“Achava que ia morrer se me deixasse adormecer”. Cinco relatos de quem viu a saúde mental fragilizada pela pandemia

Daniela Costa Teixeira , com fotografias de Rodrigo Cabrita e Virgílio Rodrigues e grafismos de Inês Caretas e Rita Cerqueira
17 fev, 07:00
Ana Rocha, 24 anos. Fotografia: Virgílio Rodrigues

João fica ansioso quando o telefone toca com receio que seja mais um familiar ou conhecido infetado. Fabiana viu-se refém de ‘fantasmas’ do passado que a levaram a comportamentos obsessivos associados à higienização. Já Beatriz e Cláudia tiveram ataques de pânico como há muito não acontecia e a mente de Ana encheu-se de “mil e um pensamentos, todos relacionados com algo catastrófico”. A CNN Portugal conta a história de quem viu a sua saúde mental fragilizada em plena pandemia, mas que conseguiu encontrar ferramentas para dar a volta por cima.

“Antes de começar a trabalhar tinha de desinfetar tudo”. À primeira vista, Fabiana Nascimento estava apenas a ser cautelosa e a seguir as recomendações de higienização impostas com a chegada de uma pandemia, mas o seu cérebro indicava algo mais. “Parecia que algo de mau ia acontecer se alguém tocasse e não desinfetasse”, conta à CNN Portugal a jovem de 22 anos.

O que começou por ser um mero hábito de desinfeções constantes à boleia de um vírus, rapidamente passou a ser uma série de comportamentos programados, hábitos que respeitavam ordens e números, ações ditadas pela mente. “No primeiro confinamento, pode ter sido do facto de não ter tanto para fazer, de não ter nada para a manter a mente ocupada, aumentei as coisas que ia fazendo, ia ganhando outras repercussões”. E por coisas, Fabiana refere-se a rituais, a ações sobre as quais não podia haver qualquer margem de erro: “Era dar três goles de água, nem um a mais, nem um a menos. Se me distraía tinha de fazer novamente”.

“Quando falava com a minha namorada sobre as coisas que se passavam na minha cabeça, ela dizia que não era normal”, conta Fabiana, que reconhece que este tipo de comportamentos já a acompanhava há alguns anos, mas sempre sem que prestasse muita atenção ao que fazia e sobretudo às ações que repetia. “Olhando para trás, já tinha alguns sinais da adolescência que ia ignorando, havia coisas que ia fazendo e achava que era normal”.

Consciente de que esses hábitos estavam a condicionar o seu bem-estar e que a execução na perfeição aumentava o stress e ansiedade, Fabiana procurou ajuda e recebeu o diagnóstico. “A psicóloga disse que tudo indicava que fosse POC [perturbação obsessiva compulsiva] mas que tinha de ter uma consulta com o psiquiatra, que me deu o diagnóstico”.

“Embora não tenhamos dados consistentes que nos mostrem um aumento da prevalência da POC, encontramos alguns casos na prática clínica que estão precisamente relacionados com o medo do contágio. Os dados que temos não são definitivos, mas há uma tendência para POC em pandemias”, explica Pedro Morgado, médico psiquiatra do Hospital de Braga, investigador e professor na Escola de Medicina da Universidade do Minho.

Segundo a Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental (SPPSM), a perturbação obsessivo-compulsiva (POC) caracteriza-se por dois fenómenos: as obsessões e as compulsões. As obsessões podem ser pensamentos recorrentes e persistentes (que provocam ansiedade) e as compulsões são os comportamentos repetitivos, muitas vezes em resposta a essas mesmas obsessões.

“Sentia a minha vida comprometida, às vezes era angustiante ter de tocar num objeto até sentir que estava bem, e fazer coisas que as pessoas olhavam e comentavam”, lamenta Fabiana.

Fabiana Nascimento desenvolveu hábitos que estavam a condicionar o seu bem-estar. Fotografia: Rodrigo Cabrita

Uma fragilidade que a pandemia deixa ao descoberto (e de forma mais agravada)

“A pandemia coloca a saúde mental no centro da questão”, afirma Maria Moreno, médica psiquiatra na Fisiogaspar. Mas rejeita a ideia de que não era um problema antes da chegada do SARS-CoV-2. “É impossível dizer que a doença mental não existia antes disso. Antes da pandemia, os números já eram dignos de se olhar”, argumenta, apresentando alguns dos dados: em Portugal, as perturbações psiquiátricas têm uma prevalência de 22,9%, “4% das quais doença mental grave”. “Estes números eram grandes e com a chegada da pandemia vão crescer”, alerta a médica.

