Subida galopante dos combustíveis abranda na próxima semana. Gasóleo deve aumentar muito pouco e gasolina até pode descer

26 mar, 08:00
Brent (Getty)

Um depósito de 50 litros de gasóleo já custa 103,25 euros, se for gasolina fica a 96,5 euros. O preço do barril de Brent caiu 13 dólares em 15 minutos na segunda-feira, mas a Associação Nacional de Revendedores de Combustíveis (ANAREC) alerta: "Esta semana ainda está muito incerta" e isso definirá quanto se vai pagar a mais ou a menos na próxima segunda-feira

O fenómeno voltou a repetir-se: Trump falou, os mercados reagiram. Na segunda-feira, o presidente dos EUA foi às redes sociais anunciar conversações com Irão e o preço do barril de Brent passou dos 113 dólares para os 100 em 15 minutos. O que podemos então esperar do habitual anúncio de sexta-feira, sobre os preços dos combustíveis para a semana seguinte?

"Esta semana ainda está muito incerta", diz à CNN Portugal Mafalda Trigo, vice-presidente da Associação Nacional de Revendedores de Combustíveis (ANAREC). Isto porque na segunda-feira os mercados reagiram às palavras de Donald Trump e o preço do Brent fechou a sessão em bolsa nos 99,9 dólares por barril, mas na terça o preço de fecho já estava nos 104,4 dólares e na quarta-feira, às 22:00, cada barril de Brent estava a ser negociado a 102,85 dólares.

Apesar destas oscilações, a vice-presidente da ANAREC adianta que, perante os valores de fecho de sessão dos três primeiros dias da semana, o preço do gasóleo deverá subir 1 cêntimo e o da gasolina descer na próxima segunda-feira. 

"Neste momento, a gasolina está para baixar. O que é que significa? Significa que se continuarmos com estas previsões que estão até hoje, a gasolina, por exemplo, irá baixar 2,5 cêntimos e meio na próxima segunda-feira", explica Mafalda Trigo.

No entanto, é de realçar que estes valores são meras previsões. Isto porque, para definir as variações dos preços dos combustíveis em território nacional, é feita uma ponderação tendo por base a média dos valores de fecho de sessão do Brent da semana anterior. Ou seja, o valor só poderá ser fixado com exatidão na sexta-feira depois do fecho dos mercados.

Além disso, o preço do gasóleo e da gasolina não se prende exclusivamente com o valoração do barril de Brent. Os dois combustíveis são produtos refinados, podem ficar mais caros ou mais baratos também consoante a maior ou menor disponibilidade de aditivos e derivados e, ainda, estão dependentes do aumento ou diminuição da procura e da oferta em determinado momento.

Podem os preços do gasóleo e da gasolina subir com o custo do barril de Brent a cair?

Mafalda Trigo garante que perante as circunstâncias atuais, provocadas pelo conflito no Irão e pelo estrangulamento do tráfego de petroleiros no Estreito de Ormuz, "não é previsível" que os preços do gasóleo e da gasolina continuem a subir mesmo que o preço do barril de Brent desça.

"Poderia ocorrer se alguma fábrica de aditivos tivesse problemas ou houvesse alguma situação dentro deste nível, como por exemplo numa refinaria. Agora, com o aumento que tivemos de perto de 50 cêntimos no gasóleo, se o preço do barril de Brent baixar, irá ser refletido com certeza no preço", explica a vice-presidente da ANAREC.

Na véspera do ataque dos EUA contra o Irão, de acordo com a Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG), um litro de gasóleo custava 1,599€ e o da gasolina estava nos 1,684€. Passados 22 dias, até à última variação do preço dos combustíveis na sexta-feira, o gasóleo está 43 cêntimos por litro mais caro, enquanto a gasolina sofreu um aumento de 23 cêntimos. Estes valores já refletem o desconto no ISP que tem vindo a ser feito pelo Governo a cada aumento.

Quanto ao Brent, no dia 27 de fevereiro, antes do ataque ao Irão, o preço do barril rondava os 73 dólares, sendo que esta quarta-feira estava a ser negociado acima dos 100 dólares. Pelo meio, houve várias flutuações em grande parte provocadas essencialmente por declarações de Donald Trump, que tendem a ter um impacto quase imediato nos mercados.

Ao longo de mais de três semanas, o preço do barril de Brent teve dois picos, nos dias 9 e 19 de março, em que chegou a ser negociado por 119,50 e 119,13 dólares, respetivamente. Do outro lado do espectro, o valor mais baixo a que o Brent esteve a ser negociado nas últimas duas semanas ocorreu esta segunda-feira, 23 de março, precisamente depois de declarações do presidente dos EUA, com o barril a atingir 96 dólares.

Na primeira semana após o ataque dos EUA, o preço do Brent subiu, em média, 17,5% em comparação com a média da semana anterior (83,8 dólares). Nos sete dia seguintes, entre 9 e 13 março, a subida foi de 15,1% em média (96,4 dólares) e, entre 16 e 20 de março, o aumento foi de 10,3% (106,3 dólares). 

Por sua vez, os combustíveis em Portugal aumentaram 4,2% na gasolina e 11,1% no gasóleo a 9 de março, o que corresponde a aumentos de 7 cêntimos e 18,2 cêntimos, respetivamente. Na segunda-feira seguinte, 16 de março, as subidas foram de 3,9% e 4,3%, mais 7 cêntimos na gasolina e 7,9 cêntimos no gasóleo. E, por fim, na última segunda-feira, houve acréscimos de 3,5% e 6,2%, equivalentes a 7,3 cêntimos na gasolina e 13,8 cêntimos no gasóleo. Os últimos dados disponibilizados pela DGEG são referentes a terça-feira, 24 de março, e mostram que os portugueses estavam a pagar, em média, 1,93 euros por um litro de gasolina e 2,065 euros pela mesma quantidade de gasóleo.

Em Portugal, encher um depósito de 50 litros custa agora 96,5 euros tratando-se de gasolina, e 103,25 euros no caso do gasóleo. Só em IVA, o Estado está a arrecadar 22,2 euros e 23,75 euros por cada um destes depósitos atestados.

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