Lagostas e caranguejos sentem dor e não devem ser cozidos vivos, diz estudo britânico

CNN , Katie Hunt
9 jan, 20:00
Uma lagosta é vista no seu abrigo durante um mergulho no porto de Kioni, em Ítaca, Grécia, no dia 14 de agosto de 2019.
Uma lagosta é vista no seu abrigo durante um mergulho no porto de Kioni, em Ítaca, Grécia, no dia 14 de agosto de 2019.

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Polvos, crustáceos e lagostas são capazes de sentir dor e sofrimento, de acordo com um estudo encomendado pelo executivo britânico, que acrescentou estes animais a uma lista de seres sencientes protegidos ao abrigo de um novo projeto de lei dedicado ao bem-estar animal.

Elaborado por especialistas da Escola de Economia e Ciência Política de Londres, o relatório analisou 300 estudos científicos para avaliar as evidências de senciência e concluiu que os animais cefalópodes (moluscos como polvos, lulas e chocos) e decápodes (crustáceos como caranguejos, lagostas e lagostins) devem ser considerados seres sencientes.

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Os animais vertebrados, ou animais com coluna vertebral, já são reconhecidos como seres sencientes na nova legislação dedicada ao bem-estar animal que está a ser debatida no Reino Unido.

 

Um polvo comum (Octopus vulgaris) a mover-se no leito marinho, em Marselha, França, no dia 2 de agosto de 2017.

 

"O Projeto de Lei do Bem-Estar Animal fornece uma garantia crucial de que o bem-estar animal é devidamente tido em conta no desenvolvimento de novas leis. O atual conhecimento científico deixou claro que os decápodes e cefalópodes podem sentir dor e, portanto, é justo que estes sejam abrangidos por esta peça vital de legislação”, afirmou o ministro do Bem-Estar Animal, Lord Zac Goldsmith, num comunicado.

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O diploma legal, que ainda aguarda aprovação, prevê a criação de um Comité de Senciência Animal, que irá emitir relatórios sobre como as tomadas de decisão do Governo levam em devida consideração o bem-estar dos animais sencientes. A sua criação está prevista no Plano de Ação para o Bem-Estar Animal.

relatório indica que lagostas e crustáceos não devem ser cozinhados vivos e inclui uma lista de boas-práticas para o transporte, atordoamento e abate de decápodes e cefalópodes.

Mais informação sobre cefalópodes e decápodes

O relatório utilizou oito critérios diferentes para medir a sensibilidade dos animais, incluindo a capacidade de aprendizagem, a presença de recetores de dor, as ligações entre os recetores de dor e certas regiões do cérebro, a reação a anestésicos ou analgésicos, e ainda comportamentos como o equilíbrio entre ameaça e oportunidade de recompensa e a proteção contra lesões ou ameaças.

Os cientistas encontraram provas “muito fortes” de senciência nos octópodes e provas “fortes” na maioria das espécies de caranguejos. Já no que diz respeito aos outros animais destes dois grupos, como as lulas, os chocos e as lagostas, foram encontradas provas “substanciais”.

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No entanto, o relatório refere que esta diferenciação entre as provas encontradas é um reflexo das disparidades na quantidade de atenção que os diferentes animais receberam por parte dos cientistas.

"A atenção científica tem vindo a centrar-se mais em certos animais do que noutros por razões de conveniência prática (por exemplo, que animais podem ser mantidos em laboratório) e de localização geográfica (por exemplo, que espécies existem perto do laboratório). Devido a esta situação, achamos que seria contraindicado limitar a proteção a ordens específicas de cefalópodes, ou a subordens específicas de decápodes”, pode ler-se no relatório.

O documentário da Netflix "A Sabedoria do Polvo", lançado recentemente, demonstrou as capacidades únicas dos polvos. A estrutura do cérebro dos polvos é muito diferente da dos humanos, mas possuiu funções em comum com o cérebro dos mamíferos, tal como a capacidade de aprendizagem, a capacidade de resolução de problemas e possivelmente a capacidade de sonhar.

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