No dia em que foi ilibado de tudo, Azeredo diz que não foi por causa de Tancos que se demitiu

7 jan, 12:23

Estava acusado de quatro crimes

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O antigo ministro da Defesa Azeredo Lopes foi absolvido esta sexta-feira dos quatro crimes de que estava acusado no processo do assalto aos paióis de Tancos. À saída do Tribunal de Santarém, o ex-governante afirmou que entrou no processo de “cabeça levantada”, dizendo que essa foi a forma como passou por todo o caso e também a maneira como sai dele.

Em declarações aos jornalistas, o ex-ministro diz que sai do processo “sem reparo”, o que “individualmente é muito importante”. Recusando que a questão de Tancos tenha motivado a sua demissão do Ministério da Defesa, garante que “não houve qualquer falha ética”. “Não tive de me demitir por causa de processo nenhum, por causa de Tancos.”

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Azeredo Lopes estava acusado dos crimes de denegação de justiça, prevaricação, abuso de poder e favorecimento pessoal. Quando soube da absolvição - que tinha sido pedida pelo Ministério Público - respirou fundo na sala de audiências. O ex-ministro diz mesmo que a decisão do Ministério Público e do coletivo de juízes vem confirmar que tudo o que ele sempre disse era a verdade.

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A sessão desta sexta-feira marca o fim de um processo longo e que teve vários episódios caricatos, desde o desaparecimento de armas de uma instalação do Exército até ao aparecimento das mesmas, meses mais tarde, tendo sido encontradas mais armas do que as que tinham sido declaradas como roubadas.

O caso visava ainda o antigo diretor da Polícia Judiciária Militar Luís Vieira e o ex-porta-voz desta instituição militar Vasco Brazão, além de elementos da GNR de Loulé e do Porto. Em causa estava um conjunto de crimes, como terrorismo, associação criminosa, denegação de justiça e prevaricação até falsificação de documentos, tráfico de influência, abuso de poder, recetação e detenção de arma proibida.

Alguns arguidos eram acusados de planear e executar o furto do material militar dos paióis nacionais, enquanto outros, entre os quais Azeredo Lopes, que se demitiu do cargo ministerial no seguimento do processo, e os dois elementos da Polícia Judiciária Militar, da encenação que esteve na base da recuperação do equipamento.

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O assalto terá envolvido 10 pessoas, entre os quais o cabecilha do grupo, João Paulino.

O furto das armas foi divulgado pelo Exército a 29 de junho de 2017 com a indicação de que ocorrera no dia anterior, tendo a recuperação de algum material sido feita na região da Chamusca, Santarém, em outubro de 2017, numa operação que envolveu a Polícia Judiciária Militar em colaboração com elementos da GNR de Loulé.

Entre o total de 249 testemunhas arroladas por Ministério Público (113) e defesa (136) estiveram o Presidente da República e o primeiro-ministro, que prestaram depoimento por escrito.

O processo chegou à distribuição com 22.497 páginas.

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