Todas as pessoas nesta imagem estão dadas como mortas - não são as únicas

CNN , Kareem Khadder, Abeer Salman e Oren Liebermann
25 ago 2025, 13:52

Houve um primeiro ataque de Israel a um hospital em Gaza, esta segunda-feira. Jornalistas, profissionais de saúde e equipas de emergência deslocaram-se ao local após esse momento. Mas houve um segundo ataque: um vídeo obtido pela CNN mostra o porta-voz do hospital e chefe de enfermagem a segurar um pano ensanguentado após o primeiro ataque, mas entretanto uma nova explosão sacode o edifício

Mais de uma dezena de pessoas mortas em ataques israelitas a um hospital no sul de Gaza, incluindo jornalistas, afirmam as autoridades

por Kareem Khadder, Abeer Salman e Oren Liebermann, CNN

 

Mais de uma dezena de palestinianos morreram em dois ataques israelitas a um hospital no sul de Gaza, incluindo jornalistas de vários órgãos de comunicação, segundo o Complexo Médico Nasser.

O Ministério da Saúde palestiniano referiu que pelo menos 20 pessoas morreram no ataque desta segunda-feira, havendo muitas outras pessoas feridas.

Israel realizou ataques consecutivos ao hospital em Khan Younis, separados por apenas alguns minutos, disse o ministério. Os ataques em “dupla ação” mataram jornalistas, profissionais de saúde e equipas de emergência que tinham acudido ao local após o ataque inicial, acrescentou o Hospital Nasser.

Os jornalistas mortos foram identificados como Mohammad Salama, repórter de imagem da Al Jazeera, Hussam Al-Masri, colaborador da Reuters, e Mariam Abu Dagga, que trabalhou com a Associated Press e outros órgãos de comunicação ao longo da guerra. Moath Abu Taha, jornalista freelancer que colaborava com a NBC, também morreu no ataque, acrescentou o hospital.

Os ataques israelitas atingiram uma varanda do hospital utilizada pelos jornalistas para obter uma vista elevada de Khan Younis.

Mariam Abu Dagga Instagram

A organização de Defesa Civil de Gaza relatou também que um dos seus elementos da equipa morreu no ataque.

O Ministério da Saúde palestiniano afirmou que o primeiro ataque ao hospital atingiu o quarto andar do Complexo Médico Nasser, seguido pouco tempo depois por um segundo ataque que atingiu equipas de ambulâncias e de resposta a emergências.

As Forças de Defesa de Israel (IDF) declararam, num comunicado, que “realizaram um ataque na área” do hospital. As IDF afirmaram que “não têm como alvo jornalistas enquanto tais” e que o chefe do Estado-Maior ordenou a abertura de uma investigação inicial o mais rapidamente possível.

O comunicado das IDF não reconhece, no entanto, o ataque direto ao hospital e não menciona os dois ataques consecutivos à instalação, tal como não refere qual era o alvo militar.

Mohammad Salama Instagram

Um vídeo do ataque obtido pela CNN mostra Mohammad Saqer, porta-voz do hospital e chefe de enfermagem, a segurar um pano ensanguentado após o primeiro ataque, quando uma nova explosão sacode o edifício, preenchendo o ar com fumo e obrigando as pessoas a correr em busca de abrigo.

Uma câmara em direto da Al Ghad TV mostra também trabalhadores de emergência numa escada danificada do hospital quando o segundo ataque atinge o edifício.

O Sindicato de Jornalistas Palestinianos condenou o ataque, descrevendo-o como um “massacre hediondo perpetrado pelas forças de ocupação israelitas… que visou diretamente equipas de media e jornalistas”.

A CNN destacou Abu Dagga no ano passado como uma das jornalistas a cobrir o conflito, à medida que um número crescente de colegas seus eram mortos em ataques israelitas. Com 31 anos na altura, ela disse: “Estamos a cobrir a guerra em Gaza porque este é o nosso dever jornalístico. É-nos confiado.”

Na altura, Abu Dagga trabalhava para o Independent Arabic e também fazia trabalhos como freelancer para a Associated Press (AP) desde o início da guerra. “Desafiámos a ocupação israelita. Desafiámos as circunstâncias difíceis e a realidade desta guerra, uma guerra genocida”, disse Abu Dagga à CNN em 2024.

Moath Abu Taha imagem obtida pela CNN
Hussam Al-Massri 

A agência AP disse estar “chocada e entristecida” ao saber da morte de Abu Dagga, juntamente com vários outros jornalistas. O filho de 12 anos de Abu Dagga foi retirado de Gaza no início da guerra, acrescentou a agência de notícias.

“(Abu) Dagga reportava sobre médicos do Hospital Nasser a lutar para salvar crianças sem problemas de saúde anteriores que estavam a definhar devido à fome”, afirmou a AP num comunicado.

O Sindicato dos Jornalistas Palestinianos identificou outras vítima como sendo Ahmad Abu Aziz. De acordo com um jornalista da AFP em Gaza, este último trabalhava para meios de comunicação palestinianos e internacionais.

Num comunicado, o Hamas escreveu o seguinte: “O inimigo cobarde visa dissuadir os jornalistas de transmitir a verdade e de cobrir crimes de guerra, limpeza étnica e as condições de vida catastróficas do nosso povo palestiniano em Gaza”.

De acordo com o Comité de Proteção dos Jornalistas (CPJ), Israel já matou 192 jornalistas desde o início da guerra em Gaza, antes do ataque desta segunda-feira. A organização acrescentou que: “Israel está a levar a cabo o esforço mais letal e deliberado para matar e silenciar jornalistas que o CPJ alguma vez documentou”.

Há duas semanas, Israel matou vários jornalistas da Al Jazeera num ataque na Cidade de Gaza, incluindo um dos correspondentes mais proeminentes da rede, Anas Al-Sharif. O ataque ocorreu após a IDF ter acusado Al-Sharif de ser o líder de uma célula do Hamas, acusação que o jornalista negou veementemente.

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