De acordo com o estudo Saúde Mental em Tempos de Pandemia (SM-COVID19), coordenado pelo Departamento de Promoção da Saúde e Prevenção de Doenças Não Transmissíveis do INSA, 27% dos inquiridos da população geral indicaram ter sintomas moderados a graves de ansiedade, 26% sintomas de depressão e 26% sintomas de perturbação de stress pós-traumático. Os dados referem-se ao ano de 2020, o primeiro da pandemia, e o mesmo estudo do INSA revela ainda que são sobretudo as mulheres, os inquiridos entre os 18 e os 29 anos, os desempregados e os indivíduos com mais baixo rendimento quem apresenta mais frequentemente sintomas de sofrimento psicológico moderado a grave, ansiedade, depressão ou perturbação de stress pós-traumático.

“As doenças psiquiátricas têm uma forte relação com fatores culturais e sociais, com relações de vida e com a forma como as pessoas aprendem a expressar as suas emoções”, explica o psiquiatra Pedro Morgado, que liderou um dos estudos feitos em Portugal sobre o para já notório impacto da pandemia na saúde mental. “Os estudos que foram realizados, em particular o que fizemos na Universidade do Minho, mostraram padrões interessantes. No início dos confinamentos houve um aumento significativo de ansiedade, depressão, stress e POC”.

Uma investigação do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP), publicado na revista Journal of Affective Disorders Reports e que envolveu 929 pessoas, concluiu que a maioria dos participantes com sintomas de depressão e ansiedade relacionou o seu agravamento com a pandemia da covid-19, qual trampolim para pensamentos intrusivos, negativos e dominantes até então adormecidos. Tal como aconteceu com Fabiana Nascimento.

E Fabiana não hesita em dizer que a sua saúde mental “saiu fragilizada” com a pandemia. “A nível da POC, a minha psicóloga diz várias vezes que é uma das doenças mais complexas, porque alguém de conter a parte da perturbação obsessiva compulsiva tem a parte da ansiedade”, algo que um cenário pandémico veio agravar, reconhece.

Também Cláudia Nunes viu os sucessivos estados de emergência e de calamidade impactarem a sua saúde mental e o seu bem-estar. A jovem de Sintra foi diagnosticada com agorafobia aos 19 anos e a pandemia trouxe algo que pensava já ter conseguido controlar. “Tive um ataque de pânico dez anos depois do último”, conta.

Cláudia Nunes foi diagnosticada com agarofobia. Fotografia: Rodrigo Cabrita

Por definição, agorafobia é um estado patológico caracterizado pelo medo de atravessar espaços públicos, com largos e praças. Mas, na verdade, vai além disso. Este transtorno de ansiedade, que pode culminar em ataques de pânico, pode levar ao medo de usar transportes públicos, de estar em lugares fechados ou no meio de uma multidão.

“No ano passado tive uma crise muito grande, evitei transportes e ginásios”, diz. Embora viva há já uma década com o diagnóstico, sentiu a necessidade de atuar, sob a pena de o seu estado agravar. “Falei com um médico e comecei a tomar antidepressivos”, conta. E diz mesmo que “foi a melhor coisa que podia ter feito”, quebrando o “estigma” que ainda há em relação à toma de fármacos. 

A agorafobia, revela a psiquiatra Maria Moreno, foi uma “perturbação que aumentou muito” na sua prática clínica, uma perturbação que, em casos de maior “vulnerabilidade” poderá fazer com que a “a pessoa se isole”. 

Jovens e vulneráveis

“Esta pandemia conseguiu afetar todos os grupos etários, mas não da mesma forma. Existem alguns estudos que começam a abordar o impacto nas crianças muito jovens, que terão de alguma maneira uma dificuldade acrescida em reconhecer emoções quando comparadas com as crianças pré pandemia”, alerta Maria Moreno.

