Aeroporto: ministro avançou, António Costa travou. Muitos pedem a demissão de Pedro Nuno Santos

30 jun, 12:45

O primeiro-ministro, que se encontra fora do país, revogou o despacho de Pedro Nuno Santos sobre o aeroporto. Quer ouvir o PSD e não só. Em comunicado, justifica que "a solução tem de ser negociada e consensualizada com a oposição, em particular  com o principal partido da oposição e, em circunstância alguma, sem a devida informação prévia ao senhor Presidente da República"

O primeiro-ministro determinou a revogação do despacho de Pedro Nuno Santos sobre o aeroporto de Lisboa. Em comunicado, o primeiro-ministro "determinou ao Ministro das Infraestruturas e da Habitação a revogação do Despacho ontem publicado sobre o Plano de Ampliação da Capacidade Aeroportuária da Região de Lisboa".

No mesmo comunicado, António Costa diz ainda que "a solução tem de ser negociada e consensualizada com a oposição, em particular com o principal partido da oposição e, em circunstância alguma, sem a devida informação prévia ao senhor Presidente da República", acrescentando que "compete ao primeiro-ministro garantir a unidade, credibilidade e colegialidade da ação governativa".

Na mesma nota, o primeiro-ministro acrescenta que irá ouvir, "assim que seja possível", o líder do PSD "para definir o procedimento adequado a uma decisão nacional, política, técnica, ambiental e economicamente sustentada".

A notícia do despacho apanhou todos desprevenidos, incluindo António Costa e o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa. Os partidos da oposição já vieram falar em demissão. Mas o primeiro-ministro, que se encontra fora do país, na cimeira da NATO, em Madrid, além do comunicado, escusou-se a falar sobre o assunto.

“Parece que estão a brincar com os portugueses”

Rui Rio considera, por exemplo, que António Costa não tem outra alternativa a demitir o ministro das Infraestruturas. O ainda presidente do PSD lembra que Pedro Nuno Santos já tinha um historial de "desobediência" e "nunca deveria ter voltado ao Governo" após as eleições.

João Cotrim Figueiredo, da Iniciativa Liberal, não tem dúvidas: “No lugar de Pedro Nuno Santos, em 30 segundos tinha escrito a carta de demissão”. O líder da Iniciativa Liberal diz que o que aconteceu entro o ministro e primeiro-ministro foi “inacreditável, humilhação política" e é agora "uma questão de dignidade pessoal”.

“Parece que estão a brincar com os portugueses”, é assim que Inês Sousa Real, líder do PAN, classifica que a polémica em torno dos aeroportos do Montijo e Alcochete. A porta-voz do partido considera ainda que o primeiro-ministro evitou “aquela que seria uma má decisão do Governo”.

Após o anúncio da "decisão errada" de avançar para dois novos aeroportos em Lisboa, o líder do grupo parlamentar do Bloco de Esquerda, Pedro Filipe Soares, fala de um “caos político incompreensível” nos primeiros meses de uma “maioria absoluta”.

Pedro Pinto, do Chega, diz que a revogação do despacho de Pedro Nuno Santos deixa o partido “apreensivo”, porque “demonstra que o governo não está coeso, que não é um governo credível e isso deixa-nos extremamente preocupados”.

“O ministro que deixou de o ser mesmo que decida ficar”

Paula Santos, líder Parlamentar do PCP, desvalorizou o facto do ministro das Infraestruturas se demitir ou não. A deputada realça que o importante é que a “solução necessária para o país” avance, que para os comunistas é só uma: a construção do novo aeroporto de Lisboa no Campo de Tiro de Alcochete.

Nuno Melo, presidente do CDS-PP, ironiza e diz que Pedro Nuno Santos é “o ministro que deixou de o ser mesmo que decida ficar”. O líder centrista acrescenta que “o ministro acabou” e que “só se pode demitir”.

Até Fernando Pinto, presidente da Câmara Municipal Alcochete, confessa ter sido apanhado de surpresa pela revogação de António Costa à construção do aeroporto na região, depois desta promessa ter sido feita pelo ministro das Infraestruturas na quarta-feira. O autarca diz que espera que seja possível encontrar soluções alternativas ao Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa

Recorde-se que quarta-feira foi publicado em Diário da República um despacho assinado pelo secretário de Estado das Infraestruturas, Hugo Santos Mendes, do gabinete de Pedro Nuno Santos, sobre a "definição de procedimentos relativos ao desenvolvimento da avaliação ambiental estratégica do Plano de Ampliação da Capacidade Aeroportuária da Região de Lisboa".

Entre outras medidas, o despacho determina o "estudo da solução que visa a construção do aeroporto do Montijo, enquanto infraestrutura de transição, e do novo aeroporto 'stand alone' no Campo de Tiro de Alcochete, nas suas várias áreas técnicas."

"Os riscos de uma infraestrutura aeroportuária com duas pistas de grande extensão na península do Montijo não obter autorização ambiental para avançar são hoje avaliados como muito elevados. Por este motivo, o Governo deixou, pois, de equacionar a opção Montijo 'stand alone' como viável e, nesse sentido, merecedora de estudo aprofundado", lê-se na exposição de motivos.

No dia em que anunciou os dois novos aeroportos de Lisboa, o ministro das Infraestruturas tentou "descomplicar" a novidade, em entrevista à RTP e deu as suas explicações.

 

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