Este é o plano de 10 pontos que Zelensky tem para a paz e de que a Rússia não gosta

15 nov, 15:19
Zelensky (Ukrainian President's Office)

Presidente ucraniano aborda questões territoriais e de segurança mundial

O presidente da Ucrânia apresentou esta terça-feira um plano de 10 pontos para alcançar a paz com a Rússia, que invadiu o país a 24 de fevereiro, lançando uma guerra com proporções globais.

Por isso mesmo, esse foi o tema central do G20, cimeira que reúne os países mais ricos do mundo e que se realiza em Bali, na Indonésia. Volodymyr Zelensky aproveitou o palco para, através de uma videochamada, traçar as linhas que considera essenciais para a resolução do conflito:

  • Segurança radioativa e em relação a armas nucleares;
  • Segurança alimentar;
  • Segurança energética;
  • Libertação de prisioneiros e doentes;
  • Implementação da carta das Nações Unidas;
  • Retirada das tropas russas e cessação das hostilidades;
  • Justiça;
  • Proteção ambiental e ecocídio;
  • Prevenção da escalada militar;
  • Confirmação do fim da guerra.

Não ficou claro o ponto sobre a retirada das tropas russas, mas, a julgar pelo que tem vindo a ser a narrativa ucraniana, isso inclui não só as regiões ilegalmente anexadas - Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporizhzhia - como também a península da Crimeia, território perdido pela Ucrânia em 2014.

"Existe uma fórmula ucraniana para a paz. Paz para a Ucrânia, Europa e mundo. E existe um conjunto de soluções que podem ser implementadas para garantir a paz", afirmou o presidente ucraniano.

Fora de hipótese estará uma solução semelhante ao Minsk-3, acordo alcançado em 2015. Após a participação na cimeira que decorre em Bali, o presidente ucraniano publicou um comunicado no seu canal do Telegram em que afirma que "não haverá Minsk-3", um acordo assinado para tentar garantir a paz nas regiões separatistas de Donetsk e Lugansk.

"A Ucrânia sempre foi líder nos esforços de manutenção da paz e o mundo viu isso. E se a Rússia diz que supostamente quer acabar com esta guerra então que prove isso com ações. Não permitiremos que a Rússia espere, reforce as suas forças e inicie uma nova série de terror e desestabilização global. Não haverá Minsk-3, que a Rússia violará imediatamente após o acordo. Existe uma fórmula ucraniana para a paz. Paz para a Ucrânia, a Europa e o mundo. E há um conjunto de soluções que podem ser implementadas para realmente garantir a paz. Tendo participado da cúpula do G20, apresentei propostas para tais soluções – específicas e honestas. A Ucrânia pede aos principais estados do mundo para serem cocriadores da paz juntamente connosco."

Kremlin reage

Também em Bali, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia assinalou que as condições pedidas pelo presidente da Ucrânia são "irrealistas". Sergei Lavrov revelou que tem mantido conversações com os líderes de França e Alemanha para a resolução do conflito, mas acusa Kiev de não querer falar com Moscovo.

Já o porta-voz do Kremlin disse que as declarações de Volodymyr Zelensky significam que a Ucrânia não está verdadeiramente interessada em conversações de paz. Dmitry Peskov diz que a Rússia vê a negação de um acordo semelhante ao Minsk-3 como a confirmação disso mesmo.

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