Morreu Ronnie Spector, a vocalista das The Ronettes, que "só queria cantar"

13 jan, 12:33
The Ronettes, com Ronnie Spector ao centro (Facebook)
The Ronettes, com Ronnie Spector ao centro (Facebook)

Descreveu a forma sensual como a banda se apresentava como o grande "truque". Numa vida atribulada, com uma relação amorosa bastante violenta, admitiu mais tarde que era "uma rapariga do gueto que queria cantar"

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Morreu Ronnie Spector, a principal vocalista da banda Ronettes, que fez sucesso na década de 1960, num trio de vozes que ficou conhecido por músicas como "Be My Baby" ou "Baby, I Love You". A cantora norte-americana morreu esta quarta-feira aos 78 anos, depois de uma "breve batalha contra o cancro", revelou um comunicado da família.

Juntamente com a irmã Estelle (que morreu em 2009) e com a prima Nedra, Ronnie, cujo verdadeiro nome era Veronica Bennett, popularizou a banda com um visual sedutor, transformando o que vinha sendo feito na área desde os anos 40.

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“Não tínhamos medo de ser sensuais. Esse era o nosso truque”, escreveu Ronnie Spector num livro de memórias publicado em 1990, e que se intitulava, em tradução livre “Como Sobrevivi a Máscaras, Minissaias e à Loucura, ou, a Minha Vida como uma Fabulosa Ronette”.

Ao mesmo tempo, bandas como as Shirelles desfilavam pelos palcos com “grandes vestidos de festa”. Em sentido contrário, pode ler-se nas memórias da cantora, as Ronettes iam “na direção oposta e apertavam os seus corpos em saias apertadas” para depois irem para o palco “mostrar as pernas”.

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Mas nem só da sensualidade se fez a banda. Em “Be My Baby”, que chegou ao número dois nos Estados Unidos em 1963, as três mulheres utilizam vozes poderosas. A canção eternizou-se, e acabou por ser utilizada em filmes como “Os Cavaleiros do Asfalto”, de Martin Scorsese, em 1973, ou na série “Moonlighting”, de 1987.

Escreve o New York Times que o look utilizado pelas Ronettes à altura perdurou no tempo, influenciando a moda de artistas como Chrissie Hynde, dos Pretenders, ou Amy Winehouse.

As Ronettes chegaram ao Hall of Fame do Rock & Roll em 2007, e o discurso ficou a cargo do mítico Keith Richards, dos Rolling Stones, que lembrou os tempos áureos do grupo, nomeadamente na década de 1960, quando os dois conjuntos partilharam algumas tours: “Elas podiam cantar até através de uma parede de som, não precisavam de nada”, recordou.

Na vida privada, Ronnie Spector acabou por ter uma vida conturbada, detalhando mais tarde os abusos que terá sofrido às mãos de Phil Spector, que também era produtor da banda.

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Foi só em 1968, um ano depois de as Ronettes se separarem, que o casal se juntou oficialmente. No livro de memórias, Ronnie Spector acabaria por relatar casos de violência doméstica. O marido prendia-a em casa, tirando-lhe todos os sapatos e colocando-a com cães de guarda.

Mais tarde, em entrevista concedida à Time em 2000, a artista fez uma revelação: “Eu apanhava bebedeiras para poder ir para a reabilitação, só para poder sair daquela casa”.

Phil Spector acabou por morrer em janeiro de 2021 por complicações de covid-19. Estava a cumprir pena de prisão pelo homicídio de uma mulher na sua mansão, em 2003.

Sem nunca conseguir atingir o sucesso de outrora, Ronnie Spector lançou-se numa carreira a solo, durante a qual teve várias colaborações, como com Jimi Hendrix, George Harrison, Billy Joel ou Bruce Springsteen.

“Todas as canções são um pedaço da minha vida. Eu sou apenas uma rapariga do gueto que queria cantar”, disse em 2007.

Só em 1986, com a música “Take Me Home Tonight”, em dueto com Eddie Money, é que a cantora voltaria a encontrar-se com o sucesso, chegando ao número quatro da Billboard, conseguindo ainda a nomeação para um Grammy.

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