Durão Barroso alerta para o risco de "ficarmos presos num ciclo interminável de doses de reforço"

21 jan, 11:22
presidente da GAVI - Aliança Global para as Vacinas, José Manuel Durão Barroso

Presidente da Gavi realça para o fosso que separa as taxas de vacinação dos país com maiores e menores rendimentos e alerta para uma eventual "catástrofe de saúde pública"

Durão Barroso considera que, caso se mantenha o baixo número de pessoas imunizadas nos países com menores rendimentos, existe um "risco substancial" de todo o planeta ficar preso "num ciclo interminável de aplicação de doses de reforço". O ex-primeiro-ministro receia que, perante a tendência atual, a sociedade fique eternamente "a perseguir o vírus" em vez de se antecipar. 

Num artigo de opinião, publicado no Jornal de Negócios, Durão Barroso aponta que, para equilibrar os níveis de imunização global, são necessários "novos compromissos por parte dos países de elevados rendimentos e dos fabricantes de vacinas". 

"Se protegermos as pessoas do mundo inteiro, poderemos reiniciar a economia e recuperar completamente o comércio e as viagens", culmina.

Durão escreve ainda que o mundo está "finalmente numa posição em que derrotar a covid-19 é uma perspetiva realista". Contudo, lembra que vão continuar a surgir "desafios do lado da procura e da oferta [de vacinas] em 2022".

No último sábado, a COVAX - uma parceria estabelecida pela Coligação para a Inovação na Preparação para Epidemias, Organização Mundial de Saúde, UNICEF e Gavi (a Aliança Global para as Vacinas)  - atingiu o marco de mil milhões de doses das vacinas contra a covid-19 distribuídas por 144 países.

Neste artigo de opinião, o antigo primeiro-ministro, ex-presidente da Comissão Europeia e atual presidente da Gavi diz que este feito prova que, "na hora da verdade", as nações mundiais conseguem "colaborar de forma eficaz no sentido de lidar com desafios globais de envergadura".

Durão Barroso lembra que, em 2020, ninguém sabia se seria possível desenvolver uma vacina que fosse segura e eficaz contra o SARS-CoV-2, nem se sabia se a indústria seria capaz de aumentar a capacidade de produção de modo a inocular todo o planeta. Mas, destaca, neste momento já existem várias opções de imunização e verificou-se que "foram produzidas 11 mil milhões de vacinas" no último ano.

"Lamentavelmente, estes sucessos também servem para mostrar onde é que o mundo falhou nos seus esforços para combater a pandemia", escreve Durão Barroso no Jornal Negócios.

O presidente da Gavi classifica como "lamentável" que existam ainda "mais de três mil milhões de pessoas, a maioria das quais a viver em países de rendimentos baixos", que ainda não tenham recebido nenhuma dose da vacina contra a covid-19, enquanto os "países de rendimentos elevados apresentam uma taxa média de vacinação superior a 75% e estão agora focados nos programas de reforço vacinal".

O ex-presidente da Comissão Europeia realça que é imperativo que o "COVAX continue a receber apoio em todo o mundo". Caso contrário, é de esperar que aumente o fosso entre as taxas de vacinação dos países mais ricos e dos mais pobres, algo que Durão Barroso considera que "não só constituiria um fracasso do ponto de vista moral, como também uma catástrofe de saúde pública".

"Todos nós sabemos, por esta altura, que ninguém está a salvo até que todos estejam a salvo. Enquanto não conseguirmos vacinar as pessoas do mundo inteiro, o coronavírus continuará a mutar-se, resultando no aparecimento de novas variantes potencialmente perigosas", refere Durão Barroso.

 

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