Europa está num "cessar-fogo" da covid-19 que pode ser o fim da pandemia, diz OMS

3 fev, 11:19
Covid-19

Diretor europeu diz que a região tem agora uma "oportunidade única" de controlar a pandemia, salientando que uma parte importante da população está imunizada e que a variante Ómicron é menos grave

A Europa está a viver um período de maior proteção graças às vacinas contra a covid-19 e a OMS diz que o mesmo "deve ser visto como um “cessar-fogo” que pode trazer uma "paz duradoura".

Em conferência de imprensa, o diretor da Organização Mundial da Saúde na Europa, Hans Kluge, diz, no entanto, que este cessar-fogo tem condições: é preciso "consolidar e preservar a imunidade mantendo a vacinação e reforço", é necessário "foco nos cinco estabilizadores para os mais vulneráveis, como forte supervisão e compromisso governamental, promover comportamentos de autoproteção e responsabilidade individual e intensificar a vigilância para detetar novas variantes".

O diretor europeu lembrou que, numa altura em que as hospitalizações continuam a aumentar, principalmente em países com menor adesão à vacinação em populações vulneráveis, na Europa o cenário pode ser mais animador graças a três fatores: a imunidade graças às vacinas, a saída do inverno e uma menor gravidade da variante.

"Este contexto, que não tínhamos tido ainda nesta pandemia, dá-nos a possibilidade de conseguir um longo período de tranquilidade e um nível muito superior de defesa das populações contra qualquer novo aumento da transmissão, mesmo com uma variante mais virulenta [do coronavírus SARS-CoV-2]]", declarou.

Numa altura em que a Europa registou a maior incidência semanal de casos desde o início da pandemia, em grande parte impulsionada pela variante Ómicron, a OMS acredita que o fim da pandemia pode estar próximo.

"Por enquanto, o número de mortes em toda a Europa está a começar a estabilizar. Reitero o apelo que fiz na semana passada que, de facto, é plausível que a região esteja a chegar ao fim da pandemia - não quer dizer que agora acabou tudo - mas destacar que na região europeia há uma oportunidade única de assumir o controlo da transmissão".

No entanto, deixa dois alertas: o de que vão continuar a existir novas variantes e de que é necessário acabar com a desigualdade na distribuição das vacinas pelos países mais pobres.

"Acredito que se é possível responder às novas variantes que inevitavelmente surgirão - sem implementar o tipo de medidas restritivas de que precisávamos antes - é porque vemos que essa oportunidade é a principal prioridade de levar todos os países a um nível de proteção que lhes permite olhar para dias mais estáveis. Mas isso exige um aumento drástico e intransigente na partilha de vacinas além-fronteiras. Não podemos continuar a aceitar a desigualdade de vacinas. As vacinas devem ser para todos", afirmou Hans Kluge.

A covid-19 provocou pelo menos 5.686.108 de mortes em todo o mundo desde o início da pandemia, segundo o mais recente balanço da agência France-Presse.

Em Portugal, desde março de 2020, morreram 20.024 pessoas e foram contabilizados 2.745.383 casos de infeção, segundo a última atualização da Direção-Geral da Saúde.

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