Condenado a 20 anos de prisão ex-cirurgião francês que violou mais de 200 crianças

CNN Portugal , MCC
28 mai 2025, 14:11
Joël Le Scouarnec (AP Photo)
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Procuradoria francesa vai abrir nova investigação para tentar encontrar novas vítimas. Se os crimes tivessem sido cometidos nos EUA, este antigo cirurgião teria tido uma pena superior a 2.000 anos

Um ex-cirurgião francês foi condenado a 20 anos de prisão pelo abuso sexual de centenas de pacientes, a grande maioria menores de idade, naquele que foi o maior julgamento por abuso infantil da história francesa.

Joël Le Scouarnec, de 74 anos, trabalhou como cirurgião do aparelho digestivo em hospitais públicos e privados no oeste da França, operando frequentemente crianças com apendicite.

Contam-se 299 vítimas. Foi acusado de 111 violações e 189 agressões sexuais, que tiveram lugar entre 1989 e 2014.

A sentença de 20 anos é o máximo previsto pela lei francesa para casos de violação agravada. Segundo o procurador estatal, se os crimes tivessem tido lugar nos Estados Unidos da América, por exemplo, onde as condenações são cumulativas, Joël Le Scouarnec enfrentaria uma pena superior a 2.000 anos de prisão.

As vítimas eram sobretudo menores de 15 anos, muitas delas anestesiadas ou em recuperação após cirurgia. A média de idade das vítimas menores era de 11 anos.

No julgamento em Vannes, que se arrastou durante três meses, o cirurgião acabou por admitir todos os crimes. “Era cirurgião e tirei partido do meu estatuto para atacar crianças, não nego”, afirmou.

Várias avaliações psicológicas confirmaram que o homem continua a representar um perigo.

Em 2004, as autoridades francesas foram alertadas pelo FBI de que o cirurgião acedia a imagens de abuso infantil na chamada dark web. Acabou condenado, no ano seguinte, a uma pena suspensa de quatro anos pela posse dessas imagens.

Contudo, esta condenação não impediu que continuasse a exercer junto de crianças.

Le Scouarnec já estava preso, uma vez que, em 2020, o cirurgião tinha sido condenado a 15 anos de prisão pelo abuso de quatro crianças.

É provável que um novo julgamento possa ter lugar, uma vez que a procuradoria estatal abriu uma investigação na tentativa de encontrar mais vítimas que não tenham sido integradas no caso agora julgado.

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