As 20 melhores sopas do mundo

CNN Portugal , Jen Rose Smith
7 fev, 12:12

Se vê numa taça de sopa quente a sua derradeira comida reconfortante, tem muita gente do seu lado. A sopa é um dos pratos mais universais e mais antigos do mundo, disse Janet Clarkson, escritora do livro “Soup: a Global History”

"Todas as culturas têm a sua sopa”, disse Janet Clarkson. "Tem raízes ancestrais.” Os antepassados coziam de tudo em sopas, desde carapaças de tartarugas a canas de bambú, escreve ela no livro, com o aparecimento das panelas de sopa de metal na Idade do Bronze.

A cozedura dos alimentos possibilitou a subsistência à base de cereais, misturados com ervas e outros ingredientes para obter um fim nutritivo ou medicinal.

Clarkson disse que, sempre que levamos uma panela de sopa a um amigo adoentado, estamos a dar continuação a uma tradição ancestral. Diz ela que “os antepassados viam o alimento e o medicamento como um só”. “Historicamente, todos os países no mundo tinham a sua sopa revigorante.”

E isso é verdade, independentemente do nome que tenha. Atualmente, as sopas são mais à base de caldos e os guizados são mais substanciais, mas o termo “comida de colher” nunca se adequara tão bem a essas duas categorias.

Clarkson mergulhou em séculos de etimologia em busca da história da sopa e dos caldos, mas agarrou-se a uma abordagem mais generalista. “Coisas cozinhadas em água”, escreveu ela. “A água aromatizada tornou-se parte crucial do prato”.

É uma definição que deixa espaço para a tremenda variedade culinária a nível mundial. Eis as nomeações da CNN para as 20 melhores sopas em todo o mundo:

Banga | Nigéria

A Banga é tão popular na Nigéria, que vendem pacotes de especiarias já preparados nas lojas. Foto: Shutterstock

Os frutos do dendezeiro conferem gordura e sabor a esta sopa do Delta do Níger, que também leva peixe-gato, carne de vaca e marisco seco.É tão popular, que as lojas já vendem pacotes de especiarias para Banga. A maior parte das misturas inclui noz-moscada africana, sementes de rícinio, orima, jansa e folhas de beletete.

As especiarias dão sabor a um intenso molho vermelho que é o ponto central desta sopa: mergulha-se eba ou bola de amido, dois ingredientes nigerianos típicos feitos de mandioca, mas com diferentes métodos de preparação.

Pho de vaca (phở bò) | Vietname

Uma taça de pho de vaca cura rá todos os seus males. Foto: Godong/Universal Images Group via Getty Images

O caldo é fervido durante horas com canela, anis-estrelado e outras especiarias quentes para criar  uma base aromática para esta sopa de massa de arroz.

Pho está entre as exportações culinárias mais reconhecidas do Vietname, mas é um prato relativamente recente, escreveu Andrea Nguyen, escritora de “The Pho Cookbook”.

E, apesar de os restaurantes servirem atualmente uma vasta gama de sabores, o de vaca é o original. Nguyen explicou que, em 1930, a sopa era servida com fatias de carne de vaca crua que cozinhava suavemente no caldo.

Atualmente, o pho de vaca continua a ser a versão mais apreciada no Vietname, com opções que incluem a original carne de vaca crua, uma combinação de carne de vaca crua e cozinhada, peito e tendões.

Borscht | Ucrânia

Tenras beterrabas abrem caminho às delícias ácidas do borscht. Foto: Shutterstock

Pedaços de beterrabas tenras a flutuar num brilhante caldo avermelhado para uma sopa adorada na Ucrânica e em toda a Europa de leste. Muitas vezes terminado com uma colher generosa de natas azedas, o borscht não é uma simples sopa de beterraba. Tem um travo ácido do kvass, um sumo de beterraba lacto-fermentado que é outra especialidade da região.

