Após a indignação pública, rosto da primeira-ministra de Itália retirado de fresco

CNN , Barbie Latza Nadeau
5 fev, 15:36
O fresco que retratava a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni foi coberto (Remo Casilli/Reuters)

Fresco que retratava a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni foi coberto

Num instante está a vê-la, no outro já não.

O rosto da primeira-ministra italiana Giorgia Meloni, que estava pintado num anjo numa igreja de Roma, foi removido após ter gerado indignação pública, bem como uma investigação do Ministério da Cultura daquele país.

A imagem de Meloni surgiu no corpo de um anjo após obras de restauro na Capela das Almas do Purgatório, na Basílica de São Lourenço em Lucina, no centro de Roma.

O fresco na Basílica de São Lourenço em Lucina que gerou críticas (Vincenzo Livieri/Reuters)

Embora a intervenção tenha sido concluída no final do ano passado, a questão veio a público no fim de semana passado, quando fotos do antes e depois, publicadas nas redes sociais, mostraram que o rosto original do anjo tinha sido substituído por uma imagem que se assemelhava à da primeira-ministra.

Num primeiro momento, o restaurador voluntário, Bruno Valentinetti, negou as acusações, afirmando que tinha copiado as imagens originais a partir de desenhos existentes.

Contudo, na quarta-feira, disse ao jornal La Repubblica que se tratava, de facto, da primeira-ministra. Ainda assim, insistiu que era semelhante à obra de arte original, segundo o jornal.

Uma visão mais ampla da pintura, agora coberta (Remo Casilli/Reuters)

Valentinetti foi encarregue de apagar o trabalho que tinha feito, o que deixou uma mancha branca fantasmagórica no corpo do anjo.

“Cobri tudo porque o Vaticano me mandou fazer isto”, disse ao jornal La Repubblica.

O Vaticano não se pronunciou publicamente sobre esta polémica.

A primeira-ministra de Itália, Giorgia Meloni, fotografada a 9 de janeiro (Vincenzo Livieri/Reuters)

O ministério da Cultura, que ordenou uma investigação no início desta semana, divulgou um comunicado esta quarta-feira sobre a remoção da imagem, afirmando que as obras nas igrejas de Roma precisam de aprovação prévia com desenhos para as alterações propostas.

“Tendo em conta a remoção do rosto da decoração da capela do crucifixo de São Lourenço em Lucina, em comum acordo com o ministro da Cultura, Alessandro Giuli, a Superintendente Especial de Roma, Daniela Porro, informou o reitor da Basílica que qualquer trabalho de restauro requer um pedido de autorização ao Fundo para Locais de Culto do ministério do Interior, proprietário do imóvel, ao Vicariato e à Superintendência Especial de Roma, anexando um esboço da imagem”, escreveu o ministério num comunicado publicado no seu site.

Centenas de visitantes têm-se dirigido à capela, nos últimos dias, para tirar fotografias da imagem, conta o pároco, padre Daniele Micheletti.

“Sempre disse que, se tivesse criado divisões, teria mandado remover”, referiu à Sky Italia.

“Do ponto de vista regulamentar, a pintura poderia ter permanecido ali durante cem anos, mas criou muitas divisões na Igreja”.