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Economista; Professor Associado e Coordenador na Universidade Europeia; Investigador Integrado no CETRAD

O preço do petróleo desce, mas o dos combustíveis não. Porquê?

14 jul, 17:28
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Quando o preço do petróleo recua, a expectativa dos consumidores é imediata. Os combustíveis deveriam descer na mesma proporção. Mas essa lógica, embora intuitiva, não considera uma realidade essencial. O mercado do petróleo e o mercado dos combustíveis refinados são distintos, respondem a fatores diferentes e, em momentos de elevada tensão internacional, podem evoluir em sentidos opostos.

Nos últimos meses, a sucessão de ataques a infraestruturas energéticas no Médio Oriente, na Rússia e na Ucrânia voltou a colocar a capacidade mundial de refinação sob pressão. Os mercados não reagem apenas ao petróleo disponível; reagem também à possibilidade de existirem menos refinarias operacionais, maiores custos logísticos e cadeias de abastecimento mais frágeis. O resultado é um aumento do preço da gasolina e do gasóleo, mesmo quando o crude perde valor.

A este fator junta-se uma instabilidade geopolítica que voltou a incorporar um significativo prémio de risco nos mercados. O Estreito de Ormuz continua a representar um dos maiores pontos de vulnerabilidade da economia mundial. Sempre que cresce a probabilidade de interrupções no tráfego marítimo ou de novos ataques, os operadores antecipam dificuldades futuras e refletem essa incerteza nos preços dos combustíveis refinados.

Há ainda um terceiro elemento frequentemente ignorado: a erosão das reservas estratégicas. Depois de vários anos de utilização para amortecer crises sucessivas, estas reservas deixaram de constituir uma almofada tão confortável. Quanto menor for essa margem de segurança, mais rapidamente os mercados incorporam cenários de escassez.

É neste contexto que se explica também porque motivo as gasolineiras demoram normalmente mais tempo a baixar preços do que a subi-los. Quando o petróleo desce, os distribuidores continuam a vender combustíveis adquiridos anteriormente a preços mais elevados. Também preferem confirmar que a descida é duradoura antes de rever tabelas de preços e, num mercado concorrencial, poucos operadores têm incentivo para reduzir primeiro.

Já quando o petróleo sobe, a lógica inverte-se. A reposição de stocks ficará inevitavelmente mais cara e vender ao preço antigo significaria comprometer a reposição futura. A atualização torna-se, por isso, quase imediata.

Na Europa existe ainda um agravante. O continente sofre de um défice estrutural de gasóleo e depende das importações para satisfazer uma parte importante da procura. Sempre que o comércio internacional enfrenta perturbações, é o gasóleo que sente primeiro a pressão.

Olhar apenas para o preço do barril é hoje insuficiente. Entre o crude e a bomba existe um mercado complexo onde a refinação, a geopolítica, a logística e as expectativas pesam, muitas vezes, mais do que o próprio petróleo. É aí que se decide o preço que, no final, cada consumidor paga.

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