Objetivo para 2030: reciclar 70% de embalagens

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29 dez 2021, 19:36
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O caminho da produção de resíduos de embalagens em Portugal não tem sido linear.

De acordo com os dados oficiais do Relatório de Estado do Ambiente (REA) 2020-21, verifica-se que, após uma fase de crescimento, a partir de 2009 houve um decréscimo na produção destes resíduos. A tendência voltou a inverter em 2013 e só voltou a descer em 2019.

E qual a percentagem destes resíduos que acaba por ser reciclada? Aqui os dados são mais promissores. Se considerarmos a taxa de reciclagem, o esforço de reciclagem tem aumentado desde 2017, atingindo em 2019 cerca de 63%. Já se tivermos em conta a taxa de valorização de embalagens (somatório da reciclagem e da valorização energética), existe um aumento desde 2016.

Olhando para os diversos tipos de materiais das embalagens, segundo os dados do REA de 2020-21, do Ministério do Ambiente e da Ação Climática e da Agência Portuguesa do Ambiente, I.P. (APA, I.P.), os reis da reciclagem são a madeira (91%), seguida do papel e cartão (71%), do vidro (56%), dos metais (46%), e, por fim, do plástico (36%).

Estes dados mostram que o país tem ainda muito trabalho a fazer para cumprir as metas. Os objetivos do SIGRE – Sistema Integrado de Gestão de Resíduos de Embalagens – estão traçados na legislação nacional, mais precisamente na redação atual do Decreto-Lei n.º 152-D/2017, e mostram que, nos próximos anos, o país tem ambiciosos objetivos para cumprir: até 2025, terá de reciclar, pelo menos, 65% em peso do total de resíduos de embalagens; e até 2030, a meta passa para 70%.

Metas de reciclagem por tipo de materiais de embalagem:

  Até 2025 Até 2030
Plástico 50% 55%
Madeira 25% 30%
Materiais ferrosos 70% 80%
Alumínio 50% 60%
Papel e cartão  75% 85%
Vidro 70% 75%

Estes objetivos colocam desafios de grande complexidade, que exigem respostas adequadas. Mas, para chegarmos lá, é fundamental a participação de todos na hora de separar as embalagens para reciclagem.

É preciso reciclar mais

Os portugueses têm consciência ecológica, mas a mesma não se reflete nos hábitos de reciclagem. Em 2020, cada português produziu em média um total de 512 quilos de resíduos urbanos. De acordo com o REA, estes valores refletem uma estabilização na produção de resíduos urbanos face a 2019, invertendo a tendência de crescimento verificada desde 2014.

Além disso, segundo a APA, I.P., há outro dado preocupante: apesar de se verificar uma evolução favorável da recolha seletiva ao longo dos anos, a taxa de crescimento foi francamente baixa face ao que seria esperado, sendo a maioria da totalidade dos resíduos recolhidos por via da recolha indiferenciada. Isto é, a recolha indiferenciada continua a ser privilegiada face à seletiva.É preciso apostar na sensibilização dos cidadãos para inverter esta realidade, visto que a maioria dos materiais recicláveis continuam a seguir para o lixo indiferenciado. Só através do aumento da separação dos resíduos e da sua colocação nos respetivos ecopontos será possível cumprir, no caso das embalagens, as metas estabelecidas para 2025 e 2030 e evoluir rumo a uma economia mais circular. Para alcançar este ambicioso objetivo, é preciso olhar para todas as frentes.

Vidro: uma volta de 360 graus

A seguir ao papel/cartão, o vidro é o material de embalagem mais reciclado em Portugal. Tudo boas notícias, porque se reciclar significa dar uma nova vida aos materiais, o vidro é o expoente máximo desse conceito. É que o vidro usado em embalagens, como as garrafas de bebidas ou os frascos de perfume, é 100% reciclável, ou seja, dá uma volta completa ao ciclo.

Para que este material possa dar a volta de 360º com sucesso, é fundamental a atenção de todos os agentes da cadeia de consumo que separam, sejam eles o cidadão comum ou o canal Horeca. Por exemplo, nos ecopontos verdes não se pode depositar loiças de cerâmica nem copos, assim como espelhos e lâmpadas. Apenas as embalagens de vidro, como boiões e garrafas, devem seguir para este contentor, por oposição ao lixo indiferenciado.