Embora seja uma sopa muitas vezes atribuída à culinária russa, é uma reclamação muito contestada. Os cozinheiros ucranianos embarcaram numa campanha para a introdução da sua versão na lista de Património Mundial da UNESCO.

Bouillabaisse | França

Bouillabaisse é sinónimo de Marselha, França. Foto: Shutterstock

Um guizado de pescador que virou um marco culinário, o bouillabaisse distila os clássicos sabores mediterrânicos num prato que é sinónimo da cidade costeira de Marselha. Açafrão, azeite, funcho, alho e tomate, misturado com peixe do mar.
A dada altura, o peixe retratava a pescaria de cada dia, mas as coisas tornaram-se mais rígidas.

Segundos os signatários dos Estatutos do Bouillabaisse de 1980, um esforço com junto dos cozinheiros locais para garantir a qualidade da sopa francesa, a receita mais autêntica deve conter um mínimo de quatro tipos de marisco, escolhido de uma lista onde se incluem tamboril e caranguejo.

Caldo verde | Portugal

Uma sopa rica oriunda da região vinhateira de Portugal. Foto: Shutterstock

Couve finamente cortada, misturada com batata e cebola compôem esta sopa caseira da região vinhateira do Minho, em Portugal. Atualmente, a sopa tanto é estrela culinária em cafetarias gourmet como em cozinhas rurais, definindo-se claramente como comida reconfortante.

Em muitas versões, chouriço português acrescenta um sabor salgado e fumado que enriquece ainda mais a sopa. Acompanhe com um copo do famoso vinho verde da região do Minho.

Chorba frik | Argélia, Líbia e Tunísia

Chorba frik é popular no norte de África depois do pôr-do-sol, durante o Ramadão. Foto: Shutterstock

Trigo duro colhido ainda verde, chamado freekeh, confere substância e peso nutritivo a esta sopa do norte de África, especialmente apreciada durante o Ramadão.

Os grãos tenros absorvem um caldo de tomate e especiarias, combinando esse sabor com grão-de-bico, frango estufado, vaca, carneiro ou borrgo. É servido com limão aos quartos e um pedaço de pão kesra.

Chupe de camarones | Perú

Os amantes de camarão vão querer provar esta sopa peruana chamada chupe de camarones. Foto: Katherine Frey/The Washington Post/Getty Images

Esta cremosa sopa de camarões é uma especialidade de Arequipa, uma cidade histórica rodeada de vulcões. As noites frias nas montanhas são perfeitas para este prato substancial. Camarões nadam juntamente com pedaços de batatas dos Andes e milho.

E tem um travo pungente. Juntam-lhe aji amarillo, uma malagueta com um sabor frutado e picante, que serve para equilibrar os sabores dos ingredientes mais pesados e cremosos. Talvez isso explique a reputação da sopa como sendo um poderoso afrodisíaco.

Gaspacho | Espanha

Gaspacho é uma excelente maneira de se refrescar num dia de muito calor. Foto: Shutterstock

O verão na Andalúzia é composto por dias abrasadores, ideais para nos refrescarmos com uma taça desta sopa fria de vegetais. A versão mais clássica da atualidade combina tomate, pepino, alho e azeite, com uma mão-cheia de pão crocante para criar maior consistência.

O prato foi levado para a Península Ibérica pelos árabes, séculos antes de os espanhóis conhecerem o tomate, um ingrediente do Novo Mundo. O prato original era uma mistura de pão, alho e azeite, moídos num almofariz e temperados com vinagre.

Sopa de amendoim | África Ocidental

Batata doce e quiabos são as estrelas desta versão de sopa de amendoim, popular em toda a África ocidental. Foto: Shutterstock

Como muitas outras maravilhas culinárias, a sopa de amendoim ignora fronteiras internacionais: carne de vaca, peixe ou frango, cozinhados numa robusta sopa de amendoim, pura comida reconfortante em vários países da África ocidental. Há versões desde o domoda, o prato nacional da Gâmbia, a uma versão nigeriana com legumes mais amargos.

