"Mantenho total confiança no vosso trabalho": ministra da Saúde não aceita demissão da administração do S. João

20 dez 2021, 19:23
Ministra da Saúde, Marta Temido (ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA)
Ministra da Saúde, Marta Temido (ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA)

Incêndio no hospital, que se suspeita ter sido causado por um paciente que acendeu um isqueiro, fez um morto e quatro feridos graves. Administração do hospital apresentou esta segunda-feira a demissão mas Marta Temido diz que não a pode aceitar

A ministra reagiu num comunicado de três parágrafos ao pedido de demissão da administração do São João: faz um elogio ético, mostra-se solidária e no fim diz que não, não pode mesmo aceitar a demissão.

"A ministra da Saúde reconhece o elevado sentido ético no exercício de funções públicas dos elementos do conselho de administração do Centro Hospitalar e Universitário de S. João, EPE, ao colocarem os seus mandatos à disposição do Ministério da Saúde perante o incêndio que ontem ocorreu no hospital e que fez uma vítima mortal e quatro feridos graves", começa por dizer o comunicado.

Marta Temido refere depois que se "solidariza e acompanha a consternação de toda a equipa dirigente perante os factos ocorridos", sublinha que "lamenta profundamente a morte registada, o sofrimento dos familiares envolvidos" e agradece "aos profissionais de saúde e bombeiros que, pondo a sua vida em risco, responderam e combateram o incêndio".

Por fim, e no terceiro e decisivo parágrafo em que diz "não" ao pedido da administração, a ministra da Saúde afirma que "mantém total confiança no trabalho desenvolvido pelo conselho de administração do Centro Hospitalar e Universitário de S. João e na sua capacidade de congregar esforços para prestar os melhores cuidados de saúde às populações, pelo que não pode aceitar o pedido de demissão".

"Sentido ético"

Horas antes desta reação de Marta Temido, a administração do São João tinha nomeado questões éticas para fundamentar o seu pedido de demissão: "Apesar das causas do incêndio estarem a ser apuradas, nomeadamente através de um processo de averiguações interno, um processo de inquérito da IGAS e de um inquérito da Policia Judiciária, com quem estamos ativamente a cooperar, e a avaliação inicial excluir falha infraestrutural da instituição, existe um sentido ético no exercício das responsabilidades públicas que não deve ser esquecido, facto pelo qual o Conselho de Administração do CHUSJ apresentou à Sra. Ministra da Saúde o pedido de demissão. O Conselho de Administração do CHUS) permanecera funções até à decisão da Sra. Ministra da Saúde". A decisão chegou: a demissão não é aceite.

COMUNICADO NA ÍNTEGRA DO MINISTÉRIO DA SAÚDE

"Pedido de demissão do Conselho de Administração do Centro Hospitalar e Universitário de São João

A Ministra da Saúde reconhece o elevado sentido ético no exercício de funções públicas dos elementos do Conselho de Administração do Centro Hospitalar e Universitário de S. João, EPE, ao colocarem os seus mandatos à disposição do Ministério da Saúde perante o incêndio que ontem ocorreu no hospital e que fez uma vítima mortal e quatro feridos graves.

A Ministra da Saúde solidariza-se e acompanha a consternação de toda a equipa dirigente perante os factos ocorridos, lamenta profundamente a morte registada, o sofrimento dos familiares envolvidos, agradecendo aos profissionais de saúde e bombeiros que, pondo a sua vida em risco, responderam e combateram o incêndio.

A Ministra da Saúde mantém total confiança no trabalho desenvolvido pelo Conselho de Administração do Centro Hospitalar e Universitário de S. João e na sua capacidade de congregar esforços para prestar os melhores cuidados de saúde às populações, pelo que não pode aceitar o pedido de demissão."

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