Mourinho: «O Benfica mereceu perder, fizemos uma primeira parte horrível»

7 jan, 22:45
José Mourinho no Benfica-Sp. Braga (PAULO CUNHA/LUSA)
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Treinador do Benfica deixa vários reparos à prestação da equipa nos primeiros 45 minutos

Declarações do treinador do Benfica, José Mourinho, à SportTV, após a derrota por 3-1 ante o Sp. Braga, nas meias-finais da Taça da Liga:

O que não correu bem:

«Eu peço desculpa ao Sp. Braga e ao Carlos [Vicens], não consigo dizer que o Sp. Braga mereceu ganhar, eu tenho é de dizer que o Benfica mereceu perder, que é diferente. Fizemos uma primeira parte horrível, com exceção dos primeiros cinco minutos, onde até criamos uma ocasião para marcar. A partir do momento em que o João Pinheiro assinalou o penálti que depois reverte, porque é fora da área, em vez de haver um clique no sentido de “não é penálti [para o Sp. Braga]”, acho que houve um clique inexplicável de negatividade, nervosismo, qualidade horrível em posse de bola, perdas de bola incríveis, com o Zalazar a explorar bem a profundidade no nosso lado direito. Com um segundo golo inaceitável. E, obviamente, não inaceitável por parte do Otamendi que já tinha amarelo e não podia acabar com a ação, mas uma primeira parte horrível a todos os níveis, do ponto de vista mental e técnico. Depois, com tantos erros técnicos, parece-te que há erros de análise tática e não foi isso que aconteceu, na minha opinião. Mas uma primeira parte horrível, inaceitável numa meia-final de uma competição e em qualquer circunstância. Inaceitável, nem que estivéssemos a fazer um jogo de pré-época com um dos nossos vizinhos, Seixal ou Amora, no centro de estágios.»

«Na segunda parte, o oposto. Inexplicável, também, com uma equipa que foi corajosa, agressiva, começou a ganhar duelos, a jogar, a meter o Sp. Braga encostado às cordas. Acreditámos e, ao intervalo, falámos disso. Era importante o primeiro golo e, a partir daí, continuar a apertá-los mais. Depois, o 3-1 é inexplicável. Quando as equipas estão à procura de virar resultados, não podemos cometer erros defensivos. Fizemos as substituições do Ivanovic e do Cabral para tentar dar mais profundidade e presença na área e, numa bola parada, longe da área, sofremos o terceiro golo, que é a cereja no topo do bolo, no sentido de quem merece perder, voltou a fazer qualquer coisa para merecer perder.»

Se está insatisfeito também com exibições individuais:

«Há coisas que se podem dizer internamente e não se podem ou devem dizer externamente. Normalmente, não falo no balneário depois dos jogos. Hoje falei, num tom crítico, mas calmo. Não houve portas pelo ar, nem nada que se pareça. Tive uma conversa, que acaba por ser um monólogo, porque não os senti em condições de conversarem e de se abrirem. Mas houve exibições individuais inaceitáveis, rendimentos individuais muito baixos, que se traduzem numa performance coletiva muito fraca na primeira parte.»

Se o preocupa o próximo jogo ser com o FC Porto:

«Vamos jogar contra a equipa mais forte em Portugal neste momento, os pontos assim o dizem. Não tenho a certeza se o João Pinheiro será assim com todos os capitães de equipa que ele apita. Se calhar é bom para o currículo dele expulsar um campeão do mundo. Com o António Silva e o Otamendi de fora, ir ao Dragão com o Tomás Araújo e um miúdo dificulta ainda mais, mas esperemos que, com o orgulho ferido e com o sentimento de culpa que acho que todos devemos sentir, confio que os jogadores possam dar o melhor de si próprios. Mas quem faz o jogo que faz na primeira parte e quem tem níveis de confiança e de autoestima como na primeira parte, deixa um ponto de interrogação.»

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