Estudo do genoma pode ser "chave" para sobrevivência de tartarugas marinhas

Agência Lusa , MJC
8 fev 2023, 16:15
Tartarugas marinhas (Foto: H. Juanda/AP)

O estudo da Universidade do Porto permitiu descobrir, entre outras coisas, que as tartarugas verdes desenvolveram mais genes dedicados à imunidade, sugerindo um sistema imunitário mais bem preparado

Investigadores do Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental (CIIMAR) da Universidade do Porto desvendaram que o estudo do genoma das tartarugas verdes e das tartarugas de couro pode "ser a chave" para a sobrevivência destas espécies marinhas.

Em comunicado, o centro da Universidade do Porto revela que a investigação, publicada na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, revelou a organização do genoma de "duas espécies icónicas": as tartarugas verdes (Chelonia mydas) e as tartarugas de couro (Dermochelys coriacea).

Liderado pela Universidade de Massachusetts (Estados Unidos da América), o estudo contou com a participação de 48 investigadores.

As características agora desvendadas, através da organização do genoma, podem ser "a chave" para a sobrevivência destas espécies, especialmente "num mundo em rápida mudança".

Recorrendo a tecnologias inovadoras, o estudo permitiu descobrir que os genomas das tartarugas verdes e das tartarugas de couro são "notavelmente semelhantes", apesar de terem sido observadas "diferenças que as tornam únicas" e que foram alvo de escrutínio pelos investigadores, uma vez que os animais estão em perigo de extinção.

"O estudo permitiu descobrir que as tartarugas verdes desenvolveram mais genes dedicados à imunidade, sugerindo um sistema imunitário mais bem preparado", refere o CIIMAR.

A par dos genes dedicados à imunidade, esta população de tartarugas desenvolveu também mais recetores olfativos que auxiliam a navegação, ocupação de diversos ambientes e uma especialização da dieta.

Já o genoma das tartarugas de couro, que historicamente têm níveis populacionais mais baixos, demonstrou "uma diversidade genética mais reduzida".

A investigação desenvolvida permitiu ainda compreender os mecanismos de determinação sexual dependente da temperatura e que influenciam a dinâmica populacional, assim como a conservação das espécies.

"Tornou-se também clara a relevância dos microcromossomas, em tempos considerados como 'lixo genético', apoiando o seu papel crítico na adaptação evolutiva dos vertebrados", acrescenta o CIIMAR.

Citado no comunicado, o investigador do CIIMAR Agostinho Antunes afirma que os resultados são "surpreendentes" ao revelarem "particularidades dos genomas de referência de duas espécies carismáticas de tartarugas marinhas".

Os resultados conseguidos com o estudo, salienta o centro, fornecem "recursos inestimáveis para avançar na compreensão das melhores práticas de evolução e conservação nestes vertebrados em perigo de extinção".

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