Catarina Martins: “Primeiro-ministro tem de dizer como foi acionado o SIS”

Agência Lusa , BC
20 mai, 14:40
Catarina Martins (Lusa/Rodrigo Antunes)

A ainda coordenadora do Bloco de Esquerda diz que o primeiro-ministro tem de explicar ao parlamento se o SIS foi acioado indevidamente

A coordenadora do Bloco de Esquerda (BE), Catarina Martins, disse este sábado que tem de ser o primeiro-ministro a dizer como é que foi acionado o SIS no caso do alegado roubo de um computador do Governo.

“Uma vez que foi acionado um serviço que só o primeiro-ministro podia acionar, o SIS [Serviço de Informações de Segurança], tem de ser o primeiro-ministro a dizer ao parlamento como é que isto aconteceu, porque precisamos de saber se foi acionado indevidamente ou se agiu sem ninguém lhe ter pedido, o que também é indevido”, afirmou a dirigente do BE aos jornalistas, em Amarante, no distrito do Porto.

Segundo Catarina Martins, “a versão que o primeiro-ministro deu ao país tem muitas contradições”.

“Agora, não sei se o primeiro-ministro tinha acesso aos factos todos ou não”, ressalvou, referindo que a resposta de António Costa, por escrito, à Comissão de Inquérito da TAP poderá esclarecer as dúvidas.

A dirigente considerou haver duas hipóteses: “Ou o SIS teve instruções para agir e as únicas instruções podiam vir do primeiro-ministro, que não o devia ter feito, ou agiu sem essas instruções e é gravíssimo que o tenha feito, porque não o podia fazer”.

Em qualquer um dos casos, há, no seu entender, “uma intervenção abusiva do SIS que não pode ficar impune, que não pode ficar sem ser explicada”.

Catarina Martins, que visitou a feira semanal de Amarante, acompanhada de dirigentes locais, referiu que nos contactos com a população as pessoas “falam com imenso desalento do que veem do Governo e desta descredibilização”.

“Acho que não houve ninguém com quem eu não conversasse que não me dissesse ‘Acha bem isto? Parece que estão a gozar connosco’”, contou aos jornalistas que acompanhavam a visita ao mercado.

Para Catarina Martins, a forma como o Governo socialista tem lidado com as suas responsabilidades na gestão de vários dossiês, incluindo o da gestão da transportadora aérea TAP, descredibiliza a democracia e paralisa o executivo.

“As pessoas o que veem é o Governo enredado em mentiras, em situações que degradam a imagem das instituições, e isto é muito grave”, reforçou, reafirmando a posição do BE, segundo a qual o ministro das Infraestruturas, João Galamba, não tem condições para continuar em funções.

“Neste momento, o ministro da Infraestruturas é António Costa. Ninguém acredita que um ministro fragilizado, como está João Galamba, esteja a tratar de dossiês tão complicados como a privatização da TAP. É seguramente o primeiro-ministro que está a tratar”, destacou.

Segundo a coordenadora do BE, o que se está a descobrir na Comissão Parlamentar de Inquérito da TAP é “uma utilização abusiva de instituições do Estado e, ao que tudo indica, também dos serviços de informação e segurança, e isso é de uma gravidade extrema”.

O acionamento do SIS refere-se ao alegado roubo de um computador do Estado por Frederico Pinheiro, ex-adjunto de João Galamba, após ser exonerado, em abril.

O caso envolveu denúncias contra Frederico Pinheiro por violência física no Ministério das Infraestruturas, além do furto do portátil, e a polémica aumentou quando foi noticiada a intervenção do SIS na recuperação desse computador.

Nos últimos dias, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, escusou-se a comentar os relatos de violência dentro do ministério, o recurso ao SIS e as versões contraditórias de João Galamba e do seu ex-adjunto apresentadas no parlamento.

 

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