João Rendeiro detido num hotel de cinco estrelas em Durban

Henrique Machado , com Lusa
11 dez 2021, 11:32

Ex-banqueiro ficou "surpreso" com a detenção, que ocorreu às 07:00 da manhã

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João Rendeiro foi detido num hotel de luxo em Durban, na África do Sul, sabe a CNN Portugal.

O ex-banqueiro, sobre quem pendia um mandado de detenção internacional, foi detido esta manhã, às 07:00 da manhã.

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João Rendeiro estava no Forest Manor Boutique Guest House.

João Rendeiro vai ser ouvido em tribunal na segunda-feira, disse à Lusa fonte da polícia sul-africana. O ex-banqueiro encontra-se detido numa esquadra da polícia e comparecerá no Tribunal da Magistratura de Durban.

“Ele já estava sob nossa vigilância e assim que a necessária documentação chegou prendemos este indivíduo, esta manhã, em Umhlanga Rocks, norte de Durban”, disse o porta-voz do comissário nacional da polícia sul-africana, Vishnu Naidoo.

Em conferência de imprensa, o diretor nacional da Polícia Judiciária disse que o ex-banqueiro estava naquele país desde o dia 18 de setembro, revelando que Rendeiro ficou "surpreso" com a detenção “porque não estava à espera”.

“João Rendeiro dizer que não está fugido é patético, no mínimo, porque são conhecidos vários locais, várias cidades onde andou para se esconder e para dificultar o cumprimento desta detenção”, sublinhou.

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O objetivo agora é “decretar o cumprimento da prisão” do ex-banqueiro, disse Luís Neves, adiantando que aquele será presente a tribunal nas próximas 48 horas.

Questionado sobre quando deverá entrar em Portugal, o diretor nacional da PJ afirmou que “esse é um assunto que agora compete às autoridades judiciais da República da África do Sul”.

A Polícia Judiciária estabeleceu contactos com os colegas, em sede de Cooperação Policial Internacional, da África do Sul, com que foi trabalhando e, além da emissão do mandado de detenção, foi emitido um documento pela Procuradoria-Geral da República de sustentação para juridicamente poder validar mais tarde a extradição, quando fosse detido.

Na semana de 20 a 24 de novembro, a PJ reuniu-se com os seus parceiros e com os mais altos dirigentes policiais da República da África do Sul, onde explicou “o quão importante e o quão grave tinham sido os crimes cometidos” por João Rendeiro.

“Tivemos a pronta resposta do mais alto dirigente desta Polícia Central que nos disse que iria empenhar todos os melhores meios para poder detetar e deter esta pessoa, o que aconteceu hoje às 07:00 da manhã na República da África do Sul”, salientou Luis Neves.

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Agora, avançou, decorrerá o mecanismo legal de apresentação do detido às autoridades judiciárias.

“Nós iremos enfatizar o facto de esta pessoa ter uma grande capacidade económica e essa capacidade económica lhe dar grande mobilidade e de fuga” como o próprio já admitiu publicamente, referiu, lembrando que João Rendeiro não tem intenção de se apresentar “às autoridades portuguesas ou aos tribunais portugueses”.

João Rendeiro, que em 28 de setembro foi condenado a três anos e seis meses de prisão efetiva num processo por crimes de burla qualificada (a terceira condenação, que se juntava a duas penas de dez e cinco anos), estava no estrangeiro e em parte incerta, fugido à justiça.

As autoridades portuguesas já tinham emitido dois mandados de detenção, europeu e internacional, para o antigo presidente do BPP, para que o ex-banqueiro cumpra a medida de coação de prisão preventiva.

O colapso do BPP, banco vocacionado para a gestão de fortunas, aconteceu em 2010, já depois do caso BPN e antecedendo outros escândalos na banca portuguesa.

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O BPP originou vários processos judiciais, envolvendo crimes de burla qualificada, falsificação de documentos e falsidade informática, assim outro um processo relacionado com multas aplicadas pelas autoridades de supervisão bancárias.

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