Mas também os adolescentes e jovens adultos se viram mais vulneráveis nestes dois anos. Segundo os dados recentemente apresentados pela Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS) no retrato Os jovens em Portugal, hoje: Quem são, que hábitos têm, o que pensam e o que sentem, coordenado por Laura Sagnier e Alex Morell, 12% dos jovens entre os 15 e os 34 anos já auto-infligiram lesões corporais, 5% sofreram de transtornos alimentares e mais de metade está insatisfeito com o próprio corpo. Mas as questões da saúde mental não se ficam por aqui: 30% já tomaram medicamentos para o sono e 26% para a ansiedade e depressão. Os dados foram recolhidos em junho de 2020 e dão ainda conta de que 23% dos jovens portugueses já pensaram ou tentaram suicidar-se.

Também durante a pandemia, os pedidos de ajuda ao Centro de Apoio Psicológico e Intervenção em Crise (CAPIC) do INEM aumentaram mais de 50% nos jovens em dois anos de pandemia, com mais crises de ansiedade e pânico e uma subida nos comportamentos suicidários.

“O que nos surpreendeu é que os mais jovens parecem ter sido mais afetados”, revela Pedro Morgado, referindo-se à investigação da Universidade do Minho. “A pandemia apanhou os jovens adultos numa fase que é de expansão das suas relações interpessoais, de construção de projetos de vida e trabalho, portanto, limitou a esperança no futuro ainda que numa forma temporária e ainda que havendo uma adaptação”, continua o psiquiatra.

E foi a pensar no futuro que João Pereira começou a sentir o chão a fugir-lhe. “Todos nós, os jovens, neste momento, temos essa incerteza do que virá, eu tenho essa incerteza do que o futuro me vai dar, vou acabar uma licenciatura e não sei o que vem aí”, diz João Pereira, de 20 anos.

O estudante universitário viu-se refém daquilo a que muitos chama de ‘sofrer por antecipação’. Mas foi mais do que isso: a pandemia tirou-lhe os convívios de que estava habituado, as rotinas que preenchiam os seus dias, os afetos que distribuía. Foi arranjando ferramentas para lidar com a situação da melhor forma, mas nem sempre resultou como o esperado, sobretudo quando a pandemia batia à porta.

“Sempre fui uma pessoa bem disposta, com uma grande capacidade de humor, sempre tentei transmitir isso às pessoas, mas comecei a sentir que sou dependente disso mesmo, gosto de estar com pessoas e fazê-las feliz. Quando a pandemia começou vi-me obrigado a tentar de alguma forma manter esse meu lado”, conta, dizendo que criou um podcast e “uma espécie de rúbrica” no Instagram. E as conversas com a melhor amiga, a Luana, foram uma constante, um refúgio durante o caos.

João Pereira viu-se confrontado com a ansiedade durante a pandemia. Fotografia: Rodrigo Cabrita

Mas “a ansiedade de não saber o dia de amanhã e de não saber o que vinha a seguir” falou muitas vezes mais alto, reconhece. “A pandemia condicionou muito a minha saúde mental”, lamentou.

“Todos os dias acordo ansioso, olho logo para o telemóvel, alguém pode ter testado, os casos podem ter aumentado. Sem dúvida que é muito assustador”, conta.

Também no início da vida adulta e em plena fase de vida académica, Ana Rocha, estudante de enfermagem, viu a incerteza do futuro, aliada a uma pandemia, como gatilhos para a ansiedade. Logo no início da pandemia, “a ansiedade já ia dando sinais, mas aquelas notícias todas sobre mortes e internados também me fizeram ficar muito mais ansiosa. Antes de contactar com o serviço de psicologia da universidade via notícias constantemente, sentia-me puxada para aquilo tudo”, conta.

Apesar de ter recorrido cedo ao serviço de psicologia da Universidade do Algarve, onde estuda, Ana viveu momentos sombrios durante a pandemia. “Quando estávamos em confinamento tinha muitas vezes ataques de pânico ao ponto de não conseguir dormir porque achava que ia morrer se me deixasse dormir. A sensação é a de ter o coração super acelerado, o peito começa a sentir-se apertado e começa a doer”, relata.

