Diana fugiu da guerra na Ucrânia com a cadela, Helga. Está em Portugal, mas não consegue encontrar uma casa porque tem um cão

16 mar, 23:16

Diana Braslava-Piasetska fugiu da Ucrânia com a cadela, Helga. Na Polónia, sentiu-se várias vezes discriminada por ter um animal. Queriam que o abandonasse, mas não foi capaz: “para mim, a minha cadela é como uma filha”.

Diana Braslava-Piasetska, 29 anos, fugiu da cidade de Lviv ao segundo dia da invasão russa à Ucrânia. Tinha um único objetivo: salvar o emprego numa tecnológica que lhe possibilita trabalhar remotamente. Agora, mais do que nunca, o seu trabalho é essencial para manter a família que ficou para trás. “Temos uma guerra, não podemos perder a nossa única fonte de rendimento.” 

A viagem não foi fácil. Principalmente, porque levou consigo a sua cadela doberman, Helga. Na Polónia, onde ficou três a cinco dias, sentiu o acolhimento sem precedentes do povo polaco mas também sentiu-se várias vezes discriminada por ter um animal. “Durante o nosso caminho tive mães a gritar «O meu filho é mais importante! O teu cão não é importante, porque é que o trouxeste? É muito desnecessário, podes abandoná-lo!» E eu percebo mas para mim a minha cadela é como uma filha”. 

“Ela é uma grande parte da nossa família. Quando estávamos a fugir, na minha mochila eu tinha apenas duas calças e duas t-shirts. Tudo o resto era comida para ela, medicamentos para ela… Tudo para ela. Porque eu estava mais preocupada com ela do que comigo”, Diana.

Enquanto isso, a prima de Diana, Iryna, a viver há 20 anos em Portugal, procurava uma solução. Inscreveu-as na missão humanitária do Núcleo de Intervenção e Resgate Animal que foi até à Polónia para trazer famílias ucranianas com animais. “A prioridade é transportar as pessoas, se há pessoas que ficam para trás, correndo o risco de serem mortas porque não abandonam os seus animais de companhia tem que haver uma alternativa a essas pessoas com os animais. Temos pouco conhecimento de alternativas para essas famílias, então queremos fazer parte dessas alternativas”, explica Tomás Pires, presidente da Direção do Núcleo de Intervenção e Resgate Animal.

“Não a vou deixar. Se ninguém nos tivesse apanhado, teríamos ficado na Polónia ou voltado para a Ucrânia. Mas eu não a consigo deixar”, Diana.

A viagem até Portugal foi longa. Helga viajou dentro de uma transportadora e teve de ser sedada para ficar mais tranquila. “Tínhamos uma veterinária connosco, a Ana. Ela ajudou-nos e apoiou-nos durante o caminho”, diz Diana. 

Estão há oito dias em Lisboa, em segurança, mas as dificuldades continuam. Diana não consegue encontrar uma casa porque tem um cão. “Assim que sabem que ela é grande dizem “Ah não, ela é grande, desculpa, não te conseguimos ajudar.”.” Entre uma família de acolhimento ou pagar uma renda, Diana só quer um lugar onde possa assentar com Helga.

O Núcleo de Intervenção e Resgate Animal continua a receber mensagens de famílias ucranianas com dificuldades em viajar por ter animais. Por isso, vão novamente à Polónia. E desta vez, querem levar mantimentos até aos abrigos na Ucrânia que estão a cuidas dos animais que ficaram para trás. “A nossa equipa de backoffice já fez um levantamento de uma listagem de alguns abrigos, na sua maioria em Lviv, os restantes estão em zonas de risco – Odessa, Kiev – infelizmente não poderemos ir a zonas de risco, mas iremos com certeza a Lviv”, diz Tomás Pires. Contam trazer 45 pessoas e 15 animais.

“Todos os dias eu tenho esperança que o Putin morra, que a guerra acabe e que possamos voltar para a Ucrânia”, Diana.

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