Líder da Fretilin desafia Xanana Gusmão para diálogo

Agência Lusa , BMA
27 jan, 09:10
Xanana Gusmão

"Convido Xanana Gusmão para, se tiver coragem, nos sentarmos juntos, para fazer um balanço do que aconteceu até agora", disse

O líder da Fretilin, maior partido timorense, desafiou esta quinta-feira Xanana Gusmão, líder do CNRT, e outros líderes nacionais para que se encontrem para fazerem um balanço dos 20 anos desde a restauração da independência do país.

“No quadro das eleições presidenciais, quero contribuir para a paz e a estabilidade e o Estado de Direito democrático. E por isso considero que é tempo para nós todos, a geração de 1974 e 1975, procurar fazer um balanço sobre Timor-Leste depois da restauração da independência”, afirmou em conferência de imprensa.

“Por isso, convido Xanana Gusmão para, se tiver coragem, nos sentarmos juntos, para fazer um balanço do que aconteceu até agora. Quero que a liderança de 1974-75 se junte, porque temos que avançar como país, todos juntos temos que avançar”, disse.

Mari Alkatiri, secretário-geral da Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin), falava aos jornalistas numa conferência de imprensa conjunta com o vice-secretário-geral, José Reis, e o presidente do Parlamento Nacional, Aniceto Guterres Lopes, além de outros dirigentes.

“Não podemos estar com a nostalgia doentia que impede o país de avançar. A liderança de 74 e 75 tem que ter capacidade de impor uma dinâmica de transição. E quando falo de transição, é para o melhor, para consolidar a paz e a estabilidade”, explicou.

O secretário-geral da Fretilin afirmou que a Comissão Política Nacional (CPN) do partido se reúne na sexta-feira para analisar a situação política, mas também para “reafirmar o apoio da Fretilin ao candidato Francisco Guterres Lú-Olo”, atual chefe de Estado e que se recandidata na votação de março.

“Toda a máquina da Fretilin dá o seu apoio ao candidato Lú-Olo, que é agora Presidente. Tem uma visão nacional para o país. Apesar de ser um candidato independente, é presidente da Fretilin e é obrigação da Fretilin dar o seu apoio”, afirmou.

“A visão do Lú-Olo que mostrou durante o seu mandato (...) foi uma visão inclusiva, nacional e que continua o programa para reforçar o Estado e contribuir para o desenvolvimento sustentável do país”, enfatizou.

Questionado pela Lusa, Alkatiri confirmou que a última vez que falou com Xanana Gusmão foi, ao telefone, em 2017, não revelando o conteúdo da conversa.

“Mas isso não significa que não podemos voltar a falar. Sim, fazer balanço é importante. Todos reclamam que fizeram mais que os outros. Não estou a dizer que tem que ser um debate público. Se ele vai responder ou não depende dele”, considerou.

Escusando-se a comentar outras candidaturas - nomeadamente a do ex-Presidente José Ramos-Horta - Alkatiri considerou porém que a exigência do Congresso Nacional da Reconstrução Timorense (CNRT) de que se for eleito tem que dissolver o parlamento é “inaceitável”.

“Mas José Ramos-Horta sabe o que faz”, sublinhou.

Sobre a candidatura do chefe demissionário das Forças de Defesa de Timor-Leste (F-FDTL), Lere Anan Timur – também militante da Fretilin – Mari Alkatiri rejeitou que isso traduza divisões internas.

“Que ele é da Fretilin não tenho dúvida. Mas no passado já houve outros candidatos da Fretilin que se apresentaram contra Lú-Olo.O povo vai saber como votar e em quem votar”, disse à Lusa.

“Quem é militante sabe que tem que haver disciplina institucional. Sou a pessoa que mais respeito o general Lere, mas eu também sou fundador e não reclamo para mim ser candidato a Presidente da República. Aqui não há funções predestinadas. O Estado é o Estado”, enfatizou.

Sobre a possibilidade da formação de uma nova maioria no Parlamento Nacional, Mari Alkatiri disse que “uma nova maioria sem a Fretilin não e contra a Fretilin muito menos”.

As eleições presidenciais decorrem a 19 de março.

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