O sono foi um dos aspetos mais lesados nesta pandemia, sobretudo por quem não conseguia controlar as emoções, verbalizar o que sentia, compreender o que lhe ia na mente. “Apercebo-me, em consulta, que as pessoas têm dificuldade em relacionar as alterações no sono com a saúde mental, não conseguem entender a depressão e ansiedade como triggers para estas alterações”, explica a psiquiatra Maria Moreno.

Durante os momentos de maior ansiedade, que culminaram em ataques de pânico, vinham à cabeça de Ana “mil e um pensamentos à cabeça todos relacionados com algo catastrófico, por exemplo: ‘vou ter um ataque cardíaco’, ‘vou morrer’”. “Só dava vontade de começar a correr e fugir da sensação A melhor descrição que posso usar é ‘sensação de morte iminente’”, explica. Porém, não era apenas no escuro da noite que se sentia em pânico. Ana diz que “havia muitas coisas que despoletavam estes ataques”, desde pensamentos a estímulos externos. “Cheguei ao ponto de não conseguir sair à rua sozinha porque pensava que algo me ia acontecer”.

Ana Rocha recorreu ao serviço de psicologia da sua faculdade. Fotografia: Virgílio Ferreira

Mesmo refém de algum estigma, há mais abertura para pedir ajuda. Mas não há ajuda suficiente

“A pandemia trouxe uma coisa de bom”, reconhece o psiquiatra Pedro Morgado, referindo-se à maior abertura para falar de saúde mental e ao reconhecimento da emergência do tema, o que poderá ajudar no diagnóstico atempado. “Mas ainda é um caminho longo”, lamenta o especialista.

Apesar de haver mais abertura para falar, ainda há estigma, incompreensão e, por vezes, vergonha. Para a psicóloga Andreia Moura, do Hospital CUF Porto, “a perceção de que ‘deveriam conseguir sozinhas’, ‘sem ajuda’” é um dos principais entraves à procura de ajuda, mas há mais”, diz. “Outro mito sobre a saúde mental é a percepção de que se não se sentem bem emocionalmente, é então uma questão de motivação e ‘força de vontade’. Nem sempre é. Na realidade que conheço, quase nunca é. Da mesma forma que qualquer órgão do corpo humano precisa de tratamento quando não está no seu estado normativo, o mesmo acontece com o nosso cérebro e com a dimensão mental e psicoafectiva”, esclarece.

Mas o cenário em Portugal nem sempre é animador, até mesmo para quem consegue escapar ao estigma e procura ativamente ajuda profissional. Sobre este ponto, o psiquiatra Pedro Morgado para os muitos obstáculos daquele que ainda é visto - e tratado - como o parente pobre da medicina. O acesso a psiquiatras e psicólogos através do Serviço Nacional de Saúde é difícil, moroso e complexo, os médicos de família têm cada vez menos tempo para se dedicarem aos pacientes - e são eles, muitas vezes, “a porta de entrada” para um primeiro diagnóstico, diz o psiquiatra e investigador - e há mesmo um largo número de portugueses que nem sequer têm médico de família, o que torna ainda mais hercúlea a tarefa de procurar e obter ajuda em tempo útil.

No Serviço Nacional de Saúde, o tempo de espera por uma consulta de psiquiatria (para doentes não prioritários) pode ser superior a quatro meses. No privado, uma única consulta pode rondar os 80 euros. Para uma consulta de psicologia para pacientes não prioritários, há tempos de espera no SNS que variam dos 30 aos 600 dias (um ano e meio). Para colmatar o agravamento do estado mental e a dificuldade de acesso a profissionais de saúde, foi criada, a 1 de abril de 2020, uma Linha de Aconselhamento Psicológico pelo SNS em parceria com a Ordem dos Psicólogos (que tem outros projetos de apoio como o Encontre Uma Saída, Escola Saudavelmente e Mais Produtividade). Desde a sua criação, foram atendidas cerca de 135.200 chamadas. 

Esta maior e mais aberta discussão sobre saúde mental que a pandemia trouxe, muito à boleia das redes sociais e do selfcare que domina cada vez mais estilos de vida em jovens e jovens adultos, faz com que a procura de ajuda e a partilha de testemunhos não seja um bicho-papão como fora em tempos. 