Independentemente do país, são sempre sopas e guizados cremosos, ricos e salgados, uma combinação satisfatória que pode ainda ter um travo picante com algumas malaguetas Scotch Bonnet.

Gumbo | Estados Unidos

Este gumbo é embelezado por frango, linguiça e camarão. Foto: Tom McCorkle/The Washington Post/Getty Images

Culturas e sabores combinam-se numa sopa robusta que é a estrela da culinária de Luisiana, influcenciada pelas culinárias da África ocidental, do povo Choctaw e de França. As versões mais populares contêm marisco, franco e linguiça, mas existem diversas formas de confecionar esta iguaria sulista.

Folhas de sassafrás moídas, conhecidas como filé e antigamente colhidas pelo povo Choctaw, conferem um travo característico a muitas receitas de gumbo. Há quem engross a sopa com uma pasta de farinha chamada roux e há quem utilize quiabos salteados às fatias.

Anualmente, são apresentadas todas as versões possíveis no World Cahmpion Gumbo Cookoff em Nova Ibéria, Luisiana, onde os cozinheiros procuram mostrar quem é o melhor sopeiro de todos.

Harira | Marrocos

A harira marroquina deslumbra com a mistura de grão-de-bico num saboroso caldo de tomate. Foto: Shutterstock

Quando o sol se põe durante o mês do Ramadão, muitos marroquinos quebram o jejum com uma taça quente deste reconfortante guizado de grão. Canela, gengibre, cúrcuma, e pimenta emprestam um aroma intenso ao saboroso caldo de tomate, onde se banha o tenro grão-de-bico. É um prato também popular na Argélia.

As receitas vegetarianas são populares, mas a versão mais tradicional é cozinhada com pedaços tenros de borrego ou outra carne. Não são só os muçulmanos quem quebra o jejum assim. Alguns judeus do norte de África também consomem harira para quebrar o jejum anual do Yom Kippur.

Kharcho | Geórgia

O sabor cítrico do kharcho vem de um molho de ameixa. Foto: Shutterstock

Um molho ácido de ameixa chamado tkemali confere um travo crítico intenso a esta sopa tradicional, um dos pratos mais apreciados na Geórgia.

É feito com ameixas verdes, cujas notas amargas equilibram a riqueza da carne de vaca gorda e das nozes picadas cozinhadas na sopa. Mas o travo aromático vem da mistura de especiarias khmeli suneli, uma mistura de coentros, segurelha, feno-grego, pimenta preta, calêndula e mais.

Sopa de massa e vaca Lanzhou | China

Claro que tinha de entrar uma sopa chinesa na lista das 20 melhores sopas, e ficará a perceber porquê ao provar esta sopa de massa e vaca Lanzhou. Foto: Shutterstock

Moldar, ou puxar, a massa Lamen à mão para esta sopa tradicional é uma arte por si só. Os artesãos utilizam uma mistura de farinha fina rica em glúten e pó alcalino para criar uma peça de massa maleável, que depois puxam e dobram para elaborar massa suficiente para uma taça de sopa.

Mergulham-na numa taça de calde de carne para criar uma sopa de nível mundial, composta com carne de vaca, fatias de rábano, óleo de malagueta e ervas frescas. (Em alguns estabelecimentos, os clientes poderão até pedir a massa com formato e espessura a gosto).

Mohinga | Myanmar

Esta versão de mohinga contém peixe-gato, massa de arroz, ovos de galinha e lima.
Shutterstock

Grande parte de Myanmar consome sopa ao pequeno-almoço, podendo encontrar vendedores de rua e lojas de chá a ferver enormes cubas de mohinga. A alma desta sopa de massa é o seu caldo aromático, que é cozinhado com ervas e engrossado com farinha de arroz torrado.

O peixe confere-lhe maior riqueza e a massa de arroz fininha é perfeita para sorver. Gostam tanto de mohinga, que passou de um prato de pequeno-almoço para um prato para qualquer hora do dia, sendo que cada região tem a sua versão desta sopa clássica.

