Macron volta a dizer não ao gasoduto ibérico. "Queremos ser grandes importadores de gás? Não!"

6 out, 21:07
Emmanuel Macron passeia em Lisboa com António Costa

Para o presidente francês, além de o gasoduto demorar no mínimo cinco a oito anos a construir, "a aposta passa pelo hidrogénio"

O presidente francês, Emmanuel Macron, voltou a manifestar esta quinta-feira, em Praga, a sua oposição a um gasoduto que ligue a Península Ibérica ao resto da Europa.

Questionado sobre o assunto à chegada a Praga, palco da cimeira informal de líderes da União Europeia (UE) na sexta-feira, Macron começou por referir que já falou “muitas vezes” sobre esta questão, apontou que as atuais ligações são subutilizadas, sendo que até é a França que exporta gás para Espanha, e voltou a opor-se a um projeto que levaria “cinco a oito anos” a concretizar, mantendo a Europa muito dependente das importações de gás de países terceiros.

O chefe de Estado francês disse que já há “muitas interconexões”, que permitem, de resto, à França “exportar gás por exemplo para a Alemanha e até para a Espanha" - dois países, além de Portugal, que têm insistido na importância do gasoduto -, e alegou que a atual ligação é subutilizada, considerando que tal demonstra que o projeto de interconexão designado "MidCat" não é a solução de que a Europa precisa.

“Apoio os projetos de interconexões, mas a Europa precisa de quê nos próximos anos? De produzir mais eletricidade no seu solo e ter uma estratégia renovável e nuclear. E utilizamos a plena capacidade das ligações existentes? Não, estamos a 50% ou 60%”, defendeu.

Além disso, prosseguiu Macron, o projeto do gasoduto a ligar a Península Ibérica ao resto da Europa através dos Pirenéus “levará cinco a oito anos” a concretizar.

“E temos vontade de sermos duravelmente grandes importadores de gás? Não, a nossa estratégia passa sobretudo pelo hidrogénio. Se se trata de hidrogénio, devemos dizê-lo já. A questão que nos devemos colocar é se vamos fazer circular o hidrogénio por toda a Europa, ou melhor, a eletricidade para fazer eletrólise [para gerar hidrogénio verde]. É uma verdadeira discussão estratégica que devemos ter. Creio que a nossa prioridade é antes uma interconexão elétrica na Europa e, por isso, sou mais favorável a esse projeto”, concluiu.

Há muito que Portugal e Espanha têm pressionado França a honrar os seus compromissos, assumidos designadamente numa cimeira de interligações celebrada em Lisboa em 2018 - já com Macron, e, anteriormente, numa cimeira em Madrid, em 2015.

Em 22 de setembro passado, em entrevista à Lusa em Bruxelas, o secretário de Estado dos Assuntos Europeus afirmara que o Governo português ainda acreditava que seria “possível convencer a França” a permitir interligações desde a Península Ibérica para o fornecimento de gás e, mais tarde, hidrogénio à Europa, mas admitiu como alternativa uma ligação através de Itália.

Contudo, Tiago Antunes também admitiu que “há neste momento um outro cenário que está a ser estudado, que é a hipótese de uma ligação direta entre Espanha e a Itália, por via marítima”.

“Portanto, se não for possível avançar com o 'MidCat', estamos naturalmente a considerar esse outro cenário e pensamos que poderá ser uma alternativa”, assumiu.

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