A famosa "festa do vinho e do queijo" e outros escândalos: a vida de Boris

6 jun, 10:53
Primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson (Tolga Akmen/ via AP Photos)

Primeiro-ministro britânico enfrenta esta segunda-feira uma moção de censura a propósito do escândalo ‘partygate’. Em causa estão violações ocorridas durante os confinamento devido à covid-19

Quantos confinamentos houve no Reino Unido desde a chegada da covid-19?

Três, mas houve vários momentos em que os britânicos foram aconselhados a ficar em casa e a isolar-se o mais possível, estando os convívios sociais muito limitados e durante grande parte do tempo restritos ao agregado familiar. Desde 2020, o Reino Unido, sobretudo Inglaterra, levou a cabo três grandes confinamentos: o primeiro a 23 de março, dias depois de terem sido detetados os primeiros casos de covid-19, e foi prolongado por mais três semanas a 16 de abril, sendo que as medidas foram levantadas muito gradualmente no verão; o segundo confinamento começou a 22 de setembro do mesmo ano; o terceiro - e último - grande confinamento começou a 6 de janeiro de 2021 e as medidas foram sendo gradualmente levantadas até 14 de setembro do ano passado, o chamado ‘dia da libertação’.

Em quantos eventos esteve Boris Johnson?

O primeiro-ministro esteve presente em pelo menos seis eventos durante os confinamentos e períodos de restrição - todos eles com alegados motivos profissionais. Da parte do Partido Conservador, com ou sem Johnson, foram oito festas, duas delas no mesmo dia, e seis reuniões ‘sociais’ e com bebidas à mistura, relata a BBCNo total, foram 16 os convívios - sociais, laborais e pessoais, sendo que uma das festas foi a do aniversário do próprio Boris Johnson. Foram emitidas mais de 100 multas a elementos do Partido Conservador e 12 dos eventos foram investigados pela polícia.

Quando foram as festas e eventos em que Boris Johnson esteve presente?

A primeira aconteceu a 15 de maio, no jardim de Downing Street, mas não consta na investigação policial. À data, o convívio aconteceu ao ar livre mas estavam mais de 15 pessoas e pouco distanciadas - ficou conhecida como a ‘festa do vinho e do queijo’, depois de o The Guardian ter partilhado fotografias. As restrições em vigor nesse momento diziam que as saídas de casa deveriam ser apenas feitas quando estritamente necessário e que os convívios com pessoas fora do agregado familiar estavam limitados a uma pessoa e deveriam acontecer ao ar livre. Cinco dias depois, a 20 de maio, o primeiro-ministro reuniu-se com cerca de 30 pessoas. Para este evento no jardim nº 10 com “bebidas socialmente distanciadas” foram convidadas cerca de uma centena de pessoas. Este evento foi investigado pela polícia, que determinou que violou as regras em vigor à data. Boris Johnson pediu desculpa e disse que esteve com os convidados apenas 25 minutos. A terceira festa a violar as regras em vigor aconteceu a 19 de junho, a propósito do aniversário do próprio Boris Johnson. Neste convívio, estiveram presentes 30 pessoas, mas as restrições à data em vigor determinavam que os convívios interiores estavam limitados a duas pessoas. Pelo menos três participantes receberam uma multa, incluindo Boris Johnson.

A 13 de novembro de 2020 foram marcadas duas reuniões por motivos profissionais, sendo que uma delas foi na residência do primeiro-ministro e serviu como festa de despedida para Dominic Cummings, conselheiro especial do governante. Houve álcool - e até paredes manchadas de vinho tinto - e a ITV News partilhou imagens do convívio, que durou até às primeiras horas da madrugada. Este convívio, diz o The Wall Street Journal, tinha como tema a banda ABBA. No início de novembro, o primeiro-ministro tinha anunciado novas restrições e proibia os convívios com pessoas fora do agregado familiar, a não ser que fossem por motivos profissionais. 

Outro convívio social aconteceu ainda em novembro, no dia 27, a propósito da saída de Cleo Watson. Boris Johnson esteve presente, até discursou, mas o evento não foi investigado pela polícia.

A 15 de dezembro de 2020, Downing Street organizou um questionário de Natal para os seus funcionários, mas tudo o que parecia ser uma reunião de trabalho mostrou parecer ser uma festa de Natal, com um dos assessores do primeiro-ministro com um gorro de Pai Natal e junto de enfeites natalícios. O evento não foi investigado pela polícia e Boris Johnson diz ter participado virtualmente, mas estava numa sala com pelo menos mais duas pessoas, numa altura em que os convívios fora do agregado familiar estavam banidos.

E agora?

Para já, e apesar das críticas e polémicas, Boris Johnson mantém-se firme em rejeitar a sua própria demissão. Em abril, o primeiro-ministro britânico já tinha vindo a público pedir desculpa pelo seu comportamento durante o período de confinamento, mas manteve-se - e mantém-se - firme na hora de dizer que não se demite. As críticas dentro do próprio partido são muitas, mas por parte do opositor Partido Trabalhista são cada vez mais intensas.

No entanto, o futuro de Boris Johnson enquanto líder do partido conservador é decidido hoje. O primeiro-ministro britânico vai enfrentar esta segunda-feira, ao final da tarde, entre as 18:00 e as 20:00, uma moção de censura. Em causa está o chamado ‘partygate’ - em que o governante esteve em festas durante o período de confinamento imposto para mitigar a propagação do SARS-CoV-2. A posição de Johnson face ao Brexit também está a dividir o partido.

A votação é secreta e o resultado será conhecido ainda hoje. Se perder a confiança de mais de metade dos conservadores, Boris Johnson não poderá voltar a candidatar-se a líder do partido.

Esta segunda-feira, o antigo secretário de Estado das Finanças Jesse Norman juntou-se ao grupo de críticos, enumerando numa carta uma série de razões, incluindo o escândalo das festas e a intenção de legislar para suspender partes do Protocolo da Irlanda do Norte do Acordo do Brexit.

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