Boavista-Farense, 1-1 (destaques)

30 set 2001, 23:39

O brilho imprevisto de Rui Marcos jogou quando não esperava e brilhou. Rui Marcos foi a figura do Farense e contribuiu para a má exibição atacante do Boavista. Este foi um jogo em que apenas Ferreira, Petit, Frechaut e Sanchez tiveram direito a sorrir.

Rui Marcos

Entrou sem aquecer e teve de travar uma bomba de Sanchez quando ainda mal tinha percebido que estava a jogar na relva do campeão. Raul Iglésias tinha sido expulso e Rui Marcos, até aí escondido num canto do banco de suplentes, era forçado a despir o fato de treino e a calçar rapidamente as luvas. Sem direito a acordar os músculos e a ajustar o equipamento. O guarda-redes, contudo, conseguiu entrar sem qualquer tipo de tremideira e partiu para uma exibição quase sempre segura e eficaz. Destaque, já na segunda parte, para um voo impressionante, feito do mais puro dos instintos, a desviar um remate disparado por Silva e que parecia destinado a abanar a rede. 

Frechaut e Petit

São, juntamente com Ricardo, a imagem de marca deste Boavista. António Oliveira parece ter juntado os seus nomes ao lote dos imprescindíveis da selecção e não dispensa a atitude competitiva de ambos para equilibrar um conjunto que é só talento. Têm jogado muito e bem, quase sempre com responsabilidade directa em cada sucess axadrezado. Frechaut foi adaptado à lateral, mas nunca mais largou as novas funções. Curiosamente, estava tapado por Petit, ele que é dono absoluto da faixa direita do meio-campo. Pacheco sabe que nenhum deles poupa nos esforços e obriga-os até a cumprir papeis duplos, que exigem algo parecido com ubiquidade. Com bons resultados. 

Foi você que pediu um Ferreira?

O Farense jogava com menos um e tentava respirar como podia, procurando que Sanchez rematasse de zonas longínquas e Silva recuasse muitos metros para fugir à marcação que Mozer e Carlos Costa repartiam. Todas as energias eram dirigidas para missões defensivas, por isso dificilmente a bola era transportada para lá do meio-campo. O ataque, ou melhor, as intenções de atacar, ficavam entregues ao acaso. Seria assim até que, em encomenda ou pedido expresso, Ferreira se cansasse da solidão a que tinha sido votado. O brasileiro, na primeira vez em que veio buscar a bola junto de quem não o acompanhava, deixou para trás Pedro Emanuel e Paulo Turra, contornou Ricardo e, quando ia marcar, foi carregado pelo guarda-redes. Uma grande jogada que Alberto Pazos que resolveu premiar com a marcação da grande penalidade. O primeiro remate ainda foi parado por William, mas Ferreira merecia mesmo marcar. Por isso a fortuna consentiu-lhe uma recarga certeira. 

Sanchez

Continua a ser a escassa fonte de magia de uma equipa que premeia a velocidade e dispensa os enfeites. Sanchez sabe que concentra sobre si os olhares de quem vai ao estádio para ser surpreendido, de quem se acomoda na bancada em busca da inspiração que só um drible impossível consegue criar ou um passe vindo do nada. Talvez por isso reveja cada uma das maldadas sempre que prepara mais uma aparição no onze para seleccionar as que lhe parecem mais adequadas ao adversário, ao clima e às condições do relvado. O remate de longa distância, habitualmente preciso, está sempre presente, mas o ritmo de circulação, a altura das assistências e as zonas que frequenta variam, algumas vezes até durante o próprio jogo. Esta noite, Sanchez não correu muito, mas mandou muita gente correr. Também é importante.

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