Líderes das duas Coreias trocam amenidades por carta

22 abr, 04:55
Kim Jong Un e Moon Jae-in em 2018

O presidente cessante da Coreia do Sul enviou uma carta ao seu homólogo do Norte, e ambos se mostram de acordo sobre a necessidade de "esforços incansáveis" para aproximar os dois países. A 10 de maio o atual presidente sul-coreano será substituido por um novo chefe de Estado bastante mais belicista

 

Os líderes da Coreia do Norte e da Coreia do Sul trocaram cartas pessoais em tom amistoso, apesar do agravamento das tensões entre os dois países, motivado pela escalada de ensaios de mísseis por parte do regime norte-coreano. A interação epistolar entre Kim Jong Un e Moon Jae-In foi divulgada esta sexta-feira pelos meios de comunicação oficiais de Pyongyang.

A troca de missivas acontece quando Moon, o atual presidente sul-coreano, se prepara para concluir o seu mandato. Será substituído no dia 10 de maio por Yoon Suk Yeol, que foi eleito prometendo uma atitude mais firme e confrontacional em relação ao Norte.

Nas cartas que trocaram, Kim e Moon partilham a opinião de que as relações inter-coreanas "iriam melhorar e desenvolver-se" se o Norte e o Sul "fizessem esforços incansáveis com esperança", de acordo com o relato da Agência Central de Notícias Coreana.

Segundo a mesma agência, o líder norte-coreano recebeu uma carta pessoal de Moon na quarta-feira e respondeu-lhe no dia seguinte, acrescentando que a troca de cartas entre os dois chefes de Estado é "uma expressão da sua profunda confiança".

"Kim Jong Un apreciou as dores e o esforço de Moon Jae In pela grande causa da nação até aos últimos dias do seu mandato", escreveu a agência noticiosa. Moon tentou ao longo do seu mandato uma reaproximação a Pyongyang, e também a Pequim, na esperança de que a influência chinesa pudesse facilitar uma reaproximação entre as duas Coreias.

O presidente cessante apostou que seria capaz de firmar um acordo de paz que pusesse um fim oficial à guerra que marcou a Península Coreana nos anos 50 do século passado. No entanto, esse acordo nunca se concretizou.

 

Mandato termina com pico de tensão

 

Moon não só será substituído por um novo presidente que rejeitou a sua abordagem, como termina o mandato com um crescendo de tensão entre as duas Coreias. O norte já fez este ano pelo menos onze ensaios de mísseis balísticos intercontinentais, incluindo um de uma nova geração que terá mais alcance e capacidade do que qualquer arma antes testada por Pyongyang. 

No passado sábado, Kim terá assistido ao lançamento de uma "arma tática guiada de novo tipo". Alguns analistas dizem que esta arma pode transportar uma ogiva nuclear tática, que poderia ser utilizada num ataque limitado. 

Há poucos dias, a Coreia do Sul e os Estados Unidos conduziram exercícios militares conjuntos  que o Norte encarou como um "ensaio" para a guerra.

A troca de cartas nos dias finais do mandato de Moon, será uma forma de Kim exortar o futuro líder da Coreia do Sul a respeitar a aproximação ensaiada pelo ainda presidente, de acordo com analistas ouvidos pela Kyodo News.

Kim e Moon reuniram-se três vezes durante um período de aproximação na Península dividida da Coreia, com início em 2018. Na declaração conjunta que assinaram em Pyongyang, em Setembro desse ano, os dois líderes concordaram em tomar medidas para arrefecer as tensões militares e melhorar os laços bilaterais.

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