Menudo | México

Menudo é uma sopa tradicional mexicana feita com tripas e canjica, que se diz boa para curar ressacas. Foto: Shutterstock

Tripas cozinhadas lentamente durante horas num caldo picante de alho é a derradeira cura para ressacas no México, mas não menudo não serve apenas para essas manhãs. É prato de eleição em casamentos e grandes eventos, onde um panelão desta tradicional sopa pode alimentar dezenas de convidados.

É comida reconfortante pura, com grãos de canjica e um travo fresco dos pedaços de cebola crua, malaguetas e coentros. Opte por uma de duas variedades: menudo vermelho, que obtém essa cor devido à infusão das malaguetas no caldo, ou menudo branco ao estilo de Sonora, uma alternativa mais suave.

Moqueca de camarão | Brasil

Camarão em creme de coco? Venha de lá a moqueca de camarão. Foto: Shutterstock

Óleo de palma e tomate tingem num tom alaranjado quente o creme de coco desta iguaria da região brasileira da Baía, onde até em dias quentes os habitantes comem taças desta sopa quente.

Mas o ponto central desta sopa é o tenro camarão que flutua no caldo. Tradicionalmente, a moqueca de camarão é cozinhada numa púcara artesanal de barro e seiva dos mangues, sendo depois servida à mesa nesse mesmo recipiente.

Soto ayam | Indonésia

Uma sopa de massa e galinha com um indulgente toque indonésio. Foto: Shutterstock

A sopa de massa e galinha pode atingir o seu pináculo culinário neste picante prato indonésio. Especiarias como curcuma fresca, anis-estrelado, canela, citronela e folha de lima combinam para um aroma e sabor multitexturado, enriquecido com as gemas líquidas de ovos mal cozidos.

Cada zona da Indonésia tem a sua versão, sendo uma sopa também apreciada em Singapura, Malásia e no longínquo país do Suriname, na América do Sul, onde a receita chegou através dos imigrantes de Java.

Coma-a com um acabamento de chalotas fritas, lima fresca e um toqu picante de malagueta picada.

Tom yum goong | Tailândia

Cogumelos Shittake e gambas são as estrelas desta versão da sopa tom yum. Foto: Natasha Breen/REDA&CO/Universal Images Group/Getty Images

Doce, amargo, picante e salgado, um caldo magnífico para receber um camarão tenro. Como ingredientres aromáticos contam-se a galanga, a citronela e as folhas de lima, juntando-lhe um travo picante através de malagueta finamente picada.

om yum goong é uma de muitas variedades da sopa tom yum na Tailândia, sendo esta versão enriquecida com gambas uma das prferidas dos clientes.

Ramen tonkotsu | Japão

Este clássico ramen vai buscar o se usabor aos ossos de porco. Foto: Shutterstock

Ossos de porco cozinhados durante horas conferem um sabor intenso a este ramen clássico, cujo caldo espessa devido à medula e à gordura. É um prato típico de Fukuoka Prefecture, na ilha sula de Kyushu, mas esta sopa robusta passou a ser servida em estabelecimentos por todo o país (e mundo).

Se o caldo indulgente é a estrela do ramen tonkotsu, a dose não fica completa sem as fatias de entremeada de porco e uma dose de massa no centro. Deguste-a com pauzinhos e uma colher de fundo raso, mas não se esqueça de sorver, pois diz-se que aprimora o sabor.

Yayla çorbasi | Turquia

Yayla çorbasi remonta a uma época em que sopa e medicação eram vistos como um só. Foto: Shutterstock

Arroz cozido ou cevada conferem uma textura adocicada a esta sopa cremosa de iogurte. Diz-se que afasta as constipações durante o inverno e até há hospitais turcos que servem sopa de iogurte aos pacientes em convalescença.

Um punhado de menta fresca picada ajuda a equilibrar a ligeira acidez do iogurte. Serve-se com uma volumosa fatia de pão pita.

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