Exonerado capelão da Marinha que perguntou se Gouveia e Melo "nunca bebeu uns copos"

29 mar, 20:12
Gouveia e Melo é novo Chefe do Estado-Maior da Armada (Lusa)

Em causa está o caso dos fuzileiros suspeitos da morte de um polícia

O capelão Licínio Luís foi exonerado de funções depois de se ter reunido com o Chefe de Estado-Maior da Armada (CEMA), almirante Gouveia e Melo. Licínio Luís tinha utilizado as redes sociais para defender os fuzileiros suspeitos de matarem Fábio Guerra, o agente da PSP que foi espancado após tentar separar uma briga entre dois militares da Marinha. "O senhor almirante nunca foi para a noite? Nunca bebeu uns copos? Juízo com os nossos julgamentos", escreveu no Facebook.

O capelão já se retratou entretanto num post no Facebook. "É muito importante reconhecer perante vós e perante a Marinha, enquanto militar, que errei ao dirigir-me de forma incorreta, inapropiada, interpretativa e pública ao Almirante CEMA, que respeito pelo seu exemplo de coragem, de serviço prestado e dedicação à Marinha. Reli o discurso dele, na intranet, e constato que defendeu a decência humana que a todos nos deve animar. O Almirante CEMA sempre foi um adepto dos Fuzileiros e não tenho dúvidas, agora mais a frio, que tomou a única posição possível e ética ao traçar para toda a Marinha uma linha vermelha de comportamento", refere.

Ainda no mesmo post, Licínio Luís pede desculpa. "Como vosso capelão, quero pedir-vos desculpa por não ter defendido bem a posição cristã, que nenhuma agressão deve servir de resposta a qualquer ato terceiro, muito menos violência que possa ter contribuido [sic] para o falecimento de um agente da PSP, que lamento imenso. Como o Almirante CEMA bem referiu no seu último discurso, é agora tempo da justiça e do direito à defesa dos arguidos, mas também é tempo de verdade e de redenção", conclui.

Numa breve declaração enviada à CNN Portugal, a Marinha "confirma que o Sr. Capelão Licínio teve uma audiência com o Sr. Almirante CEMA" e que "à data de hoje, 29 de março, o Sr. capelão encontra-se exonerado".

Segundo avançou o jornal Expresso esta terça-feira, Licínio Luís defendeu inicialmente no Facebook os fuzileiros envolvidos, sublinhando que os “jovens estavam a divertir-se e foram provocados”. Na publicação, entretanto removida, o capelão criticou as duras palavras do almirante Gouveia e Melo durante o discurso que fez aos Fuzileiros no Alfeite e no qual censurou o ataque “selvático, desproporcional e despropositado” a Fábio Guerra. Licínio Luís tem outra visão dos factos: “Quem não o fazia. É selvagem por isso? O senhor almirante nunca foi para a noite? Nunca bebeu uns copos? Juízo com os nossos julgamentos. Aguardemos pelas investigações. Os nossos jovens têm direito a serem respeitados. Os jovens da PSP estavam no mesmo âmbito e alcoolicamente tão bem-dispostos como os nossos. Juízo com os nossos julgamentos”, afirmou Licínio Luís.

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