As pessoas já perceberam que a doença mental não é algo assim tão distante, é uma coisa que está mais próxima do que pensavam”, reconhece a psiquiatra Maria Moreno.

Tendo em conta o que observa em clínica, a psicóloga Andreia Moura, do Hospital CUF Porto, considera que “esta maior procura parece ser um resultado cumulativo não apenas de uma maior necessidade de estratégias de gestão emocional decorrente do período em que vivemos com esta pandemia, mas também um resultado do aumento de conhecimento científico sobre esta matéria, que sensibiliza cada vez mais a população geral, bem como, os próprios profissionais de saúde”. 

“Para as pessoas terem ajuda é preciso estarem predispostas a terem ajuda”, diz Beatriz Mesquita, de 33 anos. Atualmente a viver em Amesterdão, foi ainda em Lisboa que sentiu a pandemia a abalar a sua saúde mental.

“A pandemia chegou e, como toda a gente, fiquei assustada, era tudo desconhecido. Comecei a comprar tudo e mais alguma coisa no que toca à proteção e higiene, até protecção de sapatos. Comecei a fazer limpezas extremas em casa, tinha de me descalçar religiosamente. Depois comecei a ficar super paranóica com a covid”, conta.

Beatriz, diagnosticada há alguns anos com hipocondria, relata dois momentos que a fizeram perceber que algo não estava bem, que precisava de ajuda e, como diz, de estar predisposta a pedir e ter ajuda. “Num dos acontecimentos, o meu namorado pisou o tapete do hall sem se descalçar e comecei a chorar, a pensar em lavar o tapete e desinfetar o hall. Fiquei transtornada. Mas vi que não era uma reação natural, tinha plena noção disso”, conta. O outro episódio foi durante umas férias no Algarve. “Comecei a sentir-me mal, a achar que é covid e a pensar ‘estou longe da família, não vou ter ajuda porque os hospitais estão cheios’. Tive um ataque de pânico”.

Depois desse episódio, regressou a Lisboa e decidiu procurar ajuda profissional. “Estava muito predisposta a ficar bem e a dar uma volta à minha vida”, afirma. “Fui fazer terapia para ajudar-me a mim mesma e pelos outros. Sabia que era complicado para os outros lidar comigo, com estas preocupações extremas de limpeza, de não falar muito próximo das pessoas”. 

Hoje em dia mantém a terapia e faz mindfulness, aquilo a que chama uma “história feliz”, e embora reconheça que ainda há feridas por sarar, sabe que o apoio profissional é a melhor forma de lidar com o que a atormenta. “Consegui ajuda e consegui ajudar-me a mim mesma”.

Beatriz Mesquita procurou ajuda profissional. Fotografia: D.R.

João Pereira sente que conseguiu as ferramentas necessárias para lidar com o impacto da pandemia, ferramentas essas que foi buscar, em parte, às consultas de psicologia que tinha tido na adolescência, mas sobretudo na abertura em falar sobre o tema com amigos e familiares.

Embora também fale abertamente sobre o assunto, Ana Rocha recorreu ao apoio da sua faculdade, após ter sido aconselhada por uma colega, com quem desabafava sobre o que sentia. “Tive as minhas primeiras quatro sessões online e depois presencialmente. Deixei de ter sintomas a 2 de fevereiro do ano passado, tive oito meses em psicoterapia intensa, com consultas todas as semanas”, conta. Hoje reconhece que consegue lidar muito melhor com a incerteza do amanhã e até mesmo com a pandemia.

Anida que os gatilhos estejam sempre à vista, Cláudia Nunes encontrou o equilíbrio após ter procurado ajuda: “hoje em dia faço uma vida normal, há sempre um desconforto em certas situações, mas com terapia e medicação consegue-se”.

Também Fabiana encontrou algum equilíbrio no meio do caos que é a pandemia. “A nível da higienização, já consigo controlar bastante melhor, num dia menos bom, sinto e vejo que desinfeto as mãos mais vezes do que é preciso ou limpo a mesma superfície sem necessidade, mesmo quando ninguém tocou. Mas, a nível geral está mais controlado, já não tenho pânico ou angústia de alguém tocar em algo”, relata.

 

 

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