António Costa afirma que "ainda não pensou" na composição do novo Governo

9 fev, 10:42
A noite eleitoral do PS e a festa. Fotos João Rodrigues

Primeiro-ministro mostrou-se disponível para acolher propostas de outras forças, e desvalorizou as palavras de Marcelo Rebelo de Sousa sobre a aplicação do PRR

À porta do Palácio de São Bento, na sua primeira declaração após a noite eleitoral de 30 de janeiro, o primeiro-ministro António Costa afirmou que "ainda não pensou" na composição do novo Governo, nem convidou ninguém para integrar o futuro executivo.

"Estive esta semana retirado com covid. Mesmo não tendo sido grave, não deixou de afetar, não era bom momento para pensar nessas coisas. Só perto da altura da tomada de posse farei os convites. Já me fui divertindo com algumas sugestões que por aí apareceram", atirou, salientando que não vale a pena fazer notícias a partir de outras fontes que não ele próprio ou o seu gabinete.

António Costa assegurou também que está disposto a acolher propostas de outras forças mas que, no geral, o programa do Governo será o programa eleitoral do Partido Socialista, "como é natural e aconteceu nas últimas duas legislaturas". 

Questionado sobre as declarações de Marcelo Rebelo de Sousa sobre a aplicação do PRR, que afirmou que o plano "não é o paraíso ao virar da esquina", o primeiro-ministro desvalorizou.

“Não vi nem como recado nem como aviso, vi como uma chamada de atenção ao país para a urgência de não se perder tempo na execução do PRR”, antes de reforçar que uma grande parte deste plano não é executado pela administração central.

Garantindo que a "arquitetura global do novo Governo" ainda não está concluída, Costa abordou também a possibilidade da concentração de vários ministérios no edifício da Caixa Geral de Depósitos.

"A matéria tem vindo a ser estudada, a concentração dos serviços permitiria muitas sinergias e poupar muitos recursos, mas não é uma hipótese que não tenha as suas dificuldades. Não estará disponível para a semana, seguramente".

Sobre os debates quinzenais, Costa mostrou disponibilidade para ir à Assembleia da República "quando a Assembleia quiser", e afirmou que o problema dos debates quinzenais não é a periodicidade, mas sim o modelo que estava definido, que "está construído para ser um duelo, que degrada as relações pessoas e políticas, e que servia mais para a televisão do que para a fiscalização".

Acerca do facto de não receber o Chega para uma audição antes do início da legislatura, Costa foi perentório. "Estas audições são de preparação para a nova legislatura e aí não há convergência nenhuma com o Chega".

Sobre a covid-19, o primeiro-ministro deixou um apelo com base na "experiência própria". "Ninguém desvalorize a doença. Mesmo não tendo tido sintomas graves, o nível de cansaço que a doença deu foi extremamente elevado. Não me sinto recuperado para correr quilómetros. Quem não se vacinou deve mesmo vacinar-se”, alertou, anunciando que irá falar com o Presidente da República acerca de uma eventual nova reunião no Infarmed.

António Costa terminou a intervenção assegurando que está disponível para ouvir as propostas dos partidos em relação ao Orçamento do Estado para este ano, lembrando também que o debate em torno do documento "tem várias fases" e que as conversas com os partidos "não se esgotam na primeira ronda" audições.

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