CIA alertou governo alemão para ataque contra gasoduto há mais de uma semana

27 set, 19:21
Mancha provocada pela fuga de gás no Nord Stream (Forças Armadas da Dinamarca)

A primeira-ministra dinamarquesa também já veio a público classificar o incidente como “um ato deliberado”, adiantando ainda que a fuga de gás deverá durar, pelo menos, uma semana

A CIA, a principal agência de serviços secretos norte-americana, terá alertado o governo alemão para a elevada possibilidade de um ataque contra os gasodutos no mar Báltico, com pelo menos duas semanas de antecedência, avança esta terça-feira o jornal alemão Der Spiegel.

Fonte anónima do governo germânico esclareceu que o executivo terá recebido um alerta dos serviços secretos ainda durante o verão de que o gasoduto que fornece gás natural russo diretamente à Alemanha poderia estar em perigo.

Recorde-se que uma fuga de gás detetada nos gasodutos Nord Stream 1 e 2, que fornecem gás natural da Rússia para a Europa causou fortes explosões subaquáticas. A primeira explosão foi registada às 02:03 locais de segunda-feira, com uma segunda identificada às 19:04 do mesmo dia.

Björn Lund, especialista da rede nacional sísmica da Suécia, explicou, em declarações à televisão SVT, que um dos impactos teve uma magnitude de 2,3 na escala de Richter, algo semelhante a um pequeno terremoto, e que foi sentido em cerca de 30 estações de medição sísmica no sul da Suécia.

Apesar de as causa das explosões ainda não ter sido apurada, várias pessoas apontam para um ato de sabotagem. É o caso de Mette Frederiksen, primeira-ministra dinamarquesa, que, numa primeira reação referiu-se a situação como "pouco comum", mas acabou por classificar o incidente como “um ato deliberado”, adiantando ainda que a fuga de gás deverá durar, pelo menos, uma semana.

O presidente polaco também não hesitou em afirmar que a fuga de gás ocorreu devido ao um ato deliberado, dizendo que "se vê claramente que foi um ato de sabotagem". Ainda assim, Mateusz Morawiecki não forneceu quaisquer provas que sustentassem a afirmação.

Quem também falou em sabotagem foi a Rússia, com o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, a classificar a situação de "muito preocupante". "Chegou-nos informação da Gazprom e do operador. São notícias perturbadoras, estamos a falar da destruição de um tubo", acrescentou.

Os cientistas já descartaram a tese de que as fugas teriam resultado de um terramoto na região.

As autoridades marítimas da Dinamarca e Suécia emitiram avisos para que os navios evitassem aquela zona, de onde as primeiras imagens recolhidas mostram uma mancha fácil de distinguir no Mar Báltico.

A Suécia já decidiu lançar uma investigação para determinar o que esteve na origem destas fugas. 

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