Dezenas de apoiantes do candidato populista juntaram-se às portas da Comissão Eleitoral para protestar, tentando furar o cordão de segurança. Georgescu liderava as sondagens com 40% das intenções de voto
O candidato pró-russo Calin Georgescu foi impedido pela Comissão Eleitoral da Roménia de se candidatar às eleições presidenciais de maio, devido ao incumprimentos de várias normas "formais e substantivas".
Georgescu tinha sido o candidato mais votado na primeira mão das eleições presidenciais da Roménia com 23% dos votos, que foram anuladas por suspeitas levantadas pelos serviços secretos de interferência russa.
Dezenas de apoiantes do candidato populista juntaram-se às portas da Comissão Eleitoral para protestar, tentando furar o cordão de segurança. Partidos de extrema-direita romenos classificam a decisão como sendo "antidemocrática".
O bilionário Elon Musk já criticou a decisão na sua rede social, escrevendo que a decisão da Comissão Eleitoral é "de loucos".
This is crazy! https://t.co/a2QiXpqtxL
— Elon Musk (@elonmusk) March 9, 2025
No final de fevereiro, o candidato independente foi detido por suspeitas relacionadas com o financiamento da sua campanha eleitoral. Os procuradores emitiram um mandado de captura sobre Georgescu e investigaram os seus funcionários mais próximos, incluindo o seu guarda-costas e o líder mercenário Horatiu Potra.
Os procuradores suspeitam que 27 pessoas agiram contra a Constituição da Roménia, estando em causa crimes como incitamento à desordem pública, criação de uma organização fascista e falsas declarações sobre as fontes de financiamento de uma campanha eleitoral.
O candidato romeno vai ter ainda 24 para recorrer da decisão do Tribunal Constitucional, que tem de tomar uma decisão no prazo máximo de dois dias.
Georgescu está a ser investigado criminalmente por seis acusações, incluindo a de pertencer a uma organização fascista e a de comunicar informações falsas sobre o financiamento de campanhas. Georgescu negou qualquer irregularidade.
A Roménia está mergulhada em tumultos desde a primeira volta das eleições presidenciais, em 24 de novembro, que colocaram na cena política Calin Georgescu, até então praticamente desconhecido.
Num acontecimento raro na União Europeia, o Tribunal Constitucional anulou as eleições, na sequência de alegações de interferência russa, e estão previstas novas eleições para maio, num clima de grande tensão.
Dezenas de milhares de apoiantes de Georgescu têm protestado na rua nas últimas semanas, com as autoridades romenas a alertarem para "uma série de ações híbridas" por parte de Moscovo.
Suspeito de ter beneficiado de uma campanha de apoio ilícito na plataforma TikTok, Georgescu foi acusado na semana passada de fazer falsas declarações e de incitar à perturbação da ordem constitucional.