Governo norte-americano anuncia "conquista histórica" na fusão nuclear - um ganho significativo de energia

CNN | CNN Portugal , Ella Nilsen
13 dez 2022, 15:09
Projeto de investigação de fusão nuclear em França (Daniel Cole/AP)

Departamento de Energia dos EUA revela, em conferência de imprensa, que pela primeira vez os cientistas conseguiram reproduzir condições "encontradas apenas nas estrelas e no sol", obtendo um ganho de mais de 50% de energia

O Departamento de Energia dos Estados Unidos anunciou, esta terça-feira, uma "conquista histórica" na fusão nuclear: pela primeira vez, cientistas norte-americanos produziram mais energia a partir da fusão do que a energia do laser usada para alimentar a experiência.

O chamado “ganho de energia líquida” é um marco importante numa tentativa de décadas de obter energia limpa e ilimitada a partir da fusão nuclear – a reação que ocorre quando dois ou mais átomos se fundem.

"Os cientistas reproduziram condições encontradas apenas nas estrelas e no sol", afirmou a secretária de Energia dos EUA, Jennifer Granholm, em conferência de imprensa.

"A ignição permite-nos replicar, pela primeira vez, certas condições que só são encontradas nas estrelas e no sol. Este marco é um passo significativo na possibilidade de produzirmos energia abundante em carbono zero para a nossa sociedade", disse.

"E estamos apenas a começar. Se pudermos avançar na energia de fusão, poderemos usá-la para produzir energia limpa, combustíveis para transportes, eletricidade, indústria e muito mais”, sublinhou.

A experiência em questão colocou 2,05 megajoules de energia no alvo e resultou em 3,15 megajoules de saída de energia de fusão - gerando mais de 50% de energia do que a que foi colocada. É a primeira vez que uma experiência resulta num ganho significativo de energia.

A descoberta foi feita por uma equipa de cientistas do National Ignition Facility do Lawrence Livermore National Laboratory, na Califórnia, no passado dia 5 de dezembro - um espaço do tamanho de um estádio e equipado com 192 lasers.

Jennifer Granholm considera este avanço uma “conquista histórica”, que pode ser determinante para os Estados Unidos e "para a Humanidade".

Relacionados

Ciência

Mais Ciência

Patrocinados