Contra todas as previsões: França diz "não" à extrema-direita

7 jul, 19:06

Extrema-direita não consegue sequer o segundo lugar nas legislativas

É uma grande surpresa que chega de França. De acordo com as projeções avançadas pelos meios de comunicação social, que citam as televisões, a frente de esquerda vai vencer a segunda volta das eleições legislativas, ainda que não consiga uma maioria absoluta.

O resultado para a esquerda deverá ficar entre 180-215 lugares no parlamento francês, de acordo com a televisão TF1, numa grande vitória para a Nova Frente Popular, formada só depois das eleições na primeira volta.

É um resultado surpreendente, até porque o Reagrupamento Nacional (RN) não consegue sequer o segundo lugar, sempre de acordo com as projeções.

O partido Ensemble, do presidente Emmanuel Macron e do primeiro-ministro Gabriel Attal, deve ficar em segundo lugar, com 150 a 180 mandatos, enquanto o partido de Jordan Bardella e Marine Le Pen ficará em terceiro, com 120 e 150 lugares.

Assim que ficaram conhecidas as primeiras projeções, Jean-Luc Mélenchon, da Nova Frente Popular, reivindicou a vitória e defendeu que o presidente francês "tem o dever de chamar a Nova Frente Popular a governar".

"As lições do voto não deixam dúvidas: a derrota do presidente da República e da sua coligação está claramente confirmada. O presidente deve admitir esta derrota sem a contornar, seja de que maneira for. O primeiro-ministro deve ir embora. O presidente tem o dever de chamar a Nova Frente Popular a governar", declarou Mélenchon, numa reação às primeiras projeções, saudando a mobilização eleitoral que permitiu à esquerda "alcançar um resultado que se dizia impossível".

O líder do Partido Socialista, Olivier Faure, reagiu pouco depois, regozijando-se com os resultados das projeções. “Esta noite, a França disse não à chegada do Reagrupamento Nacional ao poder", declarou, perante os militantes socialistas, reunidos em La Bellevilloise, em Paris.

Olivier Faure manifestou-se disponível para fazer parte de uma coligação governamental, asssumindo que "a Nova Frente Popular deve assumir o comando desta nova página da nossa história". Segundo Faure, os partidos que integram o bloco das esquerdas pretendem governar e implementar o programa comum do NFP.

Jordan Bardella, do Reagrupamento Nacional, agradeceu aos eleitores que votaram no partido, assumindo a derrota na segunda volta das eleições legislativas em França.

Referindo-se à coligação das esquerdas, que, segundo as projeções, obteve a vitória nesta segunda volta, Bardella diz que esta é "uma aliança de desonra [que] priva os franceses de uma política de mudança de direção".

"Esta noite, os acordos eleitorais lançam a França aos braços da extrema-esquerda de Jean-Luc Mélenchon", critica.

Macron pede "contenção" e diz que resultados não respondem à dúvida de "quem vai governar"

Com estes resultados, e uma vez que são necessários 289 assentos para obter maioria absoluta no parlamento francês (que elege 577 deputados), o futuro político em França é agora incerto, não se sabendo quem vai chefiar o novo governo.

Foi isso mesmo que o próprio presidente declarou, numa reação às primeiras projeções, apelando à "contenção", uma vez que os resultados não respondem à dúvida de "quem vai governar".

As eleições legislativas em França foram antecipadas por decisão de Emmanuel Macron, na sequência dos resultados das eleições europeias, que deram a vitória ao Reagrupamento Nacional de Le Pen, que obteve então mais de 30% dos votos. Na altura, o presidente francês justificou a decisão - bastante criticada pelos franceses desde então - pelos resultados do seu partido, Ensemble, que obteve apenas 15,2% dos votos nas europeias. Assim, Macron acedeu ao desafio lançado pelo líder da extrema-direita, Jordan Bardella, para que dissolvesse o parlamento e convocasse novas eleições, que teoricamente só aconteceriam em 2027.

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