Como este “tanquezinho” destruiu mais de 80 drones russos na passagem de ano em Kiev

9 jan, 23:02
Gepard (AP)

Berlim enviou 30 destes veículos para a Ucrânia no ano passado e planeia enviar mais sete

Os drones iranianos são uma das maiores dores de cabeça para as forças armadas da Ucrânia, desde que foram introduzidos na guerra. Durante meses, os silenciosos shaded-136 espalharam o terror e destruíram várias infraestruturas críticas ucranianas, mas há um veículo enviado pela Alemanha que está a tornar-se num verdadeiro antídoto contra esta arma russa.

Na passagem de ano, segundo Volodymyr Zelensky, os sistemas de defesa antiaérea ucranianos destruíram 80 drones e mísseis que voavam em direção a Kiev. O culpado? O poderoso Panzer Gepard alemão, uma espécie de tanque de guerra altamente blindado, com lagartas, que possui duas metralhadoras de 35 milímetros guiadas por radar.

Berlim enviou 30 destes veículos o ano passado e planeia enviar mais sete. O facto de ser uma arma antiaérea sob chassis faz com que seja a arma perfeita para defender os céus e mudar rapidamente de localização, defendendo outra região momentos depois. A Ucrânia diz ter destruído mais de 540 drones, um número muito elevado, embora seja difícil de comprovar.

Não sendo um carro de combate pequeno – pesa 47,5 toneladas e é operado por uma tripulação de três pessoas –, quando comparado com um sistema de defesa antiaérea como o S-300 ou o Patriot, o Gepard tem uma dimensão reduzida.

Criado em 1963, pela Krauss-Mafei, o Gepard é um produto da Guerra Fria. Ao todo, foram produzidas 570 unidades, mas esta é primeira vez que estas armas antiaéreas foram utilizadas em combate.

Apesar de um desempenho excecional contra aquela que é uma das maiores ameaças para a Ucrânia, o volume de mísseis e de ataques de drones russos faz com que o número de veículos e de munições esteja muito aquém do necessário. E nenhum dos dois pode ser resolvido do dia para a noite.

O primeiro problema começa com as munições. Uma grande parte das munições de 35mm utilizadas pelo Gepard são fabricadas na Suíça. Porém, a postura neutral do país faz com que tenha rejeitado todos os pedidos alemães para a exportação de munições para a Ucrânia. Berlim pediu ao governo suíço em outubro 12.400 munições, mas a Suíça rejeitou.

Em dezembro, a empresa industrial-militar Rheinmetall anunciou que vai abrir uma nova linha de produção de munições de 35mm, no entanto, esta só estará a funcionar perto do final de 2023. 

A incapacidade por parte do Ocidente de conseguir aumentar a produção de munições e armamento que a Ucrânia precisa está a preocupar as autoridades dos países da NATO. Esse é um dos motivos da insistência do Ocidente em enviar os antigos sistemas produzidos pela União Soviética que existem espalhados pelo mundo.

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