Raios, coriscos e muito fumo: vendaval tardio no Clássico acaba em depressão no Dragão
Harry, Ingrid, Joseph, Kristin, Leonardo, Marta… Tudo haveria de culminar numa depressão tardia em pleno Dragão.
O comboio de tempestades parou no Clássico e fez o duelo entre FC Porto e Sporting terminar de uma forma inglória para os líderes do campeonato e épica para os bicampeões nacionais.
Pelo sexto jogo consecutivo, o Sporting acaba por se salvar depois dos 90 – um desses, no prolongamento, diga-se. Depois de cinco vitórias, um empate que sabe quase ao mesmo, quando FC Porto se preparava para restabelecer na Liga a larga vantagem de sete pontos para o seu mais direto perseguidor.
Mais fumo do que chama
Depois do nevoeiro, da chuva, do frio e do vento, a chama do Clássico demorou a deflagrar.
De início, Rui Borges lançou Morita ao lado de Hjulmand, em detrimento de João Simões. Farioli faz três mudanças em relação ao onze que perdeu diante do Casa Pia: Kiwior, Alberto Costa e Froholdt entraram para os lugares de Thiago Silva, Francisco Moura e Pablo Rosario.
O FC Porto baixou linhas, chegou a encolher a 20 metros e a dar iniciativa de jogo ao Sporting, que se mostra sempre mais imprevisível em ataque organizado, com trocas posicionais na frente. Nos raros momentos em que dispunha de uma transição rápida, a equipa de Rui Borges tentava criar perigo, sobretudo pela ala direita, por Geny Catamo. Nos dragões a equipa desdobrava-se com saída de bola dos centrais e tentativas de tabela no pivot Samu.
Se faltava chama, sobrava fumo. Depois da ameaça do nevoeiro, os problemas de visibilidade foram outros e o Clássico esteve interrompido quase cinco minutos pelas tochas lançadas na bancada sul, dos Super Dragões. Foi um dos raros imprevistos numa primeira parte demasiado calculista, que se saldava ao intervalo em parcos 2-1 em remates para o FC Porto e 51%-49% em posse de bola para o Sporting.
Muito pouco em meio jogo que ainda teve a lesão de Samu – rendido por Deniz Gul para a segunda parte.
Faltava perceber se o FC Porto esperava pela quebra física do Sporting, por ter jogado 120 minutos na passada quinta-feira, ou jogava com o conforto anímico de lhe servirem dois resultados – com o empate a manter os quatro pontos de distância, além da vantagem no confronto direto.
A mão que desacertou o relógio de Farioli
Haveria, de facto, de acabar assim o Clássico, mas antes disso a segunda teve bem mais que contar.
Houve raios e coriscos, sobretudo quando Farioli apostou mais na dimensão física ao lançar em jogo Seko Fofana.
O reforço de inverno teve uma bênção à chuva na sua estreia. Entrou numa tripla substituição para a última meia hora de jogo (64m) e 13 minutos depois encontrou o caminho das redes num lance de água mole em pedra dura, com uma e outra recarga, até o Dragão cuspir fogo com o 1-0 no marcador.
Se Rui Borges não se separa do seu Casio de 20 euros, Farioli também puxou pelo relógio – talvez um mais luxuoso Panerai, pela origem florentina – para fazer correr o tempo.
Se o Sporting tem recursos de sobra em ataque organizado, o FC Porto dá lições a defender. Até que Martim, que esteve em dúvida para o jogo com uma lesão no pé, saiu limitado fisicamente aos 85m e acabou rendido por Francisco Moura.
Uma brecha na muralha. Com limitações técnicas e descontrolo emocional evidentes, lateral de raiz entrou para o lugar do lateral adaptado e acabou mesmo por comprometer.
Depois de um atraso quase mortal para Diogo Costa, foi de Moura a mão que desacertou o relógio a Farioli. Fez penálti no último suspiro do jogo e deu a Luis Suárez a oportunidade para fazer o empate justo, na recarga de uma grande penalidade que Diogo Costa defendeu num primeiro momento.
E o empate voltou a saber a derrota
Depois do vendaval, do fumo e do fogo, o Dragão ficou gelado.
O campeonato continua em aberto. Ainda assim, há que colocar tudo em perspetiva.
Há exatamente um ano e dois dias, o FC Porto recebeu o Sporting. Também na jornada 21, também com o Clássico a terminar empatado 1-1, com o golo nos descontos então a ser marcado pelos azuis e brancos.
A verdade é que, nessa altura, Anselmi festejou o resultado que deixou a sua equipa com oito pontos de desvantagem sobre o Sporting, que viria a ser campeão.
Neste tempo de Farioli o empate sabe a derrota, mesmo que o rival fique atrás ainda quatro pontos.
Mesmo depois de perder cinco pontos nas últimas duas jornadas, quando tinha apenas perdido dois nas 19 anteriores, aí está a melhor imagem do quanto cresceu o FC Porto em apenas um ano. E, para já, salvo maiores revelações que a reta final possa trazer, essa é a grande novidade desta Liga.
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— VSPORTS (@vsports_pt) February 9, 2026
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