Mali nega o destacamento de mercenários russos

Agência Lusa , AM
25 dez 2021, 08:18
Soldados fazem motim no Mali
Soldados fazem motim no Mali

País da África Ocidental tem sido palco de operações por grupos jihadistas ligados à Al-Qaeda e ao Estado islâmico desde 2012, bem como de violência por "milícias de autodefesa"

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O Governo do Mali negou qualquer destacamento de mercenários do grupo russo Wagner, denunciado por cerca de 15 potências ocidentais, incluído Portugal, envolvidas na luta anti-jihadista no país.

O Governo do Mali "nega formalmente estas alegações" sobre "um alegado destacamento de elementos de uma empresa de segurança privada no Mali", indicou, num comunicado emitido na sexta-feira à noite.

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O Mali “exige que sejam fornecidas provas por fontes independentes" e "deseja deixar claro que, tal como a Missão Europeia de Formação (EUTM), os formadores russos estão presentes no Mali como parte do reforço das capacidades operacionais das forças nacionais de defesa e segurança".

Bamako pede para "ser julgado por atos e não por rumores e deseja recordar que o Estado do Mali só está envolvido numa parceria de Estado para Estado com a Federação Russa, o seu parceiro histórico", indicou numa declaração assinada pelo porta-voz do governo, o Coronel Abdoulaye Maiga, que é também ministro da Administração do Território.

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A declaração de Abdoulaye Maiga, indica que cerca de 15 potências ocidentais tinham anunciado numa declaração na quinta-feira o destacamento para o Mali, com a ajuda de Moscovo, da empresa paramilitar russa Wagner.

"Nós (...) condenamos veementemente o destacamento de mercenários em território maliano", disseram os 15 países, incluindo França, Alemanha, Reino Unido e Canadá, numa declaração conjunta, denunciando "o envolvimento do governo da Federação Russa no fornecimento de apoio material para o destacamento do grupo Wagner para o Mali".

Uma fonte do governo francês afirmou: "Há repetidas rotações aéreas com aviões de transporte militar pertencentes ao exército russo, instalações no aeroporto de Bamako que permitem receber um número significativo de mercenários, visitas frequentes de executivos de Wagner a Bamako e as atividades de geólogos russos conhecidos por serem próximos de Wagner”

"Instamos a Rússia a comportar-se de forma responsável e construtiva na região", insistiu o comunicado, que também foi assinado pela Bélgica, Dinamarca, Estónia, Itália, Lituânia, Holanda, Noruega, Portugal, República Checa, Roménia e Suécia.

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Estes países estão empenhados ao lado de França no novo grupo de forças especiais europeias, concebido para acompanhar os soldados malianos em combate.

O destacamento de mercenários russos tem sido, até agora, uma linha vermelha para Paris. No entanto, os 15 países que assinaram o comunicado reafirmaram a sua "determinação em continuar a ação para proteger os civis, apoiar a luta contra o terrorismo no Sahel e ajudar a estabelecer a estabilidade a longo prazo".

O Mali tem sido palco de operações por grupos jihadistas ligados à Al-Qaeda e ao Estado islâmico desde 2012, bem como de violência por "milícias de autodefesa".

A violência começou no norte em 2012 e alastrou ao centro, depois ao vizinho Burkina Faso e a Níger. Milhares de civis e soldados foram mortos e centenas de milhares deslocados, apesar do destacamento de forças da ONU, francesas e africanas.

A tomada do poder pelos militares em Bamako num golpe de Estado em 2020 não travou a espiral de violência.

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