Fotogaleria. Quase 300 pessoas a viver em barracas e no meio de ratos em Peniche

Agência Lusa
23 fev, 13:10
Na sua Estratégia Local de Habitação, a autarquia traçou como prioridade para os próximos seis anos erradicar as barracas. Foto: José Sena Goulão/Lusa

O concelho tem três acampamentos onde vivem membros da comunidade cigana sem condições habitacionais. A Câmara de Peniche criou o projeto "Kher Nevo", que na língua romani significa "casa nova" para erradicar as barracas

A viver há mais de 30 anos num dos três acampamentos existentes no concelho, Sónia Cesteiro, 44 anos, aceita dar a cara pela “miséria” em que a família habita, com ratos e “sem condições” em casa.

“Se tivesse melhores condições, mudaria do acampamento”, refere à agência Lusa, questionando logo de seguida: “Quanto não vale ter uma casa?!”

Ruben Marques, 33 anos, e a família já saíram do acampamento há sete meses, depois de conseguirem, com muita dificuldade, arrendar uma casa na cidade, para terem “mais higiene” e melhores condições habitacionais.

“Saí porque queria viver em melhores condições e outros não saem, porque não conseguem alugar casa”, explica à Lusa o outrora vendedor ambulante e atual funcionário municipal, acrescentando que “a sociedade não aceita muito bem os ciganos”, daí a dificuldade que a comunidade tem em recorrer ao mercado de arrendamento.

Tendo como prioridade erradicar as barracas que servem de habitação no concelho, o município foi ao encontro da minoria através do projeto “Kher Nevo”, que na língua romani significa “casa nova”, estando para isso a trabalhar em várias vertentes.

A autarquia criou uma equipa de mediadores interculturais para facilitar a comunicação com a comunidade e envolvê-la nas decisões. José Silva, 29 anos, de etnia cigana e funcionário municipal, passou a desempenhar essas funções desde setembro.

Estamos a falar de um número significativo de pessoas de etnia cigana no concelho que não têm direito a habitação”, refere Vanda Duarte, adjunta do presidente da câmara. Foto: José Sena Goulão/Lusa
O mediador intercultural faz o elo de ligação entre a câmara e os membros da comunidade. Foto: José Sena Goulão/Lusa
Foto: José Sena Goulão/Lusa
Foto: José Sena Goulão/Lusa
Foto: José Sena Goulão/Lusa
Tendo em conta o nível baixo de escolaridade entre a comunidade, a autarquia criou uma sala de apoio ao estudo para as crianças e jovens ciganos que frequentam as escolas do concelho. Foto: José Sena Goulão/Lusa
Foi também criado um programa na rádio local, a 102FMPeniche, em que por cada edição semanal são dados a conhecer seus os hábitos e tradições, com relatos na primeira pessoa. Foto: José Sena Goulão/Lusa
Foto: José Sena Goulão/Lusa
Foto: José Sena Goulão/Lusa
Foto: José Sena Goulão/Lusa
Apesar de, no total, mais de 300 famílias viverem em fogos de habitação social neste concelho do distrito de Leiria, há uma centena em lista de espera por uma habitação condigna. A Estratégia Local de Habitação prevê o aumento da oferta da habitação social, beneficiando mais 279 famílias, com 600 a 700 pessoas.

 

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