Morreu Artur Albarran, antigo jornalista e apresentador de televisão

15 fev, 19:30

"A tragédia, o drama, o horror” foi a frase que celebrizou nos seus anos áureos de televisão, na década de 1990. A última vez que surgiu no pequeno ecrã foi em 2001, à frente de "Acorrentados". Uma vida feita de reportagens marcantes e casos na Justiça

Morreu o ex-jornalista e apresentador de televisão Artur Albarran, confirmou a CNN Portugal. Com 69 anos de idade, lutava há vários anos contra o cancro.

O homem dos três canais

O percurso no jornalismo, depois de experiências de juventude em Moçambique, onde nasceu, dá-se com a chegada a Portugal, aos 18 anos. Artur Albarran integra o Rádio Clube Português, acompanhado por nomes que hoje são referências no país, como Joaquim Furtado ou Júlio Isidro.

Mas é a década de 1980, após um período no estrangeiro em que colabora com a BBC, que consolida o percurso de Artur Albarran no jornalismo, ao integrar a RTP, na equipa fundadora do programa “Grande Reportagem”, onde investiga o desastre de Camarate que vitimou Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa. No início da década de 1990, destaca-se como enviado à Guerra do Golfo e ao conflito na Somália pela televisão pública.

Em 1993, torna-se diretor de O Século Ilustrado. Mas, com as dificuldades na imprensa escrita, viria a ser a criação das televisões privadas a dar-lhe grande destaque junto do público. Nesse mesmo ano, muda-se para a TVI, pouco depois da fundação do canal, como apresentador de informação. Tem, inclusive, um programa com o seu próprio nome.

A Media Capital, dona da TVI, já veio manifestar o seu “profundo pesar”, lembrando que apresentou o “principal jornal da estação, ao lado de Bárbara Guimarães e Sofia Carvalho”. “A TVI recorda-o como um profissional ousado, que construiu uma relação de grande proximidade com o público. Os seus programas, bem como as reportagens que fez como enviado especial à Guerra do Golfo, ficam para a história da televisão portuguesa”, reagiu a empresa também dona da CNN Portugal.

Mas seria um convite da SIC, em 1996, a fazê-lo abandonar o jornalismo e a passar para o lado do entretenimento, com programas célebres na época como “A Cadeira do Poder”, “Acorrentados” ou “Imagens Reais”. Neste último, acaba por celebrizar a frase que todos lhe associam: “a tragédia, o drama, o horror”.

Da carreira mediática há outro momento ainda a destacar: o sorriso no anúncio à Pepsodent, em 1986, com um “cachet” recorde segundo a imprensa da altura: 20 mil contos.

Relação conturbada com a Justiça

A relação de Artur Albarran com a justiça sempre foi bastante conturbada. Após a revolução de 1974, filia-se no Partido Revolucionário do Proletariado. A ligação haveria de ditar a fuga para França, após acusações no processo das Brigadas Revolucionárias. A fuga leva-o depois ao Reino Unido, onde colabora com a BBC, antes do regresso a Portugal em 1980.

Já no final da década de 1990, aceita o desafio de um conjunto de empresários e políticos norte-americanos – liderado pelo antigo embaixador em Portugal e ex-diretor da CIA, Frank Carlucci, com quem terá travado amizade com a cobertura feita sobre o assalto à embaixada de Espanha em 1975 – para liderar os seus negócios no país.

Torna-se presidente da ‘holding’ imobiliária EuroAmer. É precisamente o colapso desta empresa a ditar uma investigação do Ministério Público, com Artur Albarran apontado em 2005 como suspeito de branqueamento de capitais e falsificação de documentos - suspeitas que justificaram a sua detenção. Mas não há acusação e o caso acaba arquivado.

O empresário chega ainda a ser acusado, neste âmbito, de ter burlado o Fisco em 16 milhões de euros, acabando também absolvido.

Dois casamentos e a longa luta contra o cancro

Nos últimos anos, também na sequência das polémicas com a justiça, Artur Albarran viveu entre Angola e a África do Sul.

É um homem de várias relações amorosas e polémicas. A alemã Lisa Hardy, de quem teve duas filhas, chega a acusar Artur Albarran de violência doméstica, protagonizando com ele uma forte disputa pela guarda das menores. Já o casamento com a chef Sandra Nobre, com quem teve outra rapariga, mantém-se até à morte, apesar de sucessivas notícias dando conta de crises.

O diagnóstico de cancro entra na vida do antigo jornalista em 2011, avançando para o tratamento para um mieloma múltiplo, uma espécie rara de cancro. Mas, oito anos depois, Albarran anuncia pelas redes sociais que está novamente a lidar com a doença, submetendo-se ao segundo transplante de medula óssea. Em novembro passado, acaba levado de urgência para o Hospital de São Francisco Xavier.

Meses antes, tinha estado internado nos cuidados intensivos do hospital Amadora-Sintra devido à infeção por covid-19, penalizada pela sua condição oncológica. Também uma meningite o leva ao hospital na mesma altura.

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