Futebol de um miúdo que já é jogador de futebol Há meses, Maisfutebol analisou Quaresma. Nesta segunda-feira, brilhou frente ao Salgueiros, com golo de antologia na vitória leonina por 5-1.
Bilhete de Identidade:
Nome: Ricardo Quaresma
Posição: Extremo-direito (ou esquerdo)
Clube: Sporting
Pontos fortes: drible, técnica, cruzamentos
Pontos fracos: marcação, passe, experiência
Data de nascimento: 26-09-1983 (17 anos)
Local de nascimento: Lisboa
Primeiro clube: Sporting
Futuro: aposta frequente de Lazlo Bölöni
Inevitáveis são já as comparações com Luís Figo, Simão Sabrosa e Futre, os três expoentes máximos da cantera do Sporting. No entanto, para o miúdo de 17 anos que Lazlo Bölöni convocou para o estágio de pré-temporada e acabou por ficar no plantel, é ainda cedo de mais. Ricardo Quaresma é... Ricardo Quaresma, um dos jogadores mais promissores do futebol português. Mas foi descoberto apenas este ano e tem ainda muito futebol pela frente.
Dribles. Mudanças de Velocidade. Sprints. Cruzamentos. É este o futebol de Quaresma. Quase poético. Quase puro. Quase ingénuo. Um futebol de ataque, de olho da baliza e no adversário directo. No um para um. É um extremo já perigoso, já decisivo, ao qual não deve ser dado um milímetro de espaço, sob risco de o miúdo correr imparável pela linha fora e causar graves estragos na defesa. Mas é também um elemento que pouco defende, o que cria desequílibrios na sua própria equipa.
Ricardo Quaresma é daqueles miúdos que gostam de jogar à bola. Que deve ter treinado vezes sem conta nas estradas de alcatrão nas traseiras da sua casa. Que talvez tenha aprumado à sexta todas as fintas que utilizaria no domingo seguinte nos campos de pó, que tinham balizas feitas de traves de madeira pregadas, apanhadas de uma obra qualquer. Quaresma faz lembrar ainda as crianças a jogar a futebol. Quando usam e abusam das fintas. Quando não defendem porque não tem piada. E quando gritam o nome dos ídolos - «Maradona!», «Pelé!», «Figo!»... «Quaresma!» - na altura em que marcam um golo.
O extremo do Sporting tem esse jeito de «traquinas». Só lhe falta morder levemente a língua enquanto finta e usar um boné com a pala para trás para que vejamos um miúdo de bermudas com uma bola nos pés. Aos 17 anos, será preciso recuar assim tanto no tempo? Essa imagem está assim tão distante da realidade? Quaresma tem esse jeito de menino que quer marcar golos e acha defender uma chatice, essa vontade de correr por ali fora e gritar o nome de Figo, talvez, quando marcar um golo... Só que os campos já não são mais de alcatrão ou de pó e a pressão de não falhar é bem maior do que as críticas dos amigos-gozões.
Marcou dois golos na pré-temporada e teve o seu baptismo de fogo, em jogos oficiais, na primeira jornada do campeonato, frente ao F.C. Porto. Esteve longe de ser o homem do jogo, mas contribuiu, à sua maneira, para a vitória. Entrou para o lugar do lesionado Sá Pinto e teve pela frente Mário Silva, ex-internacional sub-21 português. Frente ao ex-futebolista do Nantes, Quaresma não teve vida fácil. Passou mesmo por um quarto de hora terrível, na segunda parte, durante o qual falhou inúmeros passes e deixou que a bola fosse cortada várias vezes pelo defesa-esquerdo. Mas, tal e qual um miúdo, não sentiu a pressão. Continuou a tentar o drible. Curto. E este voltou a sair. Quando se «reacendeu» na partida, esteve incontrolável.
Bölöni conhece as limitações do miúdo, o qual considera que não é ainda jogador de futebol. O técnico romeno tem conseguido controlar desta forma a pressão sobre um jogador de 17 anos que precisa ainda de evoluir muito, sobretudo nos aspectos tácticos. Quaresma tem provado, aos poucos, que já é aquilo que Bölöni ainda publicamente lhe nega. Mas ainda tem muito a aprender. E o tempo corre a seu favor...