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Bombardeamento "maciço" de mísseis russos atinge Kiev. Ataque foi "um dos maiores" desde o início da guerra

CNN , Tim Lister e Svitlana Vlasova
24 mai, 09:51
Ataque Kiev (Getty Images)
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Ataque surge depois de Putin ter acusado a Ucrânia de um ato "terrorista", alegando que drones ucranianos atingiram um dormitório universitário

Pelo menos quatro pessoas morreram naquele que foi um dos maiores ataques aéreos da Rússia contra Kiev durante a guerra que dura há mais de quatro anos com a Ucrânia.

O ataque noturno à capital ocorreu depois de o presidente russo, Vladimir Putin, ter ordenado uma retaliação por um ataque ucraniano mortal.

Pelo menos quatro pessoas morreram e mais de 62 ficaram feridas durante uma noite de ataques que atingiram várias infraestruturas por toda a cidade, desde edifícios residenciais e um dormitório estudantil até um centro de assistência automóvel e um centro comercial, segundo o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky.

Moscovo disparou 600 drones e 90 mísseis contra a Ucrânia durante a noite, tendo como principal alvo Kiev, de acordo com a Força Aérea ucraniana, que acrescentou que as defesas aéreas abateram 604 das armas aéreas. O ministro dos Negócios Estrangeiros, Andrii Sybiha, descreveu-o como "um dos maiores" ataques à capital.

Zelensky confirmou que a Rússia disparou um míssil hipersónico "Oreshnik" contra Bila Tserkva, uma cidade no centro da Ucrânia, referindo-se a um tipo de arma poderosa russa, acrescentando que 83 pessoas ficaram feridas em todo o país.

"Infelizmente, nem todos os mísseis balísticos foram abatidos. Kiev sofreu o maior número de impactos, e foi Kiev o principal alvo deste ataque russo".

Tymur Tkachenko, administrador militar de Kiev, afirmou numa publicação no Telegram que a capital estava sob um "maciço ataque balístico" e instou todos a permanecerem em abrigos.

Zelensky tinha referido um possível ataque com mísseis Oreshnik já no sábado, e o Departamento de Estado dos EUA tinha dito que a Embaixada dos EUA em Kiev recebeu informação de que um ataque com mísseis poderia ocorrer “a qualquer momento” nas horas seguintes.

"Os nossos serviços de inteligência informaram que receberam dados, incluindo de parceiros americanos e europeus, sobre a preparação pela Rússia de um ataque com o míssil Oreshnik. Estamos a verificar esta informação", escreveu Zelensky na rede X, acrescentando: "Contamos com uma resposta do mundo - e uma resposta que não seja pós-facto, mas preventiva. Deve ser exercida pressão sobre Moscovo para que não expanda a guerra."

(OLEKSII FILIPPOV / AFP via Getty Images)

Uma residente de Kiev, Nataliia Zvarych, que se refugiou numa estação de metro, descreveu uma noite de "horror".

"Caminhámos sob explosões, vimos coisas a voar lá em cima. Foi aterrador, assustador, estamos aqui sentados há mais de três horas, a ouvir as explosões lá em cima", descreveu a financeira de 62 anos à Reuters, classificando o ataque russo como "horrível".

Nataliia Shevchenko, professora de História na Universidade Nacional Taras Shevchenko de Kiev pediu uma posição mais decisiva da comunidade internacional, incluindo dos países da NATO.

"Continuamos a esperar que o agressor seja punido", disse a mulher de 49 anos, também abrigada na estação de metro com o filho, à Reuters.

O ataque surge depois de Putin ter acusado a Ucrânia de um ato "terrorista", alegando que drones ucranianos atingiram um dormitório universitário em Starobilsk, uma cidade ocupada pela Rússia no leste de Luhansk, na sexta-feira. O presidente russo ordenou ao ministério da Defesa que apresentasse propostas para uma resposta de retaliação.

A agência estatal russa TASS noticiou no sábado que o número de "crianças mortas no ataque de drones ucraniano" subiu para 18, citando o ministério das Situações de Emergência da Rússia. Acredita-se que mais três pessoas estejam presas sob os escombros.

Um número de vítimas deste tipo num ataque ucraniano seria muito raro tão longe da linha da frente e sem visar qualquer instalação militar evidente.

As forças armadas ucranianas rejeitaram as alegações de Putin e acusaram os meios de comunicação russos de divulgarem "informação manipuladora" sobre o ataque. Reiteraram que atingem "infraestruturas militares e instalações usadas para fins militares". O exército acrescentou que, entre os alvos atingidos na madrugada de sexta-feira, estava "um dos quartéis-generais da unidade ‘Rubicon’ na área de Starobilsk".

O Centro de Tecnologias Avançadas Não Tripuladas Rubicon, uma unidade de elite, tem desenvolvido tecnologia de drones russos e sistemas de targeting desde a sua criação em 2024.

(OLEKSII FILIPPOV / AFP via Getty Images)

A Ucrânia intensificou, nas últimas semanas, os ataques com drones de longo alcance. Reivindicou dois ataques a instalações militares russas em território ocupado no início desta semana.

Uma vaga de ataques atingiu um campo de treino de pilotos de drones russos na cidade ocupada de Snizhne, matando pelo menos 65 cadetes e um instrutor na noite de quarta-feira, segundo o comandante das Forças de Sistemas Não Tripulados da Ucrânia.

Robert Brovdi afirmou que o ataque visou um complexo com 2.484 metros quadrados, que albergava drones e explosivos, bem como um posto de comando.

Imagens divulgadas nas redes sociais na noite de quarta-feira mostraram também um edifício em chamas em Snizhne, que a CNN geolocalizou como sendo na mesma área do campo de treino de drones.

Outro conjunto de ataques atingiu um quartel-general dos serviços de segurança russos e um sistema de defesa aérea na região de Kherson, na Ucrânia ocupada, matando e ferindo quase 100 russos, afirmou Zelensky na quinta-feira.

As alegações ucranianas de números de baixas tão elevados são invulgares, e a CNN não conseguiu verificá-las de forma independente.

A Ucrânia desenvolveu um arsenal de drones de médio e longo alcance capazes de realizar ataques profundos contra infraestruturas militares e energéticas russas.

Zelensky disse no sábado que os serviços de segurança atingiram "uma das importantes empresas do complexo militar-industrial da Rússia" a 1.700 quilómetros dentro do território russo.

O alvo foi uma fábrica química em Perm Krai, segundo Zelensky, que fornece uma série de produtos às forças armadas russas. O presidente ucraniano publicou um vídeo que alegadamente mostra fumo a elevar-se da instalação.

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