Afinal, se a garrafa de bebida que deitou na reciclagem pode tornar-se no boião de compota que vai comprar no próximo mês, porque não dar uma nova vida a este material?

Embalagens de cartão: dê-lhes uma nova vida

É bom pensar que o papel que utilizamos diariamente para trabalhar pode ter outro fim que não o aterro. Com os devidos cuidados na hora de separar a sua embalagem de papel e cartão, é possível que se transforme, quem sabe, numa caixa de cartão nova ou numa caixa nova de cereais.

Há diversos tipos de papel e cartão, e grande parte pode seguir para o ecoponto azul. Caixas de cartão, caixas de ovos, sacos de papel, revistas, jornais, folhas brancas de impressão e cadernos, são todos recicláveis. Como tal, devem ser encaminhados, depois de usados, para o ecoponto azul.

Sempre que possível, espalme as embalagens de cartão. Desta forma, reduz o volume que vão ocupar no contentor, diminuindo os custos e a pegada ambiental provocada pelo transporte e armazenamento desses materiais.

Plástico: material para toda a obra

É bem provável que a garrafa de plástico que coloca no ecoponto amarelo possa ajudar a fazer uma peça de roupa ou, quem sabe, uma bandeja para refeições, mas também é possível que venha a ser transformada noutra embalagem idêntica, através do conceito “Bottle to Bottle”.

Para dar novas vidas ao plástico, cabe aos consumidores e às empresas o papel de separar corretamente os materiais. Já sabemos que para o ecoponto amarelo devem seguir todas as latas de alumínio, embalagens de plástico, ECAL (embalagens de cartão para alimentos líquidos) e esferovite. Mas sabia que o filme plástico que utilizou para embalar um alimento pode ser reciclado? É verdade, por isso, deve colocá-lo no ecoponto amarelo.

Ao contrário do que muitos pensam, o plástico é realmente circular. A reciclagem destas embalagens está assegurada a partir do momento em que estes resíduos são separados e colocados no ecoponto amarelo.

Cabe aos sistemas municipais ou multimunicipais fazer a recolha dos resíduos urbanos, logo dos ecopontos. Muitas vezes, esta recolha é de um só material por operação, podendo verificar-se também, a recolha com camiões compartimentados, preservando a separação das embalagens feita pelos consumidores. Depois, as embalagens são transportadas para o centro de triagem, onde ocorre uma nova separação segundo os diversos tipos de plástico (exemplos: embalagens de champô e detergentes, sacos de plástico, ECAL, latas e garrafas de bebidas e refrigerantes). Desta forma, é possível aumentar a qualidade dos materiais e facilitar a sua reciclagem.

Como podem os cafés e restaurantes contribuir?

Neste caminho, os bares, cafés, restaurantes e hotéis, também conhecidos como o canal Horeca, têm um papel fundamental. Enquanto geradores de grandes quantidades de resíduos de vidro, plástico, metal e cartão, provenientes dos bens e serviços que comercializam, têm o dever de separar as embalagens utilizadas e consumidas nos seus estabelecimentos para reciclagem...

Por este motivo, o comportamento destes estabelecimentos é fundamental para o aumento do desempenho ambiental através da correta separação dos resíduos. E, aqui, os protagonistas são tanto os funcionários como os hóspedes e clientes destes estabelecimentos.

  • Os estabelecimentos Horeca podem participar de várias formas:
  • Depositar os resíduos em contentores próprios;
  • Utilizar os ecopontos de rua ou
  • Colaborar na recolha porta a porta.

Já imaginou um mundo em que todas as pessoas reciclassem? Seria, de certeza, mais ecológico e sustentável. Desde os produtores, aos embaladores, comercializadores e consumidores, todos temos uma função a desempenhar e a responsabilidade de trabalhar para um futuro melhor. O caminho passa por educar para a separação dos resíduos, em casa e nas empresas, e contagiar quem está ao nosso redor com o espírito da reciclagem. Se cada um de nós conseguir influenciar uma pessoa, o Planeta irá agradecer.

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