Donald Trump tinha classificado o ataque iraniano a um navio de carga como uma "violação insensata" e avisou que o Irão enfrentaria consequências
Os militares norte-americanos realizaram, esta sexta-feira, ataques contra alvos militares iranianos na zona do Estreito de Ormuz, em resposta ao ataque de Teerão, na quinta-feira, contra um navio comercial junto àquela via marítima estratégica, segundo o Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM).
“As aeronaves norte-americanas atingiram locais de armazenamento de mísseis e drones iranianos, bem como radares costeiros”, afirmou o CENTCOM. “A agressão injustificada das forças iranianas contra a navegação comercial violou claramente o nosso acordo de cessar-fogo.”
Os ataques ocorreram depois de o presidente Donald Trump ter classificado, esta sexta-feira, o ataque com drones ao navio no Estreito de Ormuz como uma “violação insensata” do acordo para pôr fim à guerra com o Irão, sem, no entanto, indicar se o incidente levaria ao reatamento de hostilidades em larga escala.
Questionado na tarde de sexta-feira sobre se o Irão enfrentaria consequências, Trump limitou-se a responder aos jornalistas na Sala Oval: “Vão descobrir.”
O presidente reagiu pela primeira vez ao ataque na manhã de sexta-feira, poucas horas depois de este ter ocorrido.
“A República Islâmica do Irão lançou pelo menos quatro drones kamikaze contra navios que atravessavam o Estreito de Ormuz. Um dos drones atingiu em cheio o convés superior de um grande e muito caro navio de carga”, escreveu na Truth Social.
“Foram registados danos, mas o navio conseguiu prosseguir viagem”, escreveu. “Abatemos os outros três drones. Obviamente, esta é uma violação insensata do nosso acordo de cessar-fogo.”
Algumas horas mais tarde, Trump afirmou que o incidente demonstrava que o Irão ainda mantinha parte das suas capacidades militares, apesar da guerra de vários meses com os Estados Unidos.
“Ainda temos um combate pela frente. Eles têm alguma capacidade, não muita. Não estão a ganhar nem nada disso, mas ainda têm alguma capacidade; ainda conseguem disparar”, disse perante uma multidão de cristãos conservadores em Washington, D.C.
“Ninguém estava à espera”, afirmou sobre o ataque iraniano, “e atingiu um navio e causou alguns danos. Não podem fazer esse tipo de coisas.”
Mais tarde, durante um evento na Sala Oval, Trump recusou dizer de que forma ou se os Estados Unidos responderiam ao incidente, que ocorreu um dia antes e evidenciou as dificuldades persistentes em restabelecer o tráfego nos níveis anteriores à guerra naquela importante via marítima.
“Não gostei do facto de terem disparado ontem”, afirmou Trump quando questionado sobre se considerava que o cessar-fogo ainda estava em vigor. “Não era um navio aliado, mas era um navio. Um navio muito caro, que ficou bem, mas sofreu alguns danos. Não deviam fazer isso.”
Confrontado novamente sobre uma eventual resposta dos EUA, respondeu: “Vão descobrir.” O presidente encerrou então abruptamente a conversa com os jornalistas.
O Comando Central dos Estados Unidos, responsável pelas operações militares norte-americanas na região, remeteu para a declaração de Trump quando foi inicialmente questionado sobre o ataque. Uma conta do Departamento da Defesa na rede social X publicou três emojis da bandeira dos Estados Unidos sobre uma captura de ecrã da publicação de Trump na Truth Social.
Foi o primeiro incidente deste tipo desde que os Estados Unidos e o Irão assinaram um memorando de entendimento para reabrir o estreito e lançar negociações mais aprofundadas sobre o programa nuclear iraniano. Trump deu poucos sinais de estar disposto a retomar a guerra, reconhecendo na semana passada que o conflito poderia ter conduzido a uma “catástrofe económica” caso tivesse continuado.
O Irão encara o controlo desta via marítima como um importante instrumento de pressão nas negociações. Na quinta-feira, o Corpo de Guardas da Revolução Islâmica avisou que a passagem segura só seria garantida aos navios que utilizassem rotas declaradas ao Irão.
O acordo entre os Estados Unidos e o Irão estipulava que o tráfego no estreito regressaria ao volume registado antes do início da guerra, mas não estabelecia condições detalhadas para o cumprimento desses termos.
As duas partes apresentaram interpretações diferentes sobre a possibilidade de o Irão cobrar taxas aos navios em trânsito. Trump insistiu que a passagem pelo estreito continuaria gratuita, enquanto Teerão sustentou que teria o direito de cobrar aos navios que ali circulassem.
O ataque de quinta-feira ocorreu poucas horas depois de os poderosos Guardas da Revolução iranianos terem avisado que os navios só teriam passagem segura através de rotas iranianas no estreito, contestando a afirmação da administração Trump de que a via marítima estava novamente livre e aberta. Os Estados Unidos levantaram o bloqueio aos portos iranianos depois de o acordo ter sido assinado.
Segundo o United Kingdom Maritime Trade Operations, organismo que monitoriza o tráfego marítimo, o navio de carga foi atingido no lado de estibordo por um projétil de origem desconhecida, sofrendo danos na ponte de comando. Não foram registadas vítimas nem impactos ambientais.
