, um Grammy e um BAFTA.

Foi ainda protagonista dos filmes "Adivinha Quem Vem Jantar" ou "No Calor da Noite".

Para trás ficara outro desempenho de relevo, como coprotagonista de "Porgy & Bess", que Otto Preminger adaptara ao cinema, em 1959.

As interpretações permitiram-lhe ascender a estrela de Hollywood, começando a receber convites para papéis sobre questões polémicas, como em "Adivinha Quem Vem Jantar", novamente de Stanley Kramer, o primeiro filme a explorar abertamente a questão do amor inter-racial, em 1967, contracenando de igual para igual com atores como Katharine Hepburn e Spencer Tracy.

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Em "No Calor da Noite", o filme de Norman Jewison do mesmo ano, vencedor de cinco Óscares em 1968, coliderou um elenco com Rod Steiger e Warren Oates, no papel de um detetive nova-iorquino chamado a investigar um homicídio numa pequena cidade do sul dos Estados Unidos, em pleno clima de luta anti-segregacionista.

A partir de 1971 lançou-se na realização, com "Direito por Linhas Tortas", a que se seguiram títulos como "Um Dezembro Quente", "Amigos em Apuros", "Casal Trapalhão" e "O Papá Fantasma".

Produtor, argumentista de "Um Homem para Ivy" (1968), Sidney Poitier continuou no grande ecrá, até ao final da década de 1990, em filmes como "Os Caminhos da Liberdade", de Ralph Nelson, "Atirar a Matar", de Roger Spottiswoode, "O Pequeno Nikita", de Richard Benjamin, "Heróis por Acaso", de Phil Alden Robinson, e "O Chacal", de Michael Caton-Jones.

Foi também presença regular em produções televisivas como "Um Heroi do Nosso Tempo" e "David e Lisa".

Um dos seus últimos desempenhos foi o de Nelson Mandela em "À Margem da Lei", que Joseph Sargent dirigiu para a televisão, em